sábado, maio 27, 2006

I MISS YOU

To see you when I wake up
Is a gift I didn't think could be real.
To know that you feel the same as I do
Is a three-fold, Utopian dream.
You do something to me that I can't explain.
So would I be out of line
If I said "I miss you"?
I see your picture.
I smell your skin on
The empty pillow next to mine.
You have only been gone ten days,
But already I'm wasting away.
I know I'll see you again
Whether far or soon.
But I need you to know that I care,
And I miss you.
(I miss you - Incubus)

Distância de Segurança


Dormi a tarde toda. A cabeça ainda pesa ainda estou a recuperar. Adormeço a pensar em ti e acordo contigo em mim, passeio pela casa, vejo televisão, ouço música, trabalho um pouco. Mas tu estás lá comigo, volto para os lençóis fecho os olhos é a tua essência que paira no ar. O que eu não dava para que estivesses aqui. O telemóvel olha para mim pisca-me o olho e quando dou por mim já te enviei uma mensagem. Brinco dizendo a verdade. Adormeço a altas horas penso no presente e no futuro como se o futuro começasse daqui a um mês. Tudo vai mudar. O mais provável era que não viesses… mas eu tinha de tentar, eu não te posso deixar ir assim. Teimosia e uma esperança paradoxal não me deixam desistir…

Acordo, ena são duas da tarde. Adoro os dias afastados da rotina, dos horários, das obrigações. Gosto de me sentir livre. De acordar por acordar e de dormir por dormir todas as horas possíveis e imaginárias. E acordar bem disposta. Vou a caminho da cozinha e ouço o telemóvel. Volto para trás, entro no quarto pego no telemóvel, leio a frase mais simples mas a mais bonita de sempre “Estou à tua porta para te ver.” Levo o telemóvel ao peito enquanto vejo a tua sombra através do estore. Respiro fundo e quase que nem acredito que vieste. Dou meia volta no corredor atrapalhada. Corro até ao espelho de pijama e toda despenteada. Perfeito, o pior de mim e o melhor, eu simplesmente eu! Abro a porta e abraço-te. Mostras desconforto. Fico apreensiva mas entendo. És muito bom coração e cedeste à minha pressão. Manténs a distância de segurança. És um bom condutor da nossa relação. Mais um milímetro e poderás encontrar-te na faixa de risco, o meu espaço a considerada zona crucial de impacto. Agora devo ser eu que tenho um sinal de trânsito proibido algures. Evitas mergulhar mantendo o farol aceso a qualquer custo. Admiro a tua resistência, penso boicotar a tua resistência. Não posso! Respeito-te demasiado para o fazer. Falo que nem uma tagarela. Observando-te, pensei imensas vezes que aquela era a parte em que colocavas a cabeça no meu colo e eu te mimava e fazia cafoné…
Dou por mim dizes ok três vezes seguidas, estás mesmo para ir embora, mal falaste, mal me tocaste, mas sei que me sentiste. Foste! Sinto uma lágrima a querer escapar, sempre que partes fico com um nó cá dentro. Demora a desatar.
Contigo aprendi a esperar…

domingo, maio 21, 2006

On my way

"O principal é deixar que flua sem vírgulas no caminho, pois o amor é uma frase interminável que começa com maiúscula e se escreve de dentro para fora e vice versa, e cuja leitura nunca termina, até que acaba."
Bruno Campell
Por favor esquece as vírgulas... e escreve... escreve gestos de carinho, escreve o encontro da àgua com a cascata em tempo de secura, escreve dentro de ti que és ouro em tempo de crise, escreve que te espero... escreve que te quero... e deixa-me a mim escrever também. E depois? Vamos ler cada palavras devagarinho degustando cada significado sem promessas mas com vivências. Acredita em mim...

sábado, maio 20, 2006

Amarras



O ar começa a invadir-me
Através de um sussurro
Um arrepio demorado
Uma vibração antagónica
Ora afável, ora desconfortável
Inspiro levemente
Paulatinamente…

Começo aos poucos
Como se chamasses por mim
Como se me desses forças
Sem teres noção
Como se me chamasses
Por impulso
Num acto arbitrário


E subitamente
As tonturas passam
As dores de cabeça desvanecem
E eu sigo-te…

Vamos largar as amarras
Deixar a âncora que prende
Pairar sobre a brisa
Voa, vem comigo
Prometo um mar de estrelas
E de gotas de azul …

O antes e o depois
Pertencem aos deuses
Não nos vamos preocupar
Soltas as amarras desta vez?
Prometo devolver-te às estrelas..
Soltas??

Frémito do meu corpo


"Frémito do meu corpo a procurar-te,
Febre das minhas mãos na tua pele
Que cheira a âmbar, a baunilha e a mel,
Doida anseio os meus braços a abraçar-te,
Olhos buscando os teus por toda a parte,
Sede de beijos, amargor de fel,
Estonteante fome, áspera e cruel,



Que nada existe que a mitigue e a farte!
E vejo-te tão longe!
Sinto a tua alma
Junto da minha, uma lagoa calma,
A dizer-me, a cantar que me não amas...
E o meu coração que tu não sentes,
Vai boiando ao acaso das correntes,
Esquife negro sobre um mar de chamas..."

Florbela Espanca

Respirar



Eu quero respirar, respirar perdidamente!
Respirar só por amar: Aqui... além...
Mais hoje e amanhã,
Respirar-te e não a toda a gente!
Respirar! E não respirar mais ninguém!





Ps. Homenagem a Florbela Espanca

Para ser lido correctamente deves substituir a palavra respirar por amar.

domingo, maio 14, 2006

Pedras no caminho



"Posso ter defeitos,
viver ansioso e ficar irritado algumas vezes,
mas não esqueço de que minha vida é a maior empresa do mundo,
e que posso evitar que ela vá a falência.
Ser feliz é reconhecer que vale a pena viver,
apesar de todos os desafios, incompreensões e períodos de crise.
Ser feliz é deixar de ser vítima dos problemas
e tornar-se um autor da própria história.
É atravessar desertos fora de si,
mas ser capaz de encontrar um oásis
no recôndito da sua alma.
É agradecer a Deus a cada manhã pelo milagre da vida.
Ser feliz é não ter medo dos próprios sentimentos.
É saber falar de si mesmo.
É ter coragem para ouvir um "não".
É ter segurança para receber uma crítica,
mesmo que injusta.
Pedras no caminho?
Guardo todas, um dia vou construir um castelo..."

Fernando Pessoa

sábado, maio 13, 2006

NIGHT SEVEN


Pronto! Já sei pirei de vez...
Internem-me por favor.
Vou descansar...
Tou a ter alucinações...
Tonturas...
Doi-me a alma e o coração!
Dóis-me!
Socorro!

NIght six: FRÁGIL


Põe-me o braço no ombro
Eu preciso de alguém
Dou-me com toda a gente
Não me dou a ninguém
FrágilSinto-me frágil

(...)

Frágil Sinto-me frágil
Frágil. Esta noite estou tão frágilFrágil
Já nem consigo ser ágil

(...)

Acompanha-me a casa
Já não aguento mais
Deposita na cama
Os meus restos mortais
FrágilSinto-me frágil
FrágilEsta noite estou tão frágil
Frágil
Já nem consigo ser ágil

Jorge Palma

NIGHT FIVE

Não houve noite porque a noite sou eu.
Se a tristeza tivesse um nome e uma morada.
Seria o meu rosto neste momento a sua casa e a sua morada!
Porque me tratas assim… Eu não merecia! Eu merecia 10 minutos que fossem, eu merecia.


TORTURAS-ME MAIS DO QUE SUPORTO! E desfaleço... atiro-me contra o abismo na esperança de renascer. Mas será que não percebes que preciso de ti, da tua ajuda! Como consegues... sei que não és assim!

NIGHT FOUR : VOO NOCTURNO


É incrível como a tristeza pesa e desequilibra nestes dias de festa. Como a tua ausência me fere. Encontro-te e não resisto em interpelar-te. As tuas bengaladas na minha cartola apaixonada. O teu olhar enternecido, tão doce. Apetece-me abraçar-te e não te largar mais e de súbito desapareço na multidão na tentativa de controlar o ímpeto e a vontade. E de novo no meio da multidão alienada e alucinada são os teus caracóis que sobressaem e me impelem num olhar ávido de ti uma vez e outra incontrolavelmente sem fim. Estarei louca tu também me olhas… Este mundo só pode estar do avesso. As amigas chamam-me à razão, outra aconselha-me a viver o presente. Não suporto ter de fugir à vida, ao que sinto. É demasiada tortura. Basta! Arrasto-me até casa é insuportável estar a metros de ti e não poder abraçar-te. Voo para longe de ti sempre na esperança de que me impeças ou voes comigo…
Preciso de me acalmar, preciso de acreditar no amanhã mas é difícil guardar-te sem que a ferida renasça da cicatriz ainda por sarar…



Contentores
A carga pronta metida nos contentores
Adeus aos meus amores que me vou
P'ra outro mundo
É uma escolha que se faz
O passado foi lá atrás
Num voo nocturno num cargueiro espacial
Não voa nada mal isto onde vou
P'lo espaço fundo
Mudaram todas as cores
Rugem baixinho os motores
E numa força invencível
Deixo a cidade natal
Não voa nada mal
Não voa nada mal
Pela certeza dum bocado de treva
De novo Adão e Eva a renascer
No outro mundo
Voltar a zero num planeta distante
Memória de elefante talvez
O outro mundo
É a escolha que se faz
O passado foi lá atrás
E nasce de novo o dia
Nesta nave de Noé
Um pouco de féletra
Xutos & Pontapés

Day Four


O cortejo


“A malta salta e é realista
Que a melhor malta é a finalista”.

Day three












Fomos de directa para a figueira
Não cabia mais vivalma naquele comboio
Foram pessoas em locais estranhos
Bagageira, no chão entre os bancos
2 doutores de engenharia animaram a viagem
Divertidos e fofos
Daqueles a quem se aperta a bochecha
Ainda com mais uns anitos pela frente
Que sortudos!

A Chegada…
Depois de uma infindável caminhada
Sem dormir uma única hora
Eis que vejo o deslumbre
Uma praia de areia branca
Invadida por centenas de capas negras
Foi uma visão mágica…
Que guardo comigo
Das mais bonitas e belas
Destes dias de festa

Enfim aterramos na areia
Depois de umas fotos
Não fosse eu a fotógrafa de serviço
As recordações vão comigo
Não me perdoaria, se assim não fosse.
A tua chamada ecoava dentro de mim
Incógnita e silenciosa.

Dormi duas horinhas
Naquele êxtase de estudante trajada
Numa praia embrulhada sobre a capa negra
Como uma verdadeira quintanista
Que vai à garraiada

Enfim o desfile na arena
Quintanistas orgulhosos
Foi lindo olhar para a bancada
Fitas laranja a acenar
Inesquecível e deslumbrante
Um sentimento de verdadeira estudante.


NIGHT TREE


E ENTÃO DORMI…………….depois de um dia lindooooooooooooooo!


Ps. Às quintanistas mais companheiras e amigas do coração (Mari, D e Guida)

Night TWO



A noite sobre a cidade
A tua chamada que ainda não percebi
E que não explicaste
O que entristece
Rui Veloso na madrugada
Mais uma vez …e um ano depois:


”Ai o que eu passei, só por te amar.
A saliva que eu gastei, para te mudar.
Mas esse teu mundo era mais forte do que eu.
E nem com a força da música ele se moveu.
(…)
E era só a ti, quem eu mais queria,
Ao meu lado no concerto nesse dia."

Não há palavras…

NIGHT ONE, FRIDAY


Coimbra alucinada, Coimbra dos doutores. A noite cai sobre a cidade. Desço as ruas até encontrar as minhas estrelas-amigas. A festa é inebriante, a alegria contagia. A música eleva-me. É curioso como oitenta por cento das músicas falam de amor. De histórias vividas… E é incrível como a multidão as canta a plenos pulmões. A multidão só quer ser amada, a multidão quer muitos mimos como tu. Busquei cafeína porque o dia foi de trabalho. E após a busca demorada da cafeína mais uma vez o meu olhar encontra o teu. Porque será que o teu demora tanto a encontrar o meu…Quando fui notificada pelas amigas da tua presença, tardiamente porque o meu olhar já te virá muito antes. Derramaram me o café no casaco. Ainda pensei dar o teu nome à nódoa em homenagem. Mas não pude porque as nódoas se eliminam. E tu continuas sempre comigo! Perdoa-me foram momentos alucinados. Após a bebida orgásmica de eleição! Não percebo porque sentia tanto frio. Muito frio mesmo. Perco me com a paisagem e fecho os olhos para nunca mais a esquecer. A vista para a cabra levo-a na algibeira, porque a ti levo-te no coração.
E quando mais tarde cruzas o caminho e me perguntas se está tudo bem…Impulsivamente Apetece-me responder: Não amor, quando não estás não estou bem! Sem tigo…Mas hei-de ficar um dia…
Que a vida não pode ser tão madrasta. Sete da matina, os meus lençóis esperam-me… E tu não!

Serenata da despedida

Amigas reunidas
Fitas laranja para acenar
Porque a partida começa a ameaçar
Horas a fio de espera


O fado começou …

E o coraçãozito disparou

A declaração de amor que interrompeu

A sirene do inem que não se esqueceu

E mais uma vez no meio da multidão

Na ruela da direita lá estavas tu

Porque será que para além de estares sempre comigo

A vida faz questão de conduzir sempre o meu olhar até ti.

O fado começou a soluçar…

As lágrimas a dançar entrelaçadas com a face da vida

O momento da mensagem, dou por mim

Estás ao pé de um sinal de trânsito proibido

Será que alguém cruel me estaria a querer dizer algo…

Que metáfora desconcertante…

Enfim perdi-te na multidão..

Mais uma vez…

O Grito dos estudantes ecoou

As fitas escrevinhadas que a tua mão não abençoaram

As fotos para recordação…

E zás a vida prega-me outra partida

O viajante fotógrafo outrora amante

Encontrou me de semblante

Eis que surge a ironia

Dois anos depois o mais louco de todos

Vem ter comigo abraça-me estranhamente

E pergunta como vai a vida!

A vida vai, eu é que vou ficando…



p.s. aos amores que não esquecerei e que ficam comigo…

segunda-feira, maio 01, 2006

capa negra de saudade


Sentes que um tempo acabou
Primavera de flores adormecida
Qualquer coisa que não volta que voou
Que foi um rio, um ar, na tua vida

E levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações do passado
O bater da velha Cabra

Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p’ra vida

Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p’ra vida

Sabes que o desenho do adeus
É fogo que nos queima devagar
No lento cerrar dos olhos teus
Fica a esperança de um dia aqui voltar

E levas em ti guardado
O choro de uma balada
Recordações do passado
O bater da velha cabra

Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p’ra vida

Capa negra de saudade
No momento da partida
Segredos desta cidade
Levo comigo p’ra vida

bye..;(
BALADA DE DESPEDIDA DO V ANO JURÍDICO 1989

domingo, abril 30, 2006

Benção

Why was I smiling...

Se a partida se anuncia...

Num piscar de olhos ...

A contagem decrescente começou...

Não me deixes partir!

O fado da despedida toca incessantemente!

As lágrimas ecoam dentro de mim...

Coimbra será sempre o amor dos amores,

Dos dias das mil e uma cores!

sábado, abril 22, 2006

Hoje, acredito!

Hoje ondulei pelo dia sem saber bem porque o sentia derradeiramente nostálgico, não mudou nada e ao mesmo tempo parece que mudou de forma avassaladora. Cada dia parece um mês sem te sentir por perto, seja de que modo for.
Hoje acordei sem forças, mas estranhamente conformada. Acredito no amanhã, acredito no poder da força que hoje não sinto mas que amanhã me fará suportar mais um dia-mês.
Acredito que quando passar um mês-ano, sentirei um vazio incontrolável. Mas também acredito que esse vazio é meu-teu e nao será nunca preenchido por mais ninguém.
As pessoas que cruzam o mesmo caminho que nós e que nos marcam, ficam cá dentro não desaparecem e ainda bem que assim é. Hoje deambulei pela casa, num estado de ausência e de distracção. O trabalho é mais que muito, e nem sempre sinto forças para me dedidar a cem por cento mas a vontade de trabalhar hoje dominou-me e já adiantei algo. Amanhã logo se vê. Anoiteceu e hoje apetece-me quente, apetece-me cobertores e um bom filme. Hoje apetece-me sonhar com um amanhã diferente. Hoje apetece-me relembrar-te esquecendo-te, esquecer-te relembrando-te.
Cores e sabores, uma amálgama de sentires, uma névoa inspiradora, uma brisa suave do perfume estrelar, a pele morena e os cabelos despenteados ;) ...
Hoje, só hoje! Acredito!

sexta-feira, abril 21, 2006

O SORRISO





Creio que foi o sorriso,
O sorriso foi quem abriu a porta.
Era um sorriso com muita luz lá dentro,
Apetecia entrar nele, tirar a roupa,
Ficar nu dentro daquele sorriso.
Correr, navegar, morrer naquele sorriso.
(...)

Eugénio de Andrade

quarta-feira, abril 19, 2006

Sísifo














Sísifo

Recomeça…
Se puderes,
Sem angústia
e sem pressa.
E os passos que deres,
Nesse caminho duro
Do futuro,
Dá-os em liberdade.
Enquanto não alcances
Não descanses.
De nenhum fruto queiras só metade.
E, nunca saciado,
Vai colhendo
Ilusões sucessivas no pomar.
Sempre a sonhar
E vendo,
Acordado,
O logro da aventura.
És homem, não te esqueças!
Só é tua a loucura
Onde, com lucidez, te reconheças.

Miguel Torga
Coimbra, 27 de Dezembro de 1977

domingo, abril 16, 2006

Serenata de amor


SERENATA


do It. serenata < sera, noite
s. f.,
concerto musical de noite, ao ar livre;
composição musical, graciosa, melodiosa e simples, mais ou menos análoga às trovas dos cantares antigos.
AMOR
do Lat. amore
s. m.,
viva afeição que nos impele para o objecto/a pessoa dos nossos desejos;
inclinação da alma e do coração;
objecto da nossa afeição;
paixão;
afecto;
Quando era pequena adorava estes bombons
Esta semana voltei a reencontrá-los depois de anos
Só agora percebo...
Só agora sei que desde pequena
Cresci na fantasia
Acreditei no amor
No romance
Na construção de afecto e ternura
AMOR E MÚSICA a combinação perfeita
Amar de facto é uma arte...
Cada um tem um estilo muito próprio...
Existem aqueles que pintam, pintam...
Com mil e uma cores
Até construir uma obra
Não uma obra perfeita mas uma obra
De amor
Eu sou assim pinto, moldo, crio, canto
Espontânea e desgovernada...
E existem aqueles que esperam
Pela inspiração
Que venha até eles
Com medo de não ser a obra perfeita
Com medo de não se dedicar o suficiente
Com medo de não sentir o suficiente
Como saberão se sentirão o suficiente
Se não se permitem sentir
Estes artistas admiro-os pela capacidade
De resistência, pelos dias de solidão
Pela fé em algo maior, mais profundo...
Devia ser obrigatório aprender a amar ...
Forrarmos o coração com papel estrelado
Para vivermos com alma os momentos azuis
E não os rejeitarmos...
Vivendo e não sofrendo por algo que virá..
Crescer e amadurecer é isso mesmo.

sábado, abril 15, 2006

Coração - Balão

Meu coração
Voou num balão
Que optaste por dessamarar
Da tua mão
Com a outra chamaste o vento
Empurraste-me com a razão,
Preocupação e então
Voei no desalento
Lutei contra a tempestade
Não queria perder a tua amizade
Foi mais forte que eu
Contive a respiração
Escondi-me numa nuvem
Mas as forças foram-se esgotando
E eu esvaziando
Fui esvaziando
Pouco a pouco
Lentamente
A dor é assim lentifica
Os momentos
Em tempos fui um coração-balão
Mas tu libertaste-me
Todos a quem amamos
Devemos deixar livres
O que aconteceu?
O amor que tinha no coração
Espalhou-se no céu
E choveu, choveu...
Seriam gotas de amor ???
Amor ...
De cada gota a cada rio,
De cada rio a cada mar,
O amor balão...
Explodiu
E o meu coração?
Que é feito dele?

quarta-feira, abril 12, 2006

Onda

Hoje acordei de bem com a vida. Apesar de não seres meu... estás comigo, caminhas a meu lado porque te envolvo sempre nos pensamentos e porque adoçicas os meus dias de azul.
Talvez ande iludida como dizes... talvez! Mas também sou teimosa, talvez por isso sofra tanto... mas a parte positiva é que também talvez por isso ame tanto, te ame tanto. E hoje acordei com vontade de te amar ainda mais, porque me orgulho do modo como te amo. Não devia eu sei, ou talvez deva. É complexo ... doce e amargo. Intenso e ténue. (Im) possível!
Quanto mais penso sobre o passado e o futuro mais tenho certezas de que és o meu presente em todos os sentidos da palavra.
És de todos o mais próximo do que sempre quis para mim, é claro que ainda tenho muito por descobrir... e nem sei algum dia o farei por pouco que seja ou se me presentearás...
Hoje apetece-me chocolates, apetece-me algo adocicado, crocante, sensual, sabores distintos, apetece-me saborear-te, percorrer-te devagarinho... palmilhar cada quadradinho, trincar-te levemente... até te desfazeres em pedaços e ouvir-te estalar de prazer... Apetece-me sonhar... apetece-me ter fé...
Amanhã não sei como será... Porque o amanhã é incerto e nem sempre possuo forças que me alimentam este sentimento que insiste em manter acesa uma chama que acendeste mesmo que insconcientemente... Como eu queria ter o poder de te incendiar... mas eu sou insana!
Se pudesse raptava-te neste exacto momento e levava-te até à praia, mostrava-te o mar, a areia, como se nunca os tivesses visto, como se nunca lhes tivesses tocado, como se nunca tivesses sentido o perfume da brisa do mar, mostrava-te o som das ondas que são as minhas heroínas, apesar de continuamente se quebrarem nos rochedos ganham sempre forças para recomeçarem e voltarem a ser uma onda perfeita, umas conseguem outras não... mas não desistem...
Juro-te que te mostrava tudo pela primeira vez ... seria um momento louco só nosso e sabes porquê?
Porque nunca viste o mar comigo, nem eu contigo... e seria a primeira vez!


domingo, abril 09, 2006

sábado, abril 08, 2006

Viver
















"À espera de esperar viver nunca se vive"

André-Comte Sponville

Fragmentos
















Mal saíste por aquela maldita porta
Fiquei inundada por um vazio incontrolável
Uma dor forte, uma dor agonizante
Voltaste várias vezes atrás
E eu apenas desejei naquele momento
Que me abraçasses e não partisses
Como num filme com um final feliz
Mas não! Não foi isso…

A porta ficou aberta quando te perdi de vista
Senti um impulso de sair e ver-te partir
Mas proibi-me de nos massacrar
Finquei os pés no chão e
Num gesto irritado empurrei a porta
Que com o vento imediatamente se fechou
E caí, caí sem forças… sem ti!

Vieste insano e partiste
Desta vez não na madrugada
Mas no final da tarde madrasta
O teu olhar atraía-me
Mas também tu tiveste necessidade
De te afastar, de te acautelar
Não fossemos nós dois insólitos
No espaço e no tempo
A olhar um para o outro
Sem soluções apenas sonhos

Os meus carinhos mais uma vez
Não foram retribuídos
Mantiveste-te imóvel e estático
Movimentando as mãos e o olhar
Um olhar desapontado comigo
Um olhar surpreso por
Algumas coisas que te dizia

Jamais tive intenção
De te dissuadir dos teus sonhos
Dos teus ideais, dos teus verdadeiros
Sentimentos escondidos nesse teu mundo
Que ninguém desperta
Que te aprisionam
E te afastam de mim
Como eu queria que te libertasses
Ter o poder de libertar-te desse teu mundo
Com uns pós mágicos
E conceder-te esse desejo profundo e tão bonito
Que tanto idolatras
Como eu desejava…

O sonho, as expectativas
São tão sadias mas tão malvadas
Utopia do que um dia podíamos ter sido
Massacre do que nunca chegamos a ser

Aqui estou sem ti

Em fragmentos azuis
Fragmentos de momentos
Estilhaçados pela vida
Mas contigo
Sempre …







sexta-feira, março 31, 2006

Deixa-te estar...


"Na verdade, o mundo interior não divide as pessoas entre as estranhas e as de família. Mas entre os viajantes e os aventureiros, os arquitectos do nosso coração e os alquimistas. Os viajantes e os aventureiros são pessoas que nos surpreendem, de passagem. Os arquitectos do nosso coração rasgam avenidas ou desvendam planaltos. Os alquimistas transformam-nos sempre que nos dizem:
"Chega-te a mim… e deixa-te estar."
Foi o mestre que disse ... E o mestre sabe...
Queres ser arquitecto ou alquimista?

Desta vez ... posso verdadeiramente entrar???

Foste entrando na minha vida sorrateiramente ainda com cicatrizes em ferida de uma história passada que ainda assombrava o teu presente. Mesmo assim e correndo riscos...Abri uma porta, dei-te o benefício da dúvida!!! Acreditei em ti! O tempo passou e tu também foste abrindo portas. A diferença entre nós é que nunca o fizeste verdadeiramente. Abrias uma porta sorrateiramente e simultâneamente fechavas outras duas. Muralhas e nuvens que me infligiram um sofrimento que se de ínicio incomodava, neste momento assume proporções incontroláveis...
Eu sei que não sentes paixão mas também não posso acreditar que o que nos une. É apenas desejo..........
Porquê depois de tanta distância? Porque voltamos a cair nos braços um do outro, com a certeza de que é ali que ambos queremos estar e não noutro local com outro alguêm??
Porquê? Porquê? Porquê? Porquê?
Depois de um ano e alguns meses de partilha finalmente quando a partida derradeira se adivinhava dada a falta de paixão dizes tu, dada a falta de partilha e entrega digo eu ...
Prestes a fechar a maioria das portas do ser que foste conhecendo ao longo do tempo.
Quando finalmente começo a estabelecer as minhas muralhas e as minhas nuvens...
De repente ... no auge do tudo e do nada. No auge de um desfecho daqueles em que duas pessoas seguem caminhos separados em sentidos inversos, nesse instante espacial...
Presenteias-me alías como sempre...com uma sinceridade doce e amarga. Terrivelmente antagónica e agonizante. Daquela que nos faz tremer gelados, daquele tipo de discurso em que só escolhemos ouvir a parte boa. A parte boa é que não queres partir... A parte má são os motivos que levam a querer ficar! Valerá a pena voltar a apostar em ti? Dar-te o benefício da dúvida? E tu a mim? Somos ambos loucamente saudáveis quando nos esquecemos do resto do mundo e vivemos aqueles instantes só nossos tão mágicos e tão nossos. E se num ano os vivemos... Será que...
Será que desta vez ... posso verdadeiramente entrar???
Abres-me a(s) porta(s)?
(não consigo ouvir a resposta???
diz lá outra vez
mas desta vez o silêncio
não é uma opção válida ok?)

domingo, março 26, 2006

Secret

E sabes que mais ?
Mais tarde ou mais cedo
Se não são partilhados ...
Os segredos perdem a piada.

sexta-feira, março 24, 2006

Because of you

(DALÍ)

Because Of You
(Written by Kelly Clarkson/David Hodges/Ben Moody)

I will not make
The same mistakes that you did
I will not let myself
Cause my heart so much misery
I will not break
The way you did, you fell so hard
I’ve learned the hard way
To never let it get that far
Because of you
I never stray too far from the sidewalk
Because of you
I learned to play on the safe side so
I don’t get hurt
Because of you
I find it hard to trust not only me, but everyone around me
Because of you I am afraid
I lose my way
And it’s not too long before you point it out
I cannot cry
Because
I know that’s weakness in your eyes
I’m forced to fake
A smile, a laugh, every day of my life
My heart can’t possibly break
When it wasn’t even whole to start with
I watched you die
I heard you cry every night in your sleep
I was so young
You should have known better than to lean on me
You never thought of anyone else
You just saw your pain
And now
I cry in the middle of the night
For the same damn thing
Because of you
Because of you
Because of you
I am afraid
Because of you
I never stray too far from the sidewalk
Because of you
I learned to play on the safe side so
I don’t get hurt
Because of you
I try my hardest just to forget everything
Because of you
I don’t know how to let anyone else in
Because of you
I’m ashamed of my life because it’s empty
Because of you
I am afraid
Because of you

Babe...

TO YOU...

domingo, março 19, 2006

The one

You really have been the one for me ...

sexta-feira, março 17, 2006

(In)Dependência

Da (in)dependência à libertação

"Olhos vazios à espera de algo
Que ninguém vê
Braços estendidos na ânsia de um gesto
Que ninguém descobre.
Água adormecida no fundo do peito
Que ninguém enxuga.

Sabores proibidos
Alimentados de instantes
Eclodindo na fragilidade dos dias.
Ânsias que dilaceram os sentidos
Abandonados a um turbilhão de desejos
Por cumprir
Relâmpagos de prazer nutridos de dor
A cada momento revivida e amaldiçoada
Gosto amargo
Tempo de indiferença
Mergulhado em raízes de solidão.

Busca a rocha o cais
A mão
Que lhe há-de restituir os sonhos
Para os ancorar no real
De uma vida partilhada.
Já não colhe no ar
Os calafrios do medo
Quebrado por lampejos fugazes.
Faz da insegurança a sua força
Alojada no oiro da fala
E tecida com os fios da mudança
Para novos mundos recriar.

Acenderam-lhe o sol
Onde nasce todos os dias
Como uma flor de trigo
Prestes a amadurecer
Com a amizade
A persistência e a vontade
Abrem-se-lhe as planícies e mares
Na certeza de que a terra e o céu
Sem o seu respirar não existiriam.

Na alma cresceu-lhe uma pérola
No rosto
Trás um nome esculpido

ESPERANÇA"


A., M. I. (1994).

sábado, março 11, 2006

La lágrima

La lágrima - Claudia Perenzalez
Encontrou uma lágrima
Uma simples lágrima
Que deu origem a muitas mais
Será que se reproduzem?
Ou apenas são solidárias ...
Não sei como tem forças para a ironia
Se se desmancha em agonia
Sabendo a priori
Que o desalento assumiu proporções
Desmesuradas
Deixou de acreditar em ti
É o fim da era príncipesca
Da era dos caracóis
As estrelas apagam-se aos poucos
Azul... não! Dissipou-se
Aumentou o nevoeiro
Ela adormeceu
Tal foi o frio no mês de Fevereiro
Março ai março...
Que trazes na algibeira
Mais uma dose de chuva
Mais uma choradeira?
Tempestades levai todos os males
Para longe, longe da alma...
Vinde amores, vinde primavera
Vinde! Vinde alimentar o vazio!
E então contaram lhe um segredo
Ela fugiu tal era o desassossego
A lágrima voltou...
Porque será que ela mais uma vez chorou?

Coração de ninguém

Susana Bonet - La partida

Sonho. Não sei quem sou neste momento.
Durmo sentindo-me. Na hora calma
Meu pensamento esquece o pensamento,
Minha alma não tem alma.
Se existo é um erro eu o saber. Se acordoParece que erro.
Sinto que não sei.Nada quero nem tenho nem recordo.
Não tenho ser nem lei.
Lapso da consciência entre ilusões,
Fantasmas me limitam e me contêm.
Dorme insciente de alheios corações,
Coração de ninguém.

Fernando Pessoa, 6-1-1923


O que me dói não é
O que há no coração
Mas essas coisas lindas
Que nunca existirão...

São as formas sem forma
Que passam sem que a dor
As possa conhecer
Ou as sonhar o amor.

São como se a tristeza
Fosse árvore e, uma a uma,
Caíssem suas folhas
Entre o vestígio e a bruma.

Fernando Pessoa, 5-9-1933
E dói...

domingo, março 05, 2006

Há palavras que nos beijam


Há palavras que nos beijam
Como se tivessem boca.
Palavras de amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança,
De imenso amor, de esperança louca.

Palavras que mais beijas
Quando a noite perde o rosto;
Palavras que se recusam
Aos muros do teu desgosto.

De repente coloridas
Entre palavras sem cor,
Esperadas inesperadas
Como a poesia ou o amor.

(O nome de quem se ama
Letra a letra revelado
No mármore distraído
No papel abandonado)

Palavras que nos transportam
Aonde a noite é mais forte,
Ao silêncio dos amantes
Abraçados contra a "sorte."

Alexandre O'Neill
Poesias Completas
(1951-1983)

Porque será que continuo à procura das palavras?
Porque será tão importante...
Porque será que nunca encontras a poesia
Porque será que as palavras
Não nos pertencem ...
Sim eu sei os olhares às vezes dizem mais,
Os abraços muito mais...
Os sorrisos são deliciosos!
Mas eu continuo na esperança
De que as palavras por poucas que sejam
Se apoderem de ti e consigam fugir às muralhas
E cheguem até mim... um dia!
Seriam o culminar de toda a dedicação...



domingo, fevereiro 26, 2006

Livro-me!

Livro-me para esquecer o vazio...
Livro-me para sonhar com o azul...
Livro-me para que o tempo passe mais rápido enquanto demoras...
Livro-me porque o pôr do sol hoje me iluminou...
Livro-me porque amo as palavras, as frases bem feitas...
Livro-me porque me inspira...
Livro-me porque me faz acreditar num dia melhor...
Livro-me porque me faz sentir viva...
Livro-me porque me emociona...
Livro-me porque me cultivo...
Livro-me porque existe tanto por descobrir...
Livro-me porque quero mais, sempre mais ...
Livro-me enquanto não me folheias...

sábado, fevereiro 25, 2006

16 Dezembro


As árvores despidas de folhas. E ao fundo os carros frenéticos como balas de fogo em todas as direcções, cada uma têm um nó, que conduz ao restante braço que se eleva ao céu. Todas as árvores parecem estar de braços erguidos à espera de uma bênção que virá de algures acima. Algo que paira no ar, uma magia sublime que as proteja do frio do Inverno que aí vem e as seca, retirando-lhes a vida a cada rajada de vento e de frio cortante.
E aqui estou eu não de braços erguidos, mas igualmente despida de folhas, de vida, de pétalas perfumadas. Olho o maldito telemóvel a cada minuto que passa e entre cada minuto parece que passam horas tremendamente vazias.
Ontem não foi surreal, existiu. E eu absorvi-te em cada gesto. E o meu silêncio falou por mim. A dúvida, a confusão, o mistério que escondias transbordava pelos teus olhos, pelos teus lábios, pelo teu corpo… outrora de outra e não…nunca meu.
Certo tipo de dor é inevitável quando se vive um grande amor e nunca se entende muito bem essa perda. É como se levassem um pouco de nós, um pouco não, muito de nós e ficasse muito deles. Eu sei, eu também tenho medo. E também não quero sofrer, mas a esperança e a expectativa de ser feliz, fez-me esquecer tudo e querer o céu em detrimento de uma só estrela. Será que me compreendes? Será que queres tanto como eu voltar a viver, acordar sabendo que eu existo para ti tal como tu existes para mim? Interrogações que espero solucionar. Procura-me e diz-me algo em breve. Este dia parece não acabar mais. A agonia, confusão estão a dar cabo de mim. A minha escolha parece arriscada e existem outros caminhos a percorrer, que talvez me esperem…
Por favor dá-me sinais! Valerá a pena continuar este caminho até ti? Que vou encontrar no percurso? Ou será melhor voltar atrás e percorrer um outro percurso, que me espera doce e sincero sem mágoa, sem cicatrizes do tempo e com amor para me dar, daquele tão belo e puro quanto anseio, necessito e preciso de respirar neste momento. Vem até mim, dá-me respostas e beija-me desta vez com a certeza de que queres ficar… ou ir de vez!
16 de Dezembro 2004

domingo, fevereiro 19, 2006

Hemorragia de sonhos


Dispo-me de intenções, numa hemorragia de sonhos que se escapam nas entrelinhas do desejo e da vontade de alcançar o azul. Uma misera gota que seja de azul seria benvinda, mais do que benvinda acho que seria merecida para preencher a lacuna que insiste em criar um fosso de vazio entre mim e o mundinho que me rodeia e agride abruptamente numa intensidade gradual e crescente.
Apetece-me hibernar... adormecer para o mundo que não sentiria assim tanto a minha falta salvo raríssimas excepções.
Preciso de recuperar as forças, não aguento mais. Problemas atrás de problemas! Eu sossegada no meu canto tal qual um ìman que atrai o negativo. Com tanto trabalho a única coisa que me motiva e faz mover nos dias que correm. É gratificante interagir com jovens que precisam tanto que alguém lhes dedique um pouco de tempo para falarem sobre as suas dúvidas, os seus medos, os seus desejos e vontades. O que afinal eles precisam é de carinho, de um mimo, de um olhar atento, uma voz amiga, um abraço sentido! Às vezes os olhares, um simples olhar fazem-me reflectir tanto. Apetece-me correr em direcção àquele jovem e dizer-lhe conta comigo, eu estou aqui para ti. Apetece-me abraçá-lo e dizer que não está sozinho, que tudo se vai resolver. Mas fico ali parada... Sorrio e recebo por vezes o sorriso de volta. E o olhar já não é o mesmo é um olhar meigo e ternurento. Quando dou por mim... olho em volta e aquele olhar já não pertence a outrém ... sou eu ali absorta em pensamentos na esperança insana de que aquele sorriso tenha transmitido tudo o que não disse e queria ter dito.
Não sei como será o futuro só sei que me quero dedicar a tornar a vida dos outros melhor por pouco que seja e que esteja ao meu alcance. Não sei viver e agir de outra forma com todos aqueles que amo! E quero fazer o mesmo com os meus meninos...
Lamento amar-te sabendo que não me amas! Muitos chamam-me louca por insistir e acreditar na mudança. Acredito no poder das vivências, das lágrimas que não sentiste quando te tocava e me despedia aos poucos sempre com medo de te perder no instante seguinte. Mas não consigo não querer cuidar de ti, não querer mimar-te mesmo sabendo que poderás partir como tantas outras vezes mas a qualquer momento de vez. Mesmo quando não és metade do que poderias ser. Mesmo quando me fazes sofrer por não corresponderes minimamente às expectativas que crio de dia para dia.
Mesmo assim ...
AMO-TE
p.s. Haverá cura? Não quero saber.

sábado, fevereiro 18, 2006

Desilusão

Por todos os poros transbordo desilusão! Caminho sem rumo à procura de um único porto seguro, longe do emaranhado em que me envolveram, longe de todos os que não acreditam em mim ou nas minhas intenções. Depois de uma semana caótica constituida por momentos de puro atentado à sanidade mental de qualquer ser. Nem de propósito, semana do dia dos namorados, semana de aniversário, afecto precisa-se! E o príncipe voa para longe ... para perto do príncipe amigo. A luz está apagada, o corpo inerte, a alma desolada!
Recordo-me da música...
Momentum
"Oh, for the sake of momentum
I've allowed my fears to get larger than life
And it's brought me to my current agendum
Where upon I deny fulfillment has yet to arrive
And I know life is getting shorter
I can't bring myself to set the scene
Even when it's approaching torture
I've got my routine
Oh, for the sake of momentum
Even though I agree with that stuff about seizing the day
But I hate to think of effort expended
All those minutes and days and hours
I have frittered away."
Aimee Mann
Odeio com todas as forças que não me dês o beneficio da dúvida!!!
E por isso continuo a caminhada à beira-mar.
O mar inspira-me, acalma-me!
Que saudades do que erámos amiga lua!!!
Que saudades do que podíamos ter sido príncipe desnaturado!!!
Que desilusão!

sábado, fevereiro 11, 2006

O poema


Sonhei que algures existia um poema! Um poema só nosso. Mas esta noite tive um pesadelo: O poema não existia! Eram só brumas e um mar de pensamentos. Via-te ao longe mas não te alcançava apesar de todos os esforços. Ergui-me, vesti-me de branco e naufraguei. Mergulhei nas profundezas do meu ser. Sei que estiveste lá o tempo todo porque as estrelas do mar são amigas sinceras, cheias de esperança e me segredaram que precisavas de mim. Disseram-me que a tempestade devastava o teu céu estrelado. Tentei não sofrer por antecipação, não sofrer por ti e contigo, mas foi tarde demais. O eco surdo vindo do teu planeta acordou-me e não me deixou sossegar. Insónia, atrás de insónia! O silêncio mata-me! As amigas estão mais longe do que nunca. Sinto que o meu naufrágio se torna cada vez mais avassalador. E de repente dou por mim a reagir... o corpo continua cansado, as olheiras fazem parte do dia-a-dia, não sei onde fui buscar forças... volto à superficie. Olho em volta e nado até terra. De vestes brancas envio-te um pouco da minha força e espero afincadamente que a absorvas. Tenho de dormir, tenho de descansar senão desfaleço e não terei forças para mais uma semana. Parece que o poema existe só que está escrito nas entrelinhas do nosso sentir, da nossa cumplicidade, do nosso abraço.

sábado, fevereiro 04, 2006

Órbita da alma


"As pessoas cujo desejo é unicamente a auto-realização, nunca sabem para onde se dirigem. Não podem saber. Numa das acepções da palavra, é obviamente necessário, como o oráculo grego afirmava, conhecermo-nos a nós próprios. É a primeira realização do conhecimento. Mas reconhecer que a alma de um homem é incognoscível é a maior proeza da sabedoria. O derradeiro mistério somos nós próprios. Depois de termos pesado o Sol e medido os passos da Lua e delineado minuciosamente os sete céus, estrela a estrela, restamos ainda nós próprios.
Quem poderá calcular a órbita da sua própria alma?"
Oscar Wilde, in De Profundis

quarta-feira, fevereiro 01, 2006

Sombra do Tempo

Pressinto que nuvens e trovoadas se aproximam
Será que serão azuis ou cinzentas?
A neve não chega cá que eu sei
A última vez que nevou em Coimbra
Foi na semana em que nasci!
O vento ainda não me levou para voar
Anda frenético de um lado para o outro.
Haja coragem e alento
E esperança de que não se revele um céu cinzento
O tempo anda variado
E esgota-se em si mesmo e em mim
Contagem decrescente,
Corre, vive, absorve
Cada pedacinho de azul.
Sim, vem aí...
É a sombra do tempo!
E hoje apetece-me vento,
Apetece-me que chova em mim,
Apetece-me uma tempestade,
Apetece-me renascer de novo.
Recomeçar!
Amanhã quero azul!
Mesmo que seja a sua sombra!