domingo, novembro 06, 2011

Às vezes




É assustador como tudo pode dar errado tão rápido.

Às vezes, precisamos de uma grande perda, para nos lembrarmos do que realmente importa.

Às vezes,ficamos mais fortes como resultado disso.
 
Mais sábios, e melhor equipados para o próximo desastre que virá. 

Às vezes. Mas nem sempre. 


Anatomia de Grey, 8 temporada, 8 episódio

sábado, novembro 05, 2011

Não invoques o amor em vão ...



“Quanto mais longe, mais perto me sinto de ti, como se os teus passos estivessem aqui ao pé de mim e eu pudesse seguir-te e falar-te e dizer-te quanto te amo e como te procuro, no meio de uma destas ruas em que te vejo, zangado de saudade, no céu claro, no dia frio. Devolve-me a minha vida e o meu tempo. Diz qualquer coisa a este coração palerma que não sabe nada de nada, que julga que andas aqui perto e chama sem parar por ti.”

O amor é fodido, Miguel Esteves Cardoso

segunda-feira, outubro 24, 2011

As coisas que não te disse...


Nunca te disse o quanto adorava o timbre da tua voz, ao telefone era algo que me aquecia o coração. Presencialmente, havia vezes em que simplesmente olhava para ti, sorria inebriada com um timbre que me cativava tanto. Não tenho grandes explicações para este facto, apenas sei que o sentia porque os meus sentidos ficavam de alerta a ouvir-te. Era uma resposta involuntária e bem podias falar porque por vezes eu estava naquela dimensão em que a melodia por muitas palavras que existissem se sobrepunha majestosamente. Nunca te disse o quanto gostava da tua barba por fazer, mesmo que ela me deixasse a cara numa lástima, tocar no teu rosto era um dos gestos que mais feliz me fazia, era um gesto de ternura mas era como se a minha mão pertencesse ali no teu rosto macio a mimar-te. Nunca te expliquei o quanto as tuas mãos eram fonte de bem-estar, os teus dedos compridos e grandes, a textura das tuas mãos é como se ainda hoje as sentisse a abraçar-me, a transmitirem-me vida. Existem tantas mas tantas coisas que ficaram por dizer, que ficaram por viver...

domingo, outubro 23, 2011

Tem que haver mais...

Não consigo aceitar que a vida seja só isto. Não consigo aceitar que não possas ser completo, perseguir os teus sonhos e objectivos e estares feliz com a tua vida mesmo que nela falte o que mais lhe dá vida e cor. Não consigo aceitar. Não consigo ver a aprendizagem, não consigo subir esse degrau, recuso-me. O equilíbrio não é o isolamento. Happiness is only real when shared. E por muitas vezes que digas que o problema não sou eu... eu não consigo acreditar. Eu não consigo alcançar como se abdica de ser feliz assim. Estou presa neste corredor da vida enquanto não conseguir perceber, enquanto este conflito me corrói todas as forças. E o pensamento que me absorve vezes demais é saber quando parar, mata-me aos poucos este sentimento de ver partir a pessoa que mais me fez feliz nesta vida e não dar luta. Devora-me as entranhas, persegue-me cada bocadinho de sanidade mental, esgota todas as forças e luz que possa vislumbrar. O que devo fazer respeitar-te e afastar-me ou lutar ao ponto de me odiares por isso. Aqui estou neste impasse.

NADA DE MAU SE PODERÁ ESQUECER
NADA DE BOM FOI EM VÃO
UMA LUZ MAIS TARDE OU MAIS CEDO ILUMINA TUDO
MAS TEM QUE HAVER MAIS



Trying to find...




Don't mind me, just let me be
My eyes so far away
I don't need no sympathy
The word seems overplayed
I'm alright, it's just tonight
I can't play the part
I'm alright, it's alright
It's just a broken heart
Don't have eyes for the world outside
They're closed and turned within
Trying to find the light inside

It's lit, but growing dim
I'm alright, it's just tonight
I can't play the part
I'm alright, it's alright
It's just a broken heart

terça-feira, outubro 18, 2011

Coping II

Dizem que quando se fecha uma porta se abre uma janela. Eu experienciei isso de uma forma tão abrupta que esta janela já se fechou também. Passaram 6 meses. 6 preciosos meses desta minha vida que cada vez mais menos sentido faz. Hoje é um mau dia, hoje é o dia em que eu tenho que estar aqui com um sentimento tão excruciante, tão dilacerador que efectivamente me dói o peito, efectivamente dói-me o corpo porque estou a lutar com todas as forças que tenho e não tenho para não sair daqui disparada e ir.  Fazer o quê, não sei. Precisava de ir, andar, correr e chorar até que não houvessem mais lágrimas. Mas nem isso me faria sentir melhor. Hoje precisava do teu abraço, de te sentir por perto. De não me sentir sozinha, de continuar a conversar contigo como só tu sabes ouvir-me, responder às minhas eternas perguntas existenciais, de ouvir a tua voz e voltar a sentir a paz que o teu colo sempre me proporcionou. Não sei como consegues ser tão forte... quero acreditar que também precisavas de colo até mais do que eu. Mas os anos fizeram-me mais resistente a estes acontecimentos. Naquele dia quis chorar contigo, abraçar-te mas estava tão magoada ainda não tinha percebido nada. Estava tão atordoada que não conseguia, pensar, sentir e ainda assim foi uma conversa de que me orgulho tanto. Orgulho-me tanto de ti, do que construímos. Do quanto fomos felizes juntos. Quero aceitar e respeitar mas não consigo ser tão madura quanto consegues. Tortura-me a ideia do que poderia ter sido e não foi por impedimento de nem sequer tentar. Tortura-me tanto. E, ainda assim a vida volta a fazer-me passar por isto.
Como é possível não poder controlar esta dor e como não é possível partilhá-la, nem amenizá-la, parece um filme de terror que não acaba, o que poderá acontecer de mais avassalador? Uma frase sábia diz que passamos tanto tempo a olhar para a porta que se fechou que não temos a capacidade imediata de ver a janela que se abriu? Eu continuo a não vislumbrar o problema mas consigo aos poucos aceitar que fizeste uma escolha e que prescindiste do que mais recente havia na tua vida em detrimento de outras realidades. Mas... hoje precisava de ti, da tua força, da tua determinação. Porque hoje invulgarmente dói para além do que posso suportar sozinha.

domingo, outubro 16, 2011

Coping...

Nada do que alguém possa dizer conseguirá fazer diminuir a dor que trago comigo. Nada! Os típicos discursos vais ver vai passar... vais encontrar alguém melhor...não te merecia... por melhor intencionados que sejam, ao contrário do que as pessoas possam pensar não amenizam a dor, apenas intensificam a certeza de que a ausência vai perdurar, de que acabou algo a que atribuíamos grande importância, algo que nos era essencial. A dor..  trago-a nas mãos, dou-lhe colo, enquanto lido com ela. Não sou, nunca fui de fugir aos momentos de sofrimento. Não vale a pena, não sou assim. Pode demorar anos, meses, semanas... cada um tem a sua forma de lidar com isso. As pessoas precisam de entender isso e respeitar. Preciso de entender as suas causas, preciso de interagir com as personagens protagonistas e responsáveis por essa dor. Preciso de entender. Não, não é falta de maturidade, não é querer ficar agarrada às boas memórias ou será excelentes? Não, é que desta vez, são mais do que maravilhosas, sorri tanto, vivi tanto que me dói ainda mais.  Preciso do tempo necessário para aceitar que mais uma vez a vida foi injusta. Tentar entender onde está o problema mesmo que te digam que o problema não és tu. Por mais que te digam isso vai sempre soar a conversa fiada e vais por em causa a pessoa que és mesmo sabendo o teu valor. Vais por em causa tudo, rever cada pormenor, cada vivência e continuar sem entender. E vais perguntar vezes sem conta qual o crime que cometeste? E, ironicamente, demorar este mundo e o outro a deixar de te sentir vitima. Não o queres ser, mas és. A atitude para lidar com isso tem que mudar, não podes aceitar, tens mais força do que pensas, és forte mas mais uma vez achas que não vais aguentar passar por tudo isto novamente. Tudo te diz tens que quebrar o ciclo, já chega. Mas a tua resiliência e luta interior faz resvalar toda a determinação. Porque a maior das verdades na tua vida que se repete vezes sem conta é inevitável, as pessoas a quem mais te dedicaste e que mais amaste irão abandonar-te. Esta é a verdade mais comprovada da tua vida.

sábado, outubro 08, 2011




Long Nights

Eddie Vedder


Have no fear
For when I'm alone
I'll be better off than I was before

I've got this light
I'll be around to grow
Who I was before
I cannot recall

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground
Ah...

I'll take this soul that's inside me now
Like a brand new friend
I'll forever know

I've got this light
And the will to show
I will always be better than before

Long nights allow me to feel...
I'm falling...I am falling
The lights go out
Let me feel
I'm falling
I am falling safely to the ground






P.S. WHY DOES SO MANY TIMES IN MY LIFE THIS LYRICS FIT TO THE MOMENT???



WTF?!

 
"We do not get unlimited chances to have things we want. Nothing is worst than miss an opportunity that could change your life." G. A. 
 
So Dear life you tell me how is gonna be this this? Cause I'm falling... I cannot hide so much misery, so much pain. More than that I cannot stand and look in front or behind. 

quarta-feira, outubro 05, 2011

Acordar, Viver


Como acordar sem sofrimento?
Recomeçar sem horror?
O sono transportou-me
àquele reino onde não existe vida
e eu quedo inerte sem paixão.

Como repetir, dia seguinte após dia seguinte,
a fábula inconclusa,
suportar a semelhança das coisas ásperas
de amanhã com as coisas ásperas de hoje?

Como proteger-me das feridas
que rasga em mim o acontecimento,
qualquer acontecimento
que lembra a Terra e sua púrpura
demente?
E mais aquela ferida que me inflijo
a cada hora, algoz
do inocente que não sou?

Ninguém responde, a vida é pétrea.

Carlos Drummond de Andrade

segunda-feira, setembro 19, 2011

Pesadelo

Ok, passaram 2 semanas... entrei num pesadelo.. só pode! Digam-me quando acordar, que foi uma coisa má que se atravessou no meu caminho mas que já foi embora.  
Era uma viagem com felicidade escrita no passaporte.... e foram tão felizes e intensas as primeiras paragens mas, alguém resolveu do nada dispensar a viagem assim quase no início. 
O medo de ser feliz é verdadeiramente fodido. É preciso tomates!
Reticências ... muitas... por agora. A seu tempo... ponto final. 

"Bad dreams, bad dreams go away... Good dreams, good dreams come to stay!"

domingo, agosto 28, 2011

Uma ponte ...


Existe uma ponte que temos que criar do nada entre nós. Já vai existindo, já se vai edificando... O rio da vida passa por nós. Existem adaptações a fazer, conhecimentos um sobre o outro ainda por desvendar e assimilar... a estrutura vai-se formando. Eu sei que penso demais, que te analiso demais. Talvez seja... "terror de te amar num sítio tão frágil como o mundo", ou então não... sou eu que sou frágil... sou eu que complico. Preciso de muitas injecções de luz, preciso de ver mais as coisas boas, com maior nitidez, de não subestimar a força que podemos alcançar. Preciso de não me deixar quebrar... de me sentir plena de emoções positivas e de não achar que existe um lado mais sombrio. Ou então, não, o lado sombrio existe quer queiramos ou não... preciso de saber que estás comigo nesses dias também... que saibas com o que podes contar e vice-versa. Gradualmente sem pressas, sem medos... aqui vamos nós... Mas por agora .. 

"Eu quero apenas amar-te lentamente
Como se todo o tempo fosse nosso
Como se todo o tempo fosse pouco
Como se nem sequer houvesse tempo."

Joaquim Pessoa

segunda-feira, agosto 22, 2011

Fourth Week


Chegaste com a chuva. Chegaste, eu sei... não estou aí para te receber. Para te abraçar, para te amar. O S. Pedro está a reclamar comigo, troveja tanto quanto sinto as batidas do meu coração a querer pegar no carro e ir para me perder em ti. Hoje não sei se vou dormir... apenas sei que amanhã és meu... tão meu. Promete? Não, não prometo. Amanhã, lá estarei nos teus braços, a mimar-te, a receber-te. Livra-te de te afastares assim de mim tão cedo... Eu não aguento... preciso de ti e da tua calma como do ar para respirar... preciso que me ames vezes sem conta. Preciso de me libertar dos meus fantasmas e demónios. Respirar nos teus braços, sorrir contigo, caminhar ao teu lado. Mas hoje quero que descanses... que durmas sobre o assunto... que me desejes aí tanto quanto eu... My precious...arrived and it's raining... So perfect! I'm only happy when it rains..... 

quinta-feira, agosto 18, 2011

Síndrome de Abandono

Hoje não me consegui conter... deixei que a tristeza viesse das profundezas com a intensidade que infelizmente tão bem conheço. Aquele peso na cabeça, aquele aperto, aquele sufoco... esta sim sou eu. Não sei ser feliz... não sei andar sozinha pelos caminhos da vida... faltas-me... e não entendo este novo pesar. Não entendo esta minha cabeça... é assustadora. E, ainda assim ... dizes que não estás assustado, pois eu estou em quantidade suficiente pelos dois. Não te aprendi tanto como gostaria, não sei interpretar sobretudo a tua calma, o teu silêncio... Sou um ser em constante e tremenda agitação... estou repleta de sombras e perguntas, sinto um medo terrível. Chego a pensar que só, não me martirizo tanto... chego a desejar no último nanosegundo da hora... a paz que a solidão já me trazia antes de entrares na minha vida. É tão desgastante ter-te e não te ter ao mesmo tempo. O peso que a espera tem causado, a insegurança, a tristeza, a solidão  .... tem sido demasiado duras. A culpa é sempre da intensidade com que nos partilhamos antes a tantos níveis, sempre ali a toda a hora... não existiu equilíbrio tanto que a balança pesou e doeu. Ainda dói...


"Eu sou um aeroporto. Chegadas e partidas são a única certeza na minha vida!" Lucas Silveira



quarta-feira, agosto 17, 2011

Amor Pacífico e Fecundo

 
Não quero amor
que não saiba dominar-se,
desse, como vinho espumante,
que parte o copo e se entorna,
perdido num instante.

Dá-me esse amor fresco e puro
como a tua chuva,
que abençoa a terra sequiosa,
e enche as talhas do lar.
Amor que penetre até ao centro da vida,
e dali se estenda como seiva invisível,
até aos ramos da árvore da existência,
e faça nascer
as flores e os frutos.
Dá-me esse amor
que conserva tranquilo o coração,
na plenitude da paz!

Rabindranath Tagore, in "O Coração da Primavera"

 

terça-feira, agosto 16, 2011

Third Week


É complicado... tão complicado...Já passaram 3 semanas, já só falta mais uma. Começo a entender que por vezes a complexidade, somos nós que a criamos, somos nós que formamos uma ideia, somos nós que criamos o enredo. Sou eu, que sou complicada. Tu dizes que ambos somos simples, que tu não és complexo e eu sou. Parece tese, antítese e síntese. Se antes não fui exigente o suficiente, agora parece que o quero ser à força. Não pode, não posso. Ouvi familiares meus a dizerem que sou demasiado exigente comigo mesma. Sou e não sou, tantas vezes o que queria ser. Sinto e vivo tantas vezes o que não queria. Tenho sido exigente... à minha maneira, não deixo nada por dizer... digo directamente o que sinto. Trago em mim um cansaço tremendo do oculto, vivi demasiado tempo numa incerteza, na tentativa de compreender tudo, de ser o mais compreensiva possível, a melhor pessoa possível e acabei por me destruir com tanto sofrimento e tristeza. Por ir ao contrário e percorrer caminhos que não queria por pura devoção. Querido se sou assim agora contigo, é porque quero que contigo seja diferente. Quero saber que desta vez, não sofri em silêncio, fui o mais genuína possível e quero sentir que me queres assim.. com reclamações, mau humor, dias cinzentos e todas as coisas boas. Estou a esforçar-me. Perdoa-me a complexidade... Eu sei... que não mereces os reparos. Tens estado mais presente todo este mês.. apesar de distante fisicamente que muitas pessoas que estiveram ao meu lado anos a fio. És-me fiel. Estás presente. Eu ainda não acredito. Também estou a fazer a aprendizagem... aprender a ser cuidada em vez de cuidar sempre eu... Como dirias... interessa-me o que está para vir... Segunda, Terça, Quarta, Quinta, Sexta, Sábado e Domingo da próxima semana.... vai ser a loucura! Can't wait!...

Hardest Thing in the world




"They make it look so easy... Connecting with another human being...
It's like no one told them that it's the hardest thing in the world." 

Dexter, Season 5, Episode 12



domingo, agosto 07, 2011

Second week...

Depois do mau tempo... da insegurança, da melancolia. Finalmente os primeiros mergulhos do ano. Tão bom. Tão simples. Tão pouco. Mas já deu para me sentir viva, respirar fundo libertar-me de tantos pensamentos negativos e sem fundamento. Sou um ser de rotinas, sou um ser que gosta da estabilidade que as rotinas garantem. Mas também sou rebelde e livre e se hoje me apetece evadir, fazer loucuras, horas a fio, fechar-me no meu casulo, pegar no carro, passear, não importa o quê... é porque preciso disso. Odeio tudo o que me impede de ser e sentir o que sou. Tudo o que me prende os movimentos. Odeio ter a capacidade de sofrer sozinha e em silêncio tempo imenso. Odeio esta vertente negativista que pesa sempre mais... habituei-me demasiado a ela. Espero sempre o pior, faço birra comigo mesma, dou cabo de mim com a complexidade insustentável que as minhas nuvens conseguem alcançar. Somatizo, passo mal, não durmo, sinto um aperto no peito.. e depois só muito depois.. acalmo... O inferno sou eu... e as minhas inseguranças perante o desconhecido.

"São mil e umas
as noites em que não bato à tua porta
e vens abrir-me..."
Ana Hatherly

sábado, agosto 06, 2011

Most ardly kiss

Existem momentos que não esquecemos. Formas de estar, viver e sentir. Não me lembro com a precisão como consigo reavivar neste preciso momento a intensidade de um beijo... não de vários. Um beijo intenso...com vida, o culminar da intensidade e vivência. A delicadeza e a tentativa de sugar tudo dos momentos delicodoces, de absorver vida. Os nossos lábios foram o expoente máximo de uma intensidade que trago gravada, despertando vezes sem conta o desejo ardente de o reviver. Pergunto-me porque nunca me beijaram assim, como nunca senti esta intensidade e uma vontade incontrolável de estar à altura das sensações e emoções, de dar e receber pelo puro gozo de elevar a fasquia de alcançar o nível máximo de adrenalina.



Ainda palpitante voa um beijo.

Donde teria vindo! (Não é meu...)
De algum quarto perdido no desejo?
De algum jovem amor que recebeu
Mandado de captura ou de despejo?

É uma ave estranha: colorida,
Vai batendo como a própria vida,
Um coração vermelho pelo ar.

E é a força sem fim de duas bocas,
De duas bocas que se juntam, loucas!
De inveja as gaivotas a gritar...

Alexandre O'Neill, O beijo in 'No Reino da Dinamarca'




terça-feira, agosto 02, 2011

One week ...

A vida dá muitas voltas, faz-nos pensar e repensar o modo como agimos, porque agimos ou porque não o fazemos. Quando deixamos de viver espontaneamente e demasiados pensamentos nos ocupam a mente, toldam a forma como agimos, como vivemos. Pensei demais, pensámos demais e o preço foi pagarmos por não vivermos juntos logo agora... Visto de fora parece tolice. Visto de dentro ... não era preciso já um teste destas dimensões, não era preciso... Não somos tão fortes quanto já queríamos ser. Eu não sou, nem pretendo. Eu a esta altura do campeonato não tenho estrutura para aguentar dias cheios de cor... tão preciosos para depois ser novamente privada por tempo indeterminado... Estou... sou frágil e instável como o tempo, preciso de segurança, não quero mais incertezas e não vida. Ao olhar-me sei que já não sou a pessoa saudável que um dia fui. Sou apenas eu com as minhas sombras e nuvens e tornei-me numa pessoa que precisa de saber e sentir... Existem estudos que comprovam que não aguentamos fisicamente o estado de paixão pois é demasiado esgotante emocional e fisicamente... e por isso os sentimentos vão mudando, as relações vão sofrendo alterações e vão crescendo ou não. Quero dizer que sinto paixão... mas já nem sei os seus sintomas... se são inquietação, insónias, um aperto bem forte quase falta de ar... uma esperança absurda de que as próximas semanas deixem de existir... então é isso.


quinta-feira, julho 28, 2011

Ordinary Days

Life goes on... so slowly without you. Ok, é tempo de férias. Desafio aceite, um mês inteirinho afastados. Vida porquê isto agora? Quem disse que iríamos aguentar? Quem disse que ia ser fácil? Quem? Not me! Not you! E, ainda assim calei-me com a maior das tristezas. Achei que ia ser fácil, que ia ser muito madura, que ia passar a voar. Not! Miss u like hell! É mais fácil ceder à tristeza. É mais fácil ficar sem fôlego, sentir o desespero e as lágrimas a rebentar. Puro medo de perder tudo, não não me tirem este momento, não me tirem a vida, não me tirem por favor. A distância mesmo com as tecnologias existe, mói, remói e volta a moer. Será que as relações efectivamente sobrevivem às distâncias? Os dias não são iguais, a vivência não é igual. As saudades misturam-se com maresia e areia, distracções, livros, música, mas nada nada me contenta ou sossega. Já pensei ir comprar uma tonelada de livros, já pensei marcar os dias no calendário para ver se passam a correr... tolices.. parvoeira dos dias vazios. Quero crescer... acreditar deixar de me sentir minada pelos maus exemplos anteriores. Acreditar que sou capaz, que somos capazes... quero ser madura, criar alicerces, crescer... mas é mais fácil ficar com uma neura dos diabos e fazer birra. Está a custar-me, está a custar-me horrores. Estou a crescer? Estou a  sentir? É esta angústia que se sente?

sexta-feira, julho 22, 2011

Voa



Voa ... Voa borboleta deixa-me acreditar que a liberdade vale a vida que ainda pode ser vivida nas asas do teu voar. 


Shuuu..........

Era uma noite como tantas outras.... (cont.3)


O plano era... não existirem limites temporais naquela noite. O jantar...Depois o passeio. Os primeiros beijos, o primeiro abraço. A entrada num mundo e espaço físico desconhecidos... Tantas e imensas sensações. E se não houvessem mais horas já teria sido maravilhoso. Mas a vida decidiu ser gentil e presenteou-os com mais uma madrugada inteirinha... E tão doce.. tão sentida. Não existem palavras para a intensidade com que se sentiu amada. Nunca existiu beijo mais perfeito, abraço mais sentido. Partilharam-se com uma intensidade notável... com o maior dos sorrisos. Sem dúvidas. Com a certeza inabalável de se poder confiar e partilhar o mais profundo dos seres e sentimentos. Seria cedo... devíamos esperar... Nahhh já esperaram uma vida, não existem regras para os momentos perfeitos.. simplesmente acontecem e são tremendos. Inesquecíveis.  Ambos completamente sem fôlego, e sim foram os imensos beijos mas também o estado de choque que se instalou na mente dela. Ele também não queria acreditar. Sentia tudo.. Aquela dormência... não isto não existe... existe? Não!Sim? É real? Rewind... Espera ... Sim, estou aqui. Não vou fugir. Pára tudo......! Só mais uma vez... que é para ter mesmo certeza, e outra e mais outra.... É verdade! Inacreditável. E a paz foi-se instalando... tomou conta deles... adormeceram... Não... ele adormeceu. Ela levantou a cabeça semi-adormecida, olhou para o lado.. olhou para o espaço... sim agora pertencia ali. E eram imensos... os pensamentos que jorravam do seu olhar esgazeado ... Mas naquele momento dormir era a resposta perfeita a todas as suas perguntas. Finalmente dormir... sem insónias, sem pesadelos.. Dormir em paz... simplesmente!

quarta-feira, julho 20, 2011

Era uma noite como tantas outras.... (cont..2)


Um dia ... ela no seu sofá de casa ... pensou... nunca vou poder partilhar o sofá a ver um bom filme com alguém especial. Assim deitadinhos, enroscados, como gosto bem quentinha. Pensava que esse era um privilégio de muitos a que nunca teria direito por força das circunstâncias... E sofria quando pensava nisso. Era um desejo simples ... mas parecia tão difícil de concretizar.
Noutro dia ali estavam ambos no sofá e esse seu desejo percorreu-lhe a cabeça. Sorriu... quis partilhar esse seu pensamento mas pensou que seria tolice. Abraçaram-se com intensidade, ela sempre adorou abraços, beijos dão-se a toda gente mas abraços só uma pequena percentagem de pessoas os dá... Beijaram-se como se a noite não tivesse fim, como se o sentimento que ambos nutriam fosse esgotar a qualquer momento, como se tivessem que aproveitar cada segundo... e a vivência com este tipo de pensamento torna-se numa experiência poderosa e intensa. Ele mostrou-lhe as divisões da casa, abriu-lhe o coração e dançou rodopiou com ela pela mão num sorriso desmedido. Ela entrava em cada espaço que ele lhe abria como se uma luz incandescente a envolvesse e abraçasse. Parecia fora de si, era outra pessoa a viver uma experiência, o seu verdadeiro eu estava completamente noutra vida, numa vida em que o amar alguém ... era a sensação mais próxima de afecto. E de repente do nada... transbordava sensações, sentimento, vida...

terça-feira, julho 19, 2011

Era uma noite como tantas outras....


Ele falava sem parar contava as suas histórias e peripécias. Ela ouvia-o e ouvia tantas outras coisas que os seus pensamentos não continham. Alguns segundos ou até mesmo minutos, os seus pensamentos vagueavam e já não estava ali, apenas o fitava com olhar atento para não o decepcionar tal era o entusiasmo com que contava aquelas histórias. Ela estava num estado de dormência abstracta, a despedir-se ... de sentimentos passados, a tentar perceber o que seria ou não fiel aos seus princípios. O que se estaria ali a passar... como é que do fundo do poço, se encontrava num novo capítulo da sua vida. A sensação era a de ter estado ausente de uma parte da sua própria vida recente... uma amnésia momentânea... quem lhe explicaria como tudo tinha mudado num abrir e fechar de olhos. Relembrou ao ouvir um psicólogo na tv dizer que depois de um grande sofrimento, depois de bater fundo no poço as pessoas sentem necessidade de agir, de se ajudarem.... Parecia haver uma explicação... ela precisava, precisa de entender... que não traiu os seus sentimentos, apenas olhou em direcções diferentes... e caminhou até que chegou... a uma estrada e encontrou alguém também a percorrer o caminho. E se não foi mágico este encontro, foi verdadeiramente abençoado, tão divino que ainda ambos o olham como uma conquista tão doce... que não se esgota... este sentimento.
Deram um passeio em torno do estádio, olhavam-se e conheciam-se sob as estrelas. Era simples e perfeito. Sem grandes planos... Enfim sentaram-se num banco daqueles espalhados, a noite começou a arrefecer. As árvores testemunhas daquelas conversas, daqueles olhares tímidos e sinceros, daquelas gargalhadas... Ela gelava não fosse o frio... estaria ali horas a fio... encostou-se a ele, ele abraçou-a tão naturalmente que parecia que ela já fazia parte dele. Continuaram a conversar abraçados, um carinho aqui, outro ali tudo muito sentido e devagar. Os sentidos todos em alerta... e uma paz tremenda a invadia... não conhecia este sentimento que a confundia... onde estavam todas as indecisões ... todas as perguntas... não existiam esfumaram-se para dar lugar às certezas. Ele roçou-lhe a cara no rosto num gesto doce e carinhoso... ela sem saber como beijou-o de leve, mal sentiu os seus lábios... e de repente a timidez veio ao de cima, refugiou o rosto no peito dele, ali bem aconchegada... ele sempre tão calmo... tão silencioso... abraçou-a. Ela sentiu necessidade de quebrar o silêncio e disse, desculpando-se com ar maroto e envergonhado: apeteceu-me! Ambos riram... Ele, respondeu: e então? que tem? Ela estava completamente surpresa consigo mesma... Mas não era hora de olhar para trás... era tempo de fazer história, de iniciar outro capítulo. Voltaram-se a beijar vezes sem conta, abraçaram-se com intensidade, encontraram-se naquele momento ... 

Breathless






Don't stop me now... cause I'm having such a good time!!!!!!!!!!!!

quinta-feira, julho 14, 2011

The first step

Era uma noite como qualquer outra... simples, tranquila na tremenda cidade dos estudantes que tantos segredos tem escritos na calçada. Fui com um nervosismo que já desconhecia, que até náuseas me provocou. Lutei comigo mesma, vou, não vou... E não fui... como consigo fechar-me na dúvida, como me seguro face à incerteza. Sou tremendamente complexa e difícil. Pintei-me assim... Precisei de tempo para me resolver. E se não fui na sexta, no sábado a noite convenceu-me de que as expectativas não existiam, logo nada podia correr mal. E fui... de coração nas mãos... arrumei-te ali no canto não permanentemente porque isso seria negar-me, mas porque ainda me desgastas muito, mais do que gostaria e tinha que ir.. já tardava... meses.. quase anos-luz... sim sou um ser que faz do sentir a maior hipérbole que traz nas mãos...
Dei por mim a recordar os tempos de estudantes, as tardes, em que caminhava e me sentava à beira rio para fazer as confidências do dia... ao rio confuso com as águas a correrem ao contrário sempre tão enigmático. A ponte luminosa, musa inspiradora do meu olhar, metáfora da possibilidade de deixar-me ir finalmente. Luz, luzes, cores, vida... 
Debrucei-me a ouvir os sons da noite, coloquei os phones e deixei que a vida me surpreendesse... e ainda assim... nessa noite, nessa madrugada gelada de passeios solitários ... esperei-te horas... e achei que não devia esperar mais e já gelada decidida a partir, olho e lá estavas tu também nervoso. O teu nervosismo consolidou a minha paz... tão tolinhos que somos pensei... tantas expectativas criamos que nos matam a espontaneidade, os momentos simples e bonitos... e se tive friooo foi porque assim o quis... mas o frio dessa noite fez-me voltar nas noites seguintes... nem só de amores à primeira vista reza a história ...!


terça-feira, julho 12, 2011

Babysteps

Primeiro veio a euforia, a adrenalina desmedida..uiiii foi tãoooooooooo bommm. Depois o medo, a insegurança, a sombra do passado... o silêncioooooo, tão esmagador como consegue ser quando o que mais queremos é expressar tudo, deitar tudo cá para fora. A seguir ... aceitação da realidade não esperada mas há muito desejada. Pensa-se demais... olha-se demais para trás... mas o grande desafio da estrada que está para vir é que assusta.... E antes de darmos passos maiores que a perna... revemos a matéria, olhamos para o melhor e o pior que já lá vai. E agora é preciso ganhar coragem e dar o salto, as passadas .... despreender a mágoa, soltar as amarras a uma solidão indesejada mas confortável. É preciso ingressar na floresta mágica, é preciso sensatez mas também loucura, é preciso ir... The time is now!

quarta-feira, julho 06, 2011

Luz


Não sei porque demorou a chegar, sei sim que por mim não vai partir tão cedo. Esta luz que me encontrou ilumina-me de uma forma intensa e dedicada, conhece o meu lado lunar, tem o seu próprio lado lunar. Partilha comigo afectos e a vida. Faz-me ficar eufórica e calma ao mesmo tempo. Enche-me as medidas. Incendeia-me com um abraço, faz-me desejar estar a seu lado sempre... tem a capacidade de me cativar tanto mas tanto. Cuida-me como ninguém. Tudo o resto era não vida. Tudo o que não fosse uma partilha intensa, era não vida. Oh vida, obrigada por mais esta lição. Desta vez fico-te mesmo a dever uma, ou umas centenas.... Ok já fiquei em estado de pura adrenalina, de choque, de medo.... estou na fase da aceitação de que afinal existe esperança, existe alguém assim para mim. Mas não, não é fácil soltar amarras... depois de um luto tão devorador, tão intenso. E até nisso esta luz me ilumina... é tão incandescente, lê-me, surpreende-me, está lá sempre... parece surreal. Estarei a sonhar.... Se sim .... shuuuuu .... quero acordar só daqui a uma década.

quarta-feira, junho 29, 2011

To believe...

Acreditar em alguém, confiar nela, depois de nos partirem o coração vezes sem conta.... torna-nos pessoas de pé atrás e não evitamos pensar que nos podem passar mais uma rasteira. Por isso observo tudo, analiso tudo, stresso um pouco comigo e com o meu frenesim. E, adoro, sentir finalmente as batidas fortes, as veias a dilatarem, aquela agitação, o nervosismo... de repente sou novamente uma adolescente frágil e assustada. A experiência proporciona aquele sorriso ... o abraço acalma ... o olhar tranquiliza. O carinho transcende tudo. A dedicação faz valer a pena tudo. Não sei o que virá ... mas o que quer que seja só pode ser bom... tem que ser bom... tenho que acreditar. Como dirias... já me fazes feliz assim.

P.S. Smile? check! Feeling sexy? Soooo check. Most important, belief, hope? Oh, so check.

domingo, junho 26, 2011

No limite (Part II)

Ok não foi desilusão com a vida. Foi mais desilusão comigo própria a testar os meus limites. Completamente gelada, fria por fora e a arder por dentro. Fiel aos meus princípios. Velho cliché, quem tem princípios tem menos sexo. Apetece-me dar uma gargalhada, rir de mim própria, rir comigo. Sinto-me inebriada pela dança da sedução sem dúvida que é mais fácil quando não nos sentimos envolvidos o suficiente é mais fácil olhar de fora, ver os pontos fracos. Sei o quanto é importante a racionalidade. Sei o quanto é importante aproveitar, flutuar um pouco antes de mergulhar numa aventura que pode agarrar-me de vez a uma nova realidade. Desta vez segurei-me ... só porque sou fiel a mim mesma, ao romance, à magia. 

Stay tuned... next time there will be no next time.

sábado, junho 25, 2011

No limite

Completamente no limite. Confusa. Louca. Doidinha ao ponto de fazer loucuras esta noite. Já sei danos irreparáveis. Aguentar as consequências. E viver, mesmo que para isso não seja viver mas sim sobreviver. Deixar-me ir na corrente. Baixar a fasquia. Mergulhar no abraço do desconhecido e ser egoísta ao ponto de te levar comigo, dentro de mim a arder.... um fogo aceso, um fogo que me incendeia. A decisão está tomada hoje vou ... e depois de tanto tempo ainda tenho a sensação que mereço que me agarres esta noite e não me deixes ir. Como me engano ... tu já me deixaste ir há tanto tempo ... e não me agarraste. Não tiveste a intensidade, a garra, o sentimento, a iniciativa. Como eu queria que uma vez na vida partisses a loiça toda. Mostrasses espontaneidade... sentimento. Não aguento mais a ausência dos afectos. Não suporto a solidão tremenda a que me impus por ter-te cá dentro. Hoje os meus fantasmas vão tomar conta da situação. E, depois amanhã quando acordar serei eu, ainda mais desiludida com a vida. A repetir-te... A sentir na pele o reverso da medalha. Ou talvez não... Here goes nothing ....




quarta-feira, junho 22, 2011

Lembro-me...


...da força, dos momentos, do sorriso desmedido. Lembro-me da pessoa que eu era quando fazias parte da minha vida. E, por instantes quero voltar a ser aquela pessoa radiante. Eu sei nem tudo foi feliz também houveram momentos dolorosos mas se eles existiram tornaram-me mais forte. E, no meio de tantas decisões atabalhoadas... de agora sim, agora não... embebidas pelo desejo ardente de noites mágicas e tardes escaldantes éramos tão felizes. Juntos tínhamos uma energia desmedida... uma energia de que me orgulho, uma energia que trago ainda comigo.

segunda-feira, junho 20, 2011

Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.


Como é que se Esquece Alguém que se Ama? Como é que se esquece alguém que se ama? Como é que se esquece alguém que nos faz falta e que nos custa mais lembrar que viver? Quando alguém se vai embora de repente como é que se faz para ficar? Quando alguém morre, quando alguém se separa - como é que se faz quando a pessoa de quem se precisa já lá não está?
As pessoas têm de morrer; os amores de acabar. As pessoas têm de partir, os sítios têm de ficar longe uns dos outros, os tempos têm de mudar Sim, mas como se faz? Como se esquece? Devagar. É preciso esquecer devagar. Se uma pessoa tenta esquecer-se de repente, a outra pode ficar-lhe para sempre. Podem pôr-se processos e acções de despejo a quem se tem no coração, fazer os maiores escarcéus, entrar nas maiores peixeiradas, mas não se podem despejar de repente. Elas não saem de lá. Estúpidas! É preciso aguentar. Já ninguém está para isso, mas é preciso aguentar. A primeira parte de qualquer cura é aceitar-se que se está doente. É preciso paciência. O pior é que vivemos tempos imediatos em que já ninguém aguenta nada. Ninguém aguenta a dor. De cabeça ou do coração. Ninguém aguenta estar triste. Ninguém aguenta estar sozinho. Tomam-se conselhos e comprimidos. Procuram-se escapes e alternativas. Mas a tristeza só há-de passar entristecendo-se. Não se pode esquecer alguem antes de terminar de lembrá-lo. Quem procura evitar o luto, prolonga-o no tempo e desonra-o na alma. A saudade é uma dor que pode passar depois de devidamente doída, devidamente honrada. É uma dor que é preciso aceitar, primeiro, aceitar.
É preciso aceitar esta mágoa esta moinha, que nos despedaça o coração e que nos mói mesmo e que nos dá cabo do juízo. É preciso aceitar o amor e a morte, a separação e a tristeza, a falta de lógica, a falta de justiça, a falta de solução. Quantos problemas do mundo seriam menos pesados se tivessem apenas o peso que têm em si , isto é, se os livrássemos da carga que lhes damos, aceitando que não têm solução.
Não adianta fugir com o rabo à seringa. Muitas vezes nem há seringa. Nem injecção. Nem remédio. Nem conhecimento certo da doença de que se padece. Muitas vezes só existe a agulha.
Dizem-nos, para esquecer, para ocupar a cabeça, para trabalhar mais, para distrair a vista, para nos divertirmos mais, mas quanto mais conseguimos fugir, mais temos mais tarde de enfrentar. Fica tudo à nossa espera. Acumula-se-nos tudo na alma, fica tudo desarrumado.
O esquecimento não tem arte. Os momentos de esquecimento, conseguidos com grande custo, com comprimidos e amigos e livros e copos, pagam-se depois em condoídas lembranças a dobrar. Para esquecer é preciso deixar correr o coração, de lembrança em lembrança, na esperança de ele se cansar.

Miguel Esteves Cardoso, in 'Último Volume'


Vida e Tempo


Acabei de ver o documentário que homenageia Saramago um ano após a sua morte. Ficaram-me as suas palavras: 

" As coisas boas da vida aconteceram-me tarde ."

Numa entrevista que lhe fizeram perguntaram-lhe após receber tantos prémios, e tudo o que alcançou o que desejava. Ele respondeu: "Tempo e Vida  ".

Quero acreditar que as coisas boas me poderão acontecer mais cedo do que mais tarde fazendo a analogia. Mas olho com pesar para estas palavras, e sei o quanto me pesam e, porque as escrevo com este fervor. E sei, sobretudo, que o grito de revolta ecoa sempre dentro de mim.
E ....as palavras repetem-se Vida e Tempo... Vida e Tempo... tantas vezes...............


quarta-feira, junho 15, 2011

Metáforas da Vida

Ok já me consegui levantar do chão. Mas só por uns dias que a senhora vida me obrigou a ser uma adulta responsável e a ir ganhar umas horitas a cinco aerius à hora, para depois andar mais uma semana a deprimir e a questionar as putas das oportunidades que me surgem na vida. São mesmo putas... fodem-me a cabeça até ao tutano.

O melhor do dia foi ver o eclipse e sorrir espontaneamente. Sentir que é possível. O pior foi fazê-lo sozinha. Especialmente, após ser relembrada da  música Ouvi Dizer dos Ornatos que sempre me moeu o tutano desde a adolescência e se entranha aquele ponto de interrogação medonho. Medo, muito medo! Mas pronto pensar na lua abreviou a coisa e deixei as metáforas da vida lá atrás.
Quero preciso, aspiro coisas boas. Luz, raios de luz. Anseio, rezo, quero (muiiiiito). E pronto quando estamos num estado de desespero puro e duro algumas ideias malucas podem surgir. Como por exemplo ir ali dar uma trinca ... algures naquele bife que me acena todos dias. Estou de dieta não posso, não me deixo. Não depois acordo e é uma novela. Pareço um gajo. Ok não vou a lado nenhum. Vou dormir... comigo!

Eu Querooooooooooooo!




Loucas são as noites.... Loucas!

segunda-feira, junho 13, 2011

Sem chão

Estou capaz de ficar inerte o maior tempo possível tal me pesa a tristeza profunda, que me alheia da minha não vida. Frustração, pura e dura. Como diria Moby, why does my heart feel so bad? Why, why, why?
Os seguidores da Anatomia de Grey talvez entendam o sentimento comparado àquele momento em que após a morte do Denny Duquette, a Izzie se deita horas a fio no chão da casa de banho e ninguém a consegue tirar de lá. A propósito eu quero a Izzie de volta. E quem deu autorização para o George morrer? 
Odeio mudanças que não trazem nada de positivo. Demoro este mundo e o outro para as aceitar. 

quarta-feira, junho 08, 2011

Sem mar

"Uma paixão que não se casa com o amor é um barco sem mar. Permanece, para sempre, como uma idealização (e nada mais) e transforma-se num amor-perfeito que, em vez de nos encaminhar para outras paixões, nos persegue por dentro, e destrói (uma a uma) todas as novas relações, sendo esse o seu lado mais contagioso." 
 
Eduardo Sá
 

Out there where dreams come true




Somewhere out there beneath the pale moonlight
Someone's thinking of me and loving me tonight

Somewhere out there someone's saying a prayer
That we'll find one another in that big somewhere out there

And even though I know how very far apart we are
It helps to think we might be wishing on the same bright star

And when the night wind starts to sing a lonesome lullaby
It helps to think we're sleeping underneath the same big sky

Somewhere out there if love can see us through
Then we'll be together somewhere out there
Out where dreams come true

And even though I know how very far apart we are
It helps to think we might be wishing on the same bright star

And when the night wind starts to sing a lonesome lullaby
It helps to think we're sleeping underneath the same big sky

Somewhere out there if love can see us through
Then we'll be together somewhere out there
Out where dreams come true
 
 
 
 
Promise?!
 
 

terça-feira, junho 07, 2011

Porque será que as pessoas investem tão pouco nas outras?

Acabei de ver uma amiga a perguntar porque é que as pessoas investem tão pouco umas nas outras. E sem querer pensei em ti, em mim. Ponho-me a pensar no que nos move enquanto seres humanos que procuram a outra metade. 
Não posso conceber que haja alguém que não procure, apenas alguém que se resignou, ou que se magoou tanto que já não aguenta mais abrir as portas porque o brilho dos seus olhos ficou lá atrás algures com alguém. Não posso acreditar que alguém queira simplesmente uma liberdade que acaba por ser uma prisão repleta de solidão.
Na maior parte das relações cedemos efectivamente quando a persistência nos toca ? Ou não nos toca minimamente, conseguiremos ficar insensíveis às manifestações das pessoas que nos rodeiam. Conseguimos ficar indiferentes a um desconhecido, se sentirmos aquela adrenalina que nos move, as tais borboletas?Ou efectivamente, não vamos sentir nada por essa pessoa, ou não o suficiente como às vezes desejaríamos para sermos um bocadinho assim mais felizes. Fazemos uma viagem, em que conhecemos várias pessoas e aquela poderá simplesmente não ser a única e a última a ver-nos o sorrir? Ou enganamo-nos com esta ideia? Será tão louca e descabida?


sábado, junho 04, 2011

Crying




Falhaste-me. Vezes sem conta. E, ainda assim, é a ti que quero a meu lado para poder fazer o luto. O luto do que vivemos e não iremos viver mais.

"Se a vida é provisória que seja linda e louca a nossa história ".

Trying understand


Aqui estou a tentar perceber mais uma vez, a esmiuçar o máximo que posso. Como será possível que a reacção a um grito de dentro, de puro sofrimento possa existir de forma silenciosa. Num mundo perfeito se tu me dizes que estás a cair, eu posso não chegar a tempo para te aparar a queda mas farei de tudo para te abraçar, o mais que posso, para te ajudar a curar as feridas.
Existe em  mim algo intrínseco na empatia espontânea ao sofrimento. Hoje pessoas próximas selaram a sua vontade de se afastarem definitivamente. E eu chorei, chorei com uma tristeza profunda, por eles, por nós, pela vida que todos podíamos ter tido e não tivemos.
Ontem peguei no carro e fui com a ideia fixa de te suplicar a tua presença, de te sentir, de olhar para ti, com a ideia de poder cair no teu ombro, no teu abraço, conversar e chorar até me sentir aliviada e deixar contigo esta réstia de ti que me devora e consome todos os dias. Não pude, não fui capaz. Além disso, não ia aguentar um não como resposta. Em vez disso meti-me numa sala de cinema, a ver um filme que me fez rir de tão espontâneo, tão verdadeiro, tão intenso. 
Na minha versão do amor, as pessoas que um dia foram próximas nunca mais se afastam verdadeiramente. Por dois simples motivos, o que me levou a apaixonar por ti e tudo o que vivemos. Embora as relações terminem, não resultem, estejamos à procura daquela intensidade e não outra, as pessoas não morrem, ficam ali para sempre. As memórias... a memória de te esquecer aterroriza-me. Esquecer-te seria esquecer-me. E não, não consegues isso. As pessoas lidam das piores formas com as ausências e das melhores também, já vi de tudo. 
Eu sei é difícil, não saber o que fazer, ver o outro sofrer e sentirmo-nos tão impotentes. Será que efectivamente isso será verdade? Os meus amigos tem sempre um colo, uma palavra, uma música, um abraço. Onde estás tu? Insisto, não te vou perder assim. Não é justo perder tudo.