segunda-feira, abril 23, 2012

Curso de Primeiros Socorros Afectivos

"O amor é como as borboletas, se as perseguimos em desespero, elas afastam-se, mas se ficamos quietos, eles pousam sobre nós." Tagore


Tenho lido muito um autor que me tem deslumbrado pela sua subtileza e ínfima sabedoria. Este autor, Walter Riso, apresenta os 3 suportes das relações afectivas saudáveis, como sendo:

1. Desejo/Atracção

2. Amizade

3. Ternura/Entrega/Àgape

Parecem 3  componentes tão simples. Ainda assim existem inúmeras relações que não conseguem o equilíbrio entre as 3 ou até mesmo a sua existência em harmonia.

A NÃO ESQUECER:

-» "Se não vive em paz o amor não é o suficiente." Walter Riso

A REPETIR VEZES SEM CONTA:

-» "Mereço ser feliz no amor, não me resignarei ao sofrimento de uma má relação, não me submeterei a tolerar o que não é tolerável." Walter Riso


Durante a maior parte da minha vida aceitei estar em relações que não eram verdadeiramente plenas destes 3 suportes. Fui feliz ainda que temporariamente, cresci, amadureci, vivi. Ainda assim eu não sabia o quanto ia pagar psicologicamente pelos danos que me causei. Hoje consigo entender isso. Hoje sei o quanto mereço tudo, o "pacote" completo. Sinto-me feliz por conseguir interpretar o que se passou comigo e por cada vez mais me sentir em paz.







terça-feira, abril 17, 2012

Quando era tua e de mais nenhum...♥


Quando estávamos apaixonados, quando éramos felizes dentro de um momento, quando o coração batia mais forte, quando sorriamos. Quando o amor nos envolvia, quando a música nos transportava para os momentos doces. Quando sorriamos. Quando éramos maiores que o pensamento, quando sentíamos para lá das palavras, quando sentíamos a vida a sorrir, quando tudo parecia seguir o caminho certo, quando dávamos a mão e piscávamos o olho um ao outro. Quando as caretas eram sinónimo de brincadeiras boas. Quando o último sms do dia nos aquecia já a altas horas e tinha um significado especial. Quando percorria a mesma estrada, aquele caminho para cair nos teus braços, naquele colo só teu que me fazia sentir protegida e feliz. Quando as refeições eram momentos doces de partilha. Quando não existiam horas, nem responsabilidades que atrapalhassem o carinho e a ternura. Quando me apetecia perder em ti. Quando era livre e sentia o corpo a estremecer. Quando o beijo nos envolvia no calor dos dias. Quando riamos, quando sorriamos. Quando te despedias à janela, tão doce, sempre. Ai... que saudades quando era tua e de mais nenhum.... ♥

segunda-feira, abril 16, 2012

Duvidar, Questionar...


"Duvide dos seus pensamentos perturbadores. Questione o seu sentimento de incapacidade, questione porque é que está programada para ser infeliz. Grite dentro de si. Critique a sua fuga. Critique as suas fantasias. Determine-se estrategicamente a conquistar as pessoas à sua volta. Retire o seu eu da plateia. Entre no palco da sua mente e treine ser líder de si mesmo. Faça-o todos os dias e em silêncio."




Já li este livro faz uns meses por recomendação de uma amiga. Recomendo, belíssima história e metáfora do pensamento que a mente percorre entre o saudável e a instabilidade mental. O quanto as histórias, os contextos nos tornam pessoas tristes e alienadas. E o quanto precisamos de pessoas que não baixem os braços e abracem as árvores e pensamentos altruístas.
Hoje acordei com este pensamento, preciso de duvidar de tudo que atrai energia negativa e pensamentos que me fazem perder as forças em acreditar em dias melhores. Sobretudo, preciso de acreditar na minha força e potencialidade. Preciso de não me sentir frágil prestes a quebrar, estilhaçada em mil pedaços, sem vislumbrar um sentido, preciso de reproduzir e sentir uma energia boa e feliz. E o caminho é sem dúvida aspirar, acreditar, optimismo.




Quero ser àgua...


"Se alguém te bloquear a porta, não gastes energia com o confronto, procura as janelas.
Lembra-te da sabedoria da água:
A água nunca discute com os seus obstáculos, mas contorna-os.
Quando alguém te ofender ou frustrar, tu és a água e a pessoa que te feriu é o obstáculo!
Contorne-o sem discutir.
Aprenda a amar sem esperar muito dos outros " 


Augusto Cury 


Tenho tido imensa dificuldade em ser água nesta minha última experiência emocional. E tem sido verdadeiramente surpreendente, perceber o quanto tem sido difícil. Pelo desgaste que causou, consegui perceber o quanto bati fundo e o quanto cresci na procura de ferramentas para me agarrar ao sentido que a vida e as pessoas podem ter nas nossas vidas. 
Consigo perceber o quanto é preciso equilibrar cada parcela do que somos o racional, o espiritual, o emocional  e o físico. Sei, sinto o quanto descurei ao longo dos anos de elementos essenciais para alcançar um equilíbrio. Sei que ainda não o alcancei... sei que é gradual, mais ainda assim preciso de me lembrar cada vez mais de olhar para mim e me nutrir do que me equilibra.

sexta-feira, abril 13, 2012

Raio-x da alma


Passada a Páscoa, limpezas, o leitão, bolos, sobremesas e as amêndoas. Sossego. Dores. Noites mal dormidas. Diagnóstico por determinar. Ecografia e raio-x. Medicamentos. E uma sensação de inutilidade. Preciso de um braço direito sem metáfora e também a metáfora. O quanto uma mão direita é importante ... A mesma conversa de sempre bolsas, entrevistas, candidaturas. Rotina. Quero sentar-me no teu colo e dormir um sono tranquilo. Quero acordar com garra para a vida. Depois de muito tempo a olhar para dentro por uns 2ou 3 meses descurei um pouco das leituras da alma pois a memória estava a sucumbir com tanta leitura. E a mente já não aguentava perceber tantas questões, é que isso do perceber leva-nos a outra questão, à dissonância cognitiva. Eu sei o que faz mal, mas não é por o saber que o deixarei de fazer. Tanto a nível psicológico como físico. É que eu gosto mesmo de chocolate. Preciso de ter novamente forças para me cuidar e mimar. Preciso de não me negligenciar mais. Preciso de voltar à minha amiga eliptica e voltar a fazer as minhas caminhadas. Preciso muito, para lá de muito. Vontade e força anímica zero! Motivos para levantar a cabeça da travesseira zero! Esta semana um momento que me fez sorrir. Bonito, doce. De uma pessoa que não esperava mas alguém que viverá nas profundezas da ternura. Os meus amores adoram vir buscar mimos junto de mim. Mesmos os que partem e ficam para sempre. E é bonito que assim seja, mesmo que o mimo seja uma palavra, um conselho, um esclarecimento do passado. A percepção de quem fomos para alguém pode revelar muito sobre a nossa personalidade e fazer-nos pensar. Esta semana sei que fui muito especial para alguém e existem palavras-chave, códigos especiais que só nós dois é que saberemos. E a ternura de sentir esse sorriso especial, vale muito. A sabedoria das vivências e dos afectos transborda quando aprendemos a guardar as coisas boas. Valeu a pena relembrar, o quanto é importante guardar o que é bom, ou foi bom.

terça-feira, abril 03, 2012

"Ter cá dentro um astro que flameja..."


Ser quem sou. Aceitar-me. Conhecer-me. Percorrer os caminhos do modo mais difícil. Começa a ser mais cansativo do que posso suportar. Acordo de um coma assustador. Olho-te lá atrás. Não sei de ti, nem sei se quero saber. Receio que todo o sofrimento que passou volte e me absorva na sua teia sombria. Olho-te numa imagem de vislumbre e não sei como foi possível a vida ter pintado certos momentos com nuvens e tons sombrios que me sufocaram e desfizeram por dentro.
Sei o quanto bati fundo, mas também sei o quanto aprendi. O quanto o sofrimento me obrigou a perseguir um entendimento, das pessoas e das relações humanas. Sei o quanto pude perceber quem fui desde a infância e até aos dias de hoje. Quem me conhece consegue analisar o quanto a minha vida teve mais baixos que altos. Perceber que a tristeza nos rouba e suga a vida. Perceber o mergulho sombrio em águas demasiado turvas para se encontrar um caminho. Senti durante estes últimos sete meses, um alivio tremendo quando me deparei com certas verdades. Pude finalmente perceber o quanto fiz opções erradas. O quanto mantive as pessoas erradas e o quanto não dei oportunidades a pessoas que podiam ter sido as certas. Agora é tão claro, o quanto aceitei sempre menos do que merecia. O quanto por amor me deixei toldar e o quanto não deixei o racional falar.  O quanto não me cuidaram... o quanto não se deram ao trabalho de me conhecer verdadeiramente. O quanto não partilharam comigo. E existe no meu pranto uma mágoa, uma tristeza que não me sai do regaço. Existe um olhar para o passado recorrente. Existe um sufoco desmedido de não pertencer, de não existir. Um desespero refinado de uma dor que se intensifica quando vejo como confio e me dou a níveis inacreditáveis. Depois para levantar do chão são anos a colar os pedacinhos. Hoje quebraram-se mais pedacinhos, porque não encontrei forças.

quinta-feira, março 29, 2012

"Estavas, linda Inês, posta em sossego"


Estamos no ano Inesiano, embevecida por toda a trama da famosa e trágica história de Inês de Crasto e D. Pedro, que foi explorada no Congresso Internacional a decorrer é impossível não associar esta história a uma crença que veicula ao longo de gerações, o sofrimento associado ao amor. Como se ambas as coisas fossem indissociáveis. Crescemos com histórias que nos toldam as percepções do amor. Crescemos a acreditar num Romeu e numa Julieta que lutam contra tudo e todos mas estão destinados a um fim trágico. Esta história toca-nos pela forma como nos foi contada, o sofrimento prende-nos à história, toca-nos, absorve-nos, somos empáticos com ele. Queremos sempre que da luta resulte o foram felizes para sempre, no fim é essa a nossa esperança. Vemos uma linda  Inês, a ser vitima de um homicídio, e um Pedro que louco de amor obriga anos mais tarde toda a corte a beijar a mão da sua amada morta tendo em vista a sua dignificação como rainha de Portugal. Quantas faces tem o amor? Até onde vai o amor? Quando existirá uma história que perdure no tempo e seja cativante o suficiente para fazer valer a premissa de que tudo o que é sofrimento não é amor. O sofrimento somos nós humanos, imperfeitos, pouco elucidados, sem uma educação emocional que numa evolução muitas vezes sem um contexto saudável deturpamos os caminhos, tomamos decisões erradas ou são tomadas por nós e mudam de forma determinante e trágica os caminhos saudáveis. O amor puro e feliz onde a luz se demora e brilha. Eu sei sou demasiado ingénua, é muito delicodoce esta visão. Gostaria eu de perceber como ainda trago nas mãos resquícios de um amor que a vontade humana fez cessar e que apesar de toda a racionalidade, de toda a compreensão que busquei para me serenar, não consigo apaziguar dentro de mim um sofrimento que me consome. Sinto um aperto enorme, quebram-se-me os sentidos. E o sofrimento não se esgota, com a ideia de que as relações humanas não podem ser tão cruéis. As relações humanas não podem ser tão fúteis. Trago nas mãos não flores e alegrias, trago nas mãos um desgosto que parece não ter fim. Quero que o sofrimento acabe. Quero sentir paz e, ainda assim, ontem quando passava pela ponte luminosa, sentia o coração a bater forte. O meu Pedro não me enviava barquinhos com cartas de amor. O meu Pedro era atencioso, cuidador das minhas horas vazias, luz dos meus dias. E é essa a lembrança que quero ter. O sofrimento tem que desaparecer. Queira a vida, que ele esteja em sossego. E que na vida dele a água límpida seja uma fonte de amores e não uma fonte de lágrimas. Que o arco majestoso daquela paisagem que é a Quinta das Lágrimas dos nossos corações seja janela de boas memórias e das coisas boas que perduram ao longo dos anos.


quinta-feira, março 22, 2012

Pensamentos do dia: Fagocitose de pensamentos negativos


Quem dera que a nossa mente possuísse um sistema tal como os macrofagos (células que expulsam os virus, bactérias, corpos estranhos e células mortas) e removesse os pensamentos negativos e o mau humor. Era bom que fosse uma resposta automática que o nosso cérebro trouxesse incluído, talvez traga eu é que ainda não a activo de forma involuntária.
Hoje o pensamento positivo que me põe um sorriso nos lábios é estar a estudar para a prova teórica do novo curso que ando a fazer. Novos caminhos, enriquecimento, enlightement, empowerment, sobretudo bem-estar são as palavras chave.

quarta-feira, março 21, 2012

Ainda não aprendi...

...a andar só pelos caminhos. Como dizia o poeta não sei andar só pelos caminhos. Anseio sempre, sinto que merecia poder partilhar tantas coisas que por determinados contextos na vida não tive direito ou oportunidade de partilhar.
Esta semana pintei a minha primeira tela em aguarela. Existem tantas coisas que eu ainda não fiz. E existem coisas que eu gostaria de fazer e partilhar. Quero acreditar. Cada dia um pedacinho mais que a vida tem que ser mais risonha, tem que ser mais ... intensa. Tem de existir mais essência. Quero acreditar que o melhor ainda está para vir. E como diria alguém que eu tão bem conheci.... interessa-me o que está para vir.

quarta-feira, março 14, 2012

Poder transformador


Acredito que todos nós possuímos um certo poder transformador. Demoramos este mundo e o outro a perceber a força que existe dentro de nós. Nem sempre os contextos nos permitem ser pessoas com capacidade introspectiva para percebermos o que passa dentro de nós, como geri-lo e como agir para que o que sentimos se torne positivo. Deixar fluir as emoções como se num rio estivéssemos não basta é preciso educá-las pela positiva. Quero percorrer esse caminho, quero agarrar-me às coisas boas. Aos momentos felizes, às coisas boas e aprender a cruzar-me com as coisas más sem lhes atribuir tanto significado como tenho feito ao longo dos anos. Preciso assumir isso como premissa para que o meu percurso deixe de ser tão cinzento, preciso ver luz onde na maioria das vezes existe vazio. Preciso acreditar, ter esperança, ser optimista. Preciso muito de acreditar que sou capaz, que tenho em mim o poder e a energia positiva para marcar a diferença na minha vida e nas das pessoas que estão à minha volta. Quero ser essa pessoa.

quinta-feira, março 08, 2012

HOJE...


Um copo de vinho do porto, chocolate negro, um bom livro e música da boa! My day is full. :)

quarta-feira, março 07, 2012

Wake up Call


Segundo o senhor GOLEMAN, as pessoas tendem a adoptar 3 tipos de estilos para acompanhar suas emoções:

1- Autoconscientes: quando entram em algum estado de espírito negativo não ficam a ruminar, reconhecem a emoção e procuram retirar soluções positivas, ou seja, buscam a aprendizagem.

2- Mergulhadas: estão imersas nas suas emoções, e são incapazes de superá-las, perdendo o controlo das suas vidas. Pouco fazem para superar um estado de espírito negativo, acreditando não serem capazes de controlar suas emoções.

3- Resignadas: Embora reconheçam um estado de espírito tendem a aceitá-lo, não exercendo o poder da mudança. Ex: depressivos.


PERGUNTA CRUCIAL:  Quem tu és grita (continua a gritar) tão alto que não consegues ouvir o que estás a dizer???
Adaptado, Ralph Waldo Emerson
 
 



quinta-feira, março 01, 2012

Nuvens


"No dia triste o meu coração mais triste que o dia...
No dia triste todos os dias...
No dia tão triste..." 

Álvaro Campos, Nuvens

Quando mais tento sacudir a tristeza profunda com que desgastam os meus dias, mais a encontro pelos passos que dou a cada dia. E por mais tentativas que faça, a minha mente dá voltas, faz o pino e volta aos mesmos pensamentos deprimentes. Por mais que esmiúce a essência das coisas, por mais que tente entender, este bloqueio.
Os psicólogos chamam de afecto negativo à ausência da vivência de afectos. Eu chamo-lhe um azar do caraças, ironizando a questão. A ponte entre o isolamento e a convivência social sempre me causaram estranheza. Na medida em que tanto com amigos como com companheiros, vivi sempre em micro-climas resguardados. Aposto sempre em pequenos grupos em detrimento de grandes grupos. Gosto de contar com relações sólidas mais do que em relações diversas, fúteis e sem profundidade. E quando as pessoas partem, quando as pessoas por diversos motivos se afastam, eu sofro de uma maneira incontrolável um luto que transforma os meus dias, semanas, meses e até anos numa prisão de sofrimento atroz.
Como diz numa música o Tiago Bettencourt, "tudo o que é meu é tudo o que eu não sei largar". Sou uma dependente dos afectos, constituem a minha base sólida. Não aprendi a ser só, a deixar fluir o evoluir da minha vida e das pessoas. Nunca aprendi a aceitar a solidão e isso fez de mim uma pessoa profundamente triste na maior parte do tempo em que tenho consciência da pessoa que sempre fui. Contudo prezo imenso a solidão e o silêncio. Sei o quanto na maioria das vezes me sossega. Não deixa de ser antagónico quando analiso a questão. Odeio multidões, já dei formação a grandes grupos e isso não me causou qualquer problema. É no mundo dos afectos que me prendo num novelo de carência tremenda. Não desenvolvi as estratégias necessárias de coping para lidar com a rejeição. E isso determinou profundamente a minha relação comigo mesma. O meu optimismo e a crença nas minhas potencialidades foram as minhas principais lacunas.

Escrever ajuda-me a clarificar os pensamentos, quem me lê deve entender e ficar com uma ideia de mim profundamente negativa. Aqui a questão não se prende com o que os outros pensarão de mim. Prende-se com a partilha de sentimentos, de um percurso e vivências não só mas especialmente com as pessoas que me são mais próximas. Escrever é algo que me acompanha desde a adolescência. Sou um ser bastante social, não existe um grupo onde tenha estado, onde não tenha criado relações positivas e de afecto, o que se passa comigo nos dias que correm é que vejo a minha vida através de um vidro como dizia o poeta  e não lhe consigo tocar. Porque me dói, ter chegado na minha vida a este nível de sofrimento e nem sempre sinto possuir as ferramentas necessárias para sair deste estado de espírito.


O acontecer

 
"A felicidade não está no que acontece mas no que acontece em nós desse acontecer." 
Vergílio Ferreira, Em nome da Terra
Quanto mais leio sobre as emoções, sobre a forma como lidamos com as mesmas e como se deve lidar, mais entendo a pessoa em que me tornei. Agora entendo o quanto não existe volta a dar ao que passou, o quanto o passado me marcou pela negativa. Sei perfeitamente que tenho nas minhas mãos a chave para a solução dos meus problemas. Se fosse tão fácil de colocar em prática o que se apreende através do conhecimento, metade das pessoas seriam pessoas melhores e mais felizes. 
O conjunto de acontecimentos negativos, que me sucederam ao longo dos anos, o acumular dos mesmos tornaram-me uma pessoa mais cinzenta, uma pessoa com mais receios, mais ansiosa, mais preocupada com a vida e com os outros do que comigo mesma. 
Torna-se para mim profundamente doloroso arriscar sem certezas absolutas tal foram a quantidade de vezes que bati fundo.
Cometi sobre mim mesma actos de abnegação extrema que estou a tentar entender e ultrapassar. Nem sempre é fácil gerir emoções, interpretá-las, refreá-las. Estou nesse caminho. Algures entre o estado a que a tristeza profunda me levou e entre o levantar do chão, para com esperança e optimismo, me conseguir motivar e chegar onde sei que tenho potencialidades para chegar. Onde sei que mereço chegar. Tanto a nível pessoal como a nível profissional. Quero acreditar, preciso de acreditar. Cada dia um bocadinho mais.
 

quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Ler as emoções

" A raiz do altruísmo reside na empatia, na capacidade de ler as emoções dos outros; quem é incapaz de sentir as necessidades ou o desespero de outra, não pode amar. " Daniel Goleman


Todos nós já experienciamos em alguma altura da vida a incapacidade de outrem para nos entender, ou aliás, não é preciso que nos entenda é preciso que consiga ser empático o suficiente para sentirmos que está ali alguém que se preocupa, que nos ouve no matter what. É preciso que tenha uma postura de receptividade, que assuma uma expressão isenta de crítica, isenta de todas as expressões verbais e não verbais que nos fazem calar pois por mais que nos tentemos fazer entender a posição do outro pode ser tão antagónica que desistimos no primeiro segundo de partilhar.E isso faz-nos tão mal, ficar com as palavras atravessadas sem alguém para nos ouvir.
Podemos sentir isto nos mais diversos contextos, no trabalho, em casa, com os amigos e com a pessoa que mais amamos.
Neste último caso, pergunto-me qual será o limite que nos impomos para estar com alguém quando começamos a sentir que não existe qualquer empatia, não pelo ser com que me relaciono mas com toda a pessoa que existe para lá desse relacionamento. Podemos ser diferentes, ter hobbies distintos, amigos em grupos opostos mas existe no fundo um certo conjunto de valores que não podem deixar de existir e ser compartilhados para que a relação sobreviva positivamente. 
Não percebo porque não consigo racionalizar a falta de empatia para comigo e interpretar isso como distanciamento afectivo. Inexistência de laços verdadeiros e de valores partilhados.
A incapacidade do outro sentir o meu sofrimento e continuar a agir indiferentemente mesmo quando não posso ser mais clara e demonstrar o quanto estou mal numa tentativa de pedir ajuda ao causador do sofrimento. Quando nesta situação alguém continua indiferente... Já vivenciei uma experiência limite em que isso me ajudou a afastar da pessoa e eventualmente o sentimento de sofrimento serenou depois de meses a fio, quase um ano. Consegui perceber que não podia nem mesmo ser amiga e dar importância a alguém que não estava lá para dar e receber numa simples relação de amizade. Foi um verdadeiro murro no estômago a ausência de partilha, a falta de diálogo após a revelação de uma das partes estar em sofrimento. 
Mas não deixa de me  causar estranheza, incompreensão, estamos sempre a mudar, consigo compreender que nem todas as pessoas se encontram na mesma curva de crescimento emocional mas não consigo não me sentir horrorizada. Completamente desorientada pela ausência de diálogo, de empatia, de valores, sobretudo. Estou faz já muito tempo noutra situação a tentar ultrapassar a frieza que a indiferença que me trespassa o coração todos dias, não percebo porque não consigo desligar deste sentimento de incompreensão, porque mantenho o olhar sobre a situação à espera de closure, de um pouco de paz, de valores, de humanidade. Como se muda tanto, como se evita tanto alguém a quem um dia no tempo dedicamos tantas horas e carinho? Causa-me estranheza, causa-me sofrimento atroz. Não devo saber viver o luto das ausências mas sobretudo quando não compreendo não consigo andar em frente. Mas se sofro por tempo demais, ao fim ao cabo sinto-me uma pessoa melhor por acreditar, por ter valores. Por esperar das pessoas mais ... mesmo que estas se afastem e estejam felizes. Continuo a não perceber. Já me disseram que não tenho que entender tudo. Mas é essa falta de encaixe que me falta deixar fluir o distanciamento. É como se estivesse num entroncamento, a pessoa seguiu um caminho e eu fico ali à espera que volte, demore o tempo que demore para conversar e chegar àquele momento em que ambos fiquemos em paz para aí sim cada um poder fluir positivamente e seguir o seu caminho. E se apesar de várias tentativas as pessoas não voltam aquele entroncamento? Causa-me tristeza. Mói-me o juízo, passam meses mas eventualmente até esse sentimento se esgota em si mesmo. Entristece-me o quanto as relações são fugazes, o quanto não se baseiam em valores de respeito, empatia e energia positiva. A falta de co-responsabilidade social. Ninguém é uma ilha, no entanto todos temos pequenas ilhas no coração que guardamos como pequenos oásis onde um dia o amor foi eterno mas onde não se pode tocar, nem voltar.


terça-feira, fevereiro 21, 2012

O amor é eterno enquanto dura


Hoje deambulava por entre as folhas e pétalas das flores do meu jardim quando me ocorreu novamente um pensamento que há dias me fez parar e reflectir o quanto não posso nem devo quantificar o amor. Não perdeste tudo, foste tão feliz e foi tão bom, tão eterno. O amor é imensurável. O amor é tão eterno enquanto dura. Mesmo. E eu tenho sempre a tentação de o prolongar no tempo e no espaço. Se fechar os olhos consigo sorrir e sentir a intensidade dos momentos, tão eternos, tão livres e meus! Nossos! Amo a intensidade dos afectos, sofro a ausência dos mesmos. O silêncio deixa-me sempre à espera de gestos de amor, como se parasse de respirar à espera das surpresas maravilhosas que a vida ainda tem para me revelar. E quanto mais eu desejar mais vai demorar. Eu sei! Assim sou eu, intensa... sim, sou felizmente assim! Amo com a intensidade, sou hipersensível aos gestos, às palavras, sou hiperpensante porque tantas vezes me deixo dominar pelos pensamentos acelerados e desatinados, sou hiperpreocupada comigo e com os que me rodeiam. Não sou especial, sou eu, assim. E, não existe nada que eu queira mudar. Sou emocionalmente densa. Não acredito na felicidade mas sim em momentos felizes. E se os revivo é porque sou feliz dentro deles, da memória eterna de que se nutrem. Hoje quero fluir e deixar o amor fluir. Hoje quero que o amor seja eterno.

"Se tanto me dói que as coisas passem ...

É porque cada instante em mim foi vivo 
Na busca de um bem definitivo 
Em que as coisas de Amor se eternizassem"

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Inverno emocional

"A flor mais exuberante brota no inverno emocional mais rigoroso." 
Uma flor exuberante surgiu no caos do Inverno psíquico." 
Augusto Cury


Hoje em todo lado somos inundados por mensagens de amor, declarações emocionadas e criativas, frases bonitas e tocantes, imagens inspiradoras e ternurentas. Todos na vida estamos predestinados a sentir paixão, amor e também muitas desilusões e desamor. Lidar com  as perdas de pessoas significativas ao longo da vida revela-se das tarefas mais dolorosas por que passamos. Faz parte do crescimento emocional. Nem todos lidam com isso da mesma forma. Nem todos conseguem respeitar o luto que as pessoas travam. Nem todos conseguem ter a capacidade de ser empático o suficiente para mesmo não podendo sentir o que o outro sente, nem todos tem a grandiosa sensibilidade para estar lá e simplesmente dar apoio incondicional, a famosa escuta activa sem recriminar, estar lá. Claro que existem limites para o luto,  que ultrapassam as margens do saudável. Quantas vezes não soubemos o que dizer a alguém nesta situação, quantas vezes as palavras não existem. Quero muito e todos os dias que passam ser um exemplo de aceitação incondicional, de empatia, de escuta activa, quero, faz parte de ser quem sou, de como me idealizo enquanto pessoa. Tenho a tremenda sorte de ter pessoas assim na minha vida que me ouvem horas a fio e estão lá. E, por isso estou grata. Sou a pessoa mais chata do mundo, oscilo, regrido e progrido nas fases do luto mais do que muito. Tenho feito mais do que muitas aprendizagens nestas épocas. Ao pensar em muitas pessoas à minha volta, que são exemplos vivos de como a vida muda a cada instante e pode ser tão mais leve e feliz,consigo perceber a curva ascendente que percorremos ao longo do nosso crescimento emocional. Agora sei que tudo o que implica sofrimento não é amor. Agora sei que mereço mais do que sempre tive. Agora sei que níveis de partilha vislumbro. Agora sei que a aceitação incondicional é a maior das bênçãos. Agora sei que o amor aprendido existe para comprovar as minhas teorias mirabolantes. Agora sinto que o amor apaixonado (eros) faz parte do nosso crescimento e nos ensina o quanto é importante sermos livres nas nossas vivências e respeitarmos os nossos valores e os dos outros. Mas, sobretudo sei como devo impor limites às experiências que apesar de altamente sensitivas e emocionais nos podem ferir de forma irreparável no tempo e no espaço sem percebermos o quanto elas nos dilaceram por dentro. Agora sei que o àgape (amor profundo) é uma experiência que pude sentir mesmo que por pouco tempo. Agora percebo a importância que o bem-estar assume, percebo a importância de analisar os níveis de reciprocidade como valor ético. A reciprocidade como valor de uma cumplicidade mútua que não se pede mas que se sente e partilha espontaneamente. Assim é, e deve ser o amor. Reciprocidade com as setas viradas nos dois sentidos. O meu bem-estar e o teu bem estar são a fonte inesgotável da energia de que se nutre o amor puro. :)


domingo, fevereiro 05, 2012

Lost in a moment


Adoro séries. Adoro histórias. Ainda bem que não tenho qualquer programa e não faço ideia de como as sacar, essa é a melhor coisa de um vício mantê-lo controlado com algo que simplesmente não controlamos. As novas tecnologias são fantásticas mas eu quero limites. De momento estou a acompanhar a anatomia de grey, californication, gossip girl, walking dead, covert affairs, homeland e existe uma lista de muitas mais que vou vendo e gostava de ver. Este fim de semana ao fazer o update semanal das best of do momento apercebi-me de uma palavra que foi repetida em várias. Ando muito atenta a palavras, ultimamente. Curiosamente andei a pensar sobre isso...E as palavras mais repetidas ou que pelo menos que mais eco tiveram em mim foram I'm in a good place. Excelente expressão. Very beautiful. Pronto gosto, gosto muito. Fez-me reflectir e aflorar as minhas ideias. Não estou num good place psicologicamente. Não sei bem onde estou. Entre um momento de sobrecarga de trabalho esgotante e um momento de inexistência de trabalho. Entre um momento de muita partilha e um momento de nenhuma partilha a nível afectivo. Entre momentos de grande sofrimento sem saber porque sentia tanta tristeza e um momento em que existe tristeza mas já não me fere como feria. O conhecimento que me atravessou nos últimos meses foi tão revelador como purificador. Mas isso não me impede de ser uma romântica incurável, as cicatrizes estão lá para sabermos que vivemos e crescemos e não para reviver os momentos, não para encontrarmos soluções ou respostas a perguntas que ecoam ainda baixinho mas ecoam. A aceitação dos momentos de mudança, de transição e até mesmo de sofrimento demora a chegar mas eventualmente chega. Não sei qual o meu lugar, não sei qual o meu caminho, não sei, estou naquele momento em que não existem setas, caminho apenas todos os dias com a esperança de encontrar água neste meu deserto.

domingo, janeiro 29, 2012

Felicidade = Equação Simples


Dizem os investigadores da área que a felicidade pode ser representada por uma simples equação:

Felicidade = Ponto Fixo Hedonista (40%) + Condições de Vida (7 a 12%) + 
Acções Voluntárias ( +/- 50%)

Shocking !!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Quando descobri que esta fórmula existia perguntei-me seriamente porque só naquele dia me havia chegado este tipo de clarividência. O ser humano estuda os fenómenos mais incríveis e este é tão óbvio de se perceber.... ahhh... (suspiro).... the pursuit of happiness!!!
Onde está, para onde vai, como se manifesta, quão mutável é ....quantas condicionantes a afectam... Tantas e imensas perguntas...

O Ponto Fixo Hedonista: mecanismo cerebral que interpreta as situações como problemas (pessoas infelizes) ou oportunidades (pessoas felizes). É EM PARTE HEREDITÁRIO ou afectado pelas experiências vividas na infância. 

A boa notícia é..........que com drogas (que actuam sobre o humor - efeito temporário), terapia cognitiva e meditação (os especialistas dizem que não existe coreografia que consiga que tantos químicos sejam libertados ao mesmo tempo... serotonina, dopamina, oxitocina e endorfinas) podemos superar influências negativas.

Condições de Vida: Qualidade de Vida, Capacidade de Adaptação, Resiliência emocional são as palavras chave.

Acções Voluntárias: Aquilo que escolhemos fazer todos os dias, as escolhas que fazemos...

De todas estas escolhas os especialistas afirmam que sem sombra de dúvidas que a via directa para a felicidade é tornar as outras pessoas felizes. Bem como expressar-nos utilizando a nossa criatividade. Estas duas representam as formas de encontrar a felicidade de forma mais duradoira. 
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Após ter acedido a esta informação fiquei parada no tempo a pensar neste segredo da felicidade tão bem guardado dentro de nós. 
Eu sei que a minha mente é a fonte inesgotável de onde provém a maioria de tudo aquilo que me causa sofrimento .... mas também sei que a mesma é responsável pelas decisões e escolhas que me levarão a ser mais feliz cada dia. Entre a minha luz e a minha sombra... é melhor começar a meditar que em tempo de crise não há dinheiro para terapias cognitivas. Existe uma paz que se instala quando temos acesso a certo tipo de conhecimento. Algures entre esse degrau e a minha escalada para ser uma pessoa mais feliz existe um certo crescimento que sei ....ainda não alcancei. Mas... existe uma paz momentânea após cruzar-me com estes conhecimentos. Tornam-se espirituais, são lanternas a que me agarro quando a sombra me ofusca.




Hiato...


Entre o que eu sei e o que consigo pôr em prática. Entre o que sinto e o que eu sei que não devia sentir. Febre de sentir incontrolável. Anseio profundo que não me larga e corrói. Mente possuída de pensamentos a mil à hora. A serenidade está ali ao fundo mas nem sempre consigo tocar-lhe, controlar as emoções para que domine e se sobreponha. O bem-estar conquista-se bem sei. Mas... existe sempre um mas... Como dizia um actor no outro dia numa entrevista...(eu não diria melhor), é este o sentimento... eu não quero estar triste, eu não quero mas... entre estar e sentir o que verdadeiramente sinto os dias de tristeza sobrepõem-se sempre. É como diz este senhor...

"Quem tu és grita tão alto que não consigo ouvir o que estás a dizer." Ralph Waldo Emerson 

O que sinto é tão ruidoso que não consigo perceber ou interpretar o que significa, a sua dimensão e intensidade. Acho que é isso. E ao não impedir o que sinto sei que eventualmente se esgotará essa fonte inesgotável da sombra. Sei que algures começarei a ver raios de luz. Sei.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Quero Falar-te dos meus sentimentos...




“Quero falar-te dos meus sentimentos”. Foi assim que a comunicação começou.
Comunicar é como jogar andebol. Eu atiro a bola e tu apanha-la. Depois, tu atiras a bola e eu apanho-a . E, outra vez, eu atiro a bola...
“Quero falar-te dos meus sentimentos.” Foi assim que a comunicação começou.
Tal como precisamos de atirar a bola para trás e para a frente para jogar andebol, precisamos de falar uns aos outros dos nossos sentimentos para comunicar.

Se estamos demasiado perto ou excessivamente afastados uns dos outros, não é fácil jogar andebol. A comunicar é o mesmo. Se estivermos muito perto ou demasiado afastados dos nossos amantes ou dos nossos amigos ou de um filho ou dos nossos pais, não será fácil comunicar com eles. A comunicação não começa com ambas as pessoas a falar ao mesmo tempo. O primeiro gesto tem de partir de uma delas. Alguém tem de atirar a primeira bola. Mas você pode não querer ser o primeiro a atirar a bola – pode querer esperar que alguém lha atire. (Porque quando a atira e ninguém tenta apanhá-la, fica infeliz.)

Há alturas em que se sente inesperadamente rejeitado. Há alturas em que atira a bola, querendo jogar andebol com outra pessoa, e acaba por ver essa pessoa atirar a bola a uma terceira. Habituamo-nos desde cedo a que algumas pessoas não ouçam o que lhe queremos dizer. “Agora estou ocupado”, dizem elas. “Falaremos mais tarde, está bem?” E assim, acabamos por pensar “Afinal o que eu digo não interessa”. É por isso que é preciso ter a coragem para ser o primeiro a atirar a bola. Algumas vezes, quando finalmente arranjamos coragem para atirar a bola a outra pessoa, ela desvia-a para o lado. Alguma vez isto lhe aconteceu? Ou lançamos uma bola com toda a nossa alma, e a pessoa a quem atiramos devolve-a com um pontapé... Alguma vez isso lhe aconteceu? Ou atiramos uma bola muito rica e muito grande, que nos é devolvida muito mais magrinha... Alguma vez isso lhe aconteceu?

Já alguma vez disse a si próprio, “Em vez de atirar a bola eu mesmo, e ser infeliz, é melhor não a atirar nunca e esperar que alguém ma atire”? Mas e se ninguém a atira...?
Você não é o único a ser inesperadamente rejeitado, a receber a bola de volta, intocada, a ser infeliz. Talvez dê também pontapés nas bolas algumas vezes, e faça alguém infeliz, sem saber que o está a fazer! Todos nós queremos que as bolas que atiramos sejam aceites. Todos nós queremos ter alguém que ouça o que temos para dizer. Todos nós queremos que os outros saibam que existimos. Mas quem é que realmente está pronto para aceitar todos aqueles que querem que os outros dêem por eles? Se a pessoa a quem atiramos uma bola com toda a nossa alma a apanhar, e se nós apanharmos a bola que essa pessoa nos lança de volta, então um acto de comunicação acontece. Mas às vezes sentimos, “Ele não a apanha do modo como eu queria que o fizesse!” Ou, “Não há maneira de eu poder apanhar a bola que ele me atirou!”
Há sempre infelizmente muitas tentativas de comunicação que não chegam a concretizar-se. Quando as comunicações não concretizadas se acumulam, as nossas emoções tornam-se instáveis. Tornamo-nos tristes , preocupados, zangados, preconceituosos, pouco amigáveis. E, de vez em quando, explodimos... Então, pouco a pouco, chegamos a um ponto em que não sentimos nada... E mais tarde ou mais cedo, estamos sós.
Se a pessoa a quem atirámos a bola não a apanhou como queríamos não a culpemos por isso. Talvez seja simplesmente porque ela não é uma boa jogadora de andebol. Talvez seja só porque estava nervosa e a mão lhe escorregou. Talvez seja só porque a nossa bola era demasiado pesada.
Se o seu patrão ou os seus pais ou o seu parceiro nunca o deixam dizer de sua justiça, como é que isso o faz sentir-se? Se, pelo contrário, lhe atiram três ou quatro bolas ao mesmo tempo, como é que isso o faz sentir-se?

A sua capacidade de comunicar pode ser avaliada pela reacção da pessoa com quem está a tentar comunicar. Mesmo que você não o queira admitir. Há uma boa e uma má maneira de comunicar.
Trocar comunicação é uma boa maneira de comunicar. Não trocar comunicação é uma má maneira de Comunicar. É igualmente mau trocar alguma coisa que parece Comunicar – mas que, na verdade, o não é.
O que significa parecer comunicar? Falar somente sobre o tempo, ou sobre desportos, ou sobre o sexo oposto é parecer comunicar. Falar somente do papel que desempenhamos na vida (como alguém mais velho, como professor, como jovem, como marido, como esposa) é parecer comunicar. Quando se trocam banalidades apenas parecidas com comunicar não se corre o risco de aparentar solidão ou sentir dor. Não temos de nos preocupar com sentimentos ou raciocínios inesperados. Mas também não experimentamos a alegria súbita e irresistível – ou o sentimento de estarmos realmente vivos.

Se o comportamento da pessoa com quem se está a comunicar não muda, quer dizer que não houve realmente qualquer comunicação entre vós. Houve apenas jogos sociais. A verdadeira comunicação gera sempre um novo comportamento. Há uma diferença entre comunicar com pessoas e simplesmente confirmar relações existentes entre elas. As relações tornam-se rígidas. Comunicar pode mudar isso.
Que tipo de relações quer ter? Uma das dificuldades que há em comunicar é que sempre que dizemos que queremos ser amigos de alguém estamos, na verdade, apostados em mostrar a essa pessoa que somos um pouco melhores do que ele ou ela é.
Que espécie de relacionamentos quer ter com outra pessoa? Um relacionamento unilateral? Querem ignorar-se um ao outro? Jogar com brutalidade? Ou esconder os vossos sentimentos? “Se ao menos eu fosse melhor do que ele ou ela” diz você. Sem nos apercebermos disso, usamos muitas vezes a comunicação como um meio de competir. Lembre-se porém: Só se atinge um novo nível de comunicação com aquilo a que pode chamar-se compreensão. As pessoas mudam o seu comportamento quando se sentem compreendidas.

Gostar de outra pessoa não é necessariamente compreende-la. Se há uma pessoa de quem simplesmente não goste, esforce-se por conhecer primeiro o “eu” que não gosta dessa pessoa. A forma como conhecemos outra pessoa coincide inteiramente com a forma como nos conhecemos a nós próprios. Conhecer é saber ouvir o que a outra pessoa está a dizer.
“Quero falar sobre os meus sentimentos”, pode você dizer, “mas ninguém me ouve.” Não é o único que pensa isto muitas vezes. De facto, isso é o que acontece sempre que as pessoas tentam usar a comunicação para competir, em vez de conhecer. Enquanto pensar que a capacidade para comunicar idêntica à capacidade para falar, nunca experimentará um sentimento de união com outra pessoa. A capacidade para comunicar depende da capacidade para fazer a outra pessoa falar – e da sua capacidade para ouvir o que ela está a dizer. Só se ouve verdadeiramente quando se ouve tudo o que a pessoa está a dizer sem julgar, ou negar, ou comparar essa pessoa connosco.

Se se está verdadeiramente a ouvir, e se está preparado para compreender, será fácil para a outra pessoa falar. Mesmo que a bola seja difícil de apanhar, ou tenha sido atirada debilmente,
se fizer o seu melhor para a apanhar... consegue! Não conseguirá apanhar nenhuma bola se se limitar a esperar. Se está pronto realmente para conhecer, dê um passo em frente. Use o seu corpo todo. Estenda a sua mão e descubra o que está mesmo à sua frente. Se pensa que compreender outra pessoa significa concordar com tudo o que ela diz e faz, a compreensão não será fácil.

Conhecer significa ouvir tudo o que a outra pessoa tem para dizer a tomar o que a outra pessoa diz pelo seu valor facial. Se há compreensão, pode ter-se pensamentos diferentes, interesses diferentes, sentimentos diferentes – e ainda assim estar juntos. Quando o conhecimento ocorre, atinge-se um outro patamar de comunicação. Quando um determinado patamar de comunicação se cumpre, sentimo-nos um pouco aliviados. Quando duas pessoas se encontram pela primeira vez, ambas estão nervosas. O problema não é o nervosismo. O problema está em tentar escondê-lo.

Às vezes, você preocupa-se tanto em atirar bem a bola que esquece a preocupação e age como se nada estivesse errado. Ou preocupa-se tanto em apanhar bem a bola que esquece a preocupação e age como se nada estivesse errado. No próprio instante em que deixa de agir como se nada estivesse errado, começa a conhecer-se a si mesmo. Somente depois de você se conhecer a si mesmo pode ocorrer a verdadeira comunicação.

“Quero falar-te dos meus sentimentos.” No momento em que começar a sentir deste modo, começa a atirar bolas que são fáceis de apanhar. (É impossível que alguém que não tenha jogado
muitas vezes andebol apanhe bolas rápidas e em curva, mesmo que queira muito consegui-lo. Se a pessoa com quem está a jogar não estiver pronta para o conhecer, atire-lhe uma bola que seja fácil de apanhar.)

Vivemos graças à comunicação. Quando a nossa comunicação com alguém se altera, a nossa relação com os outros muda também. Tal como muda a nossa relação com o trabalho e a nossa relação com a vida. Até a nossa relação connosco mesmos mudará igualmente.

“Quero falar-te dos meus sentimentos.”
É assim que a comunicação começa.


Mamoru Itoh
 
 

segunda-feira, janeiro 09, 2012

A liberdade é uma maluca

"A dependência é uma besta que dá cabo do desejo, a liberdade é uma maluca que sabe quanto vale um beijo..." Jorge Palma, A gente vai continuar.

"Frágil ....  sinto-me frágil", my friend, é o que me apraz dizer.... quero verdadeiramente sentir-me livre, mais do que me sentir livre, quero ser livre. Livre das dependências, livre de me sentir agarrada a um mundo onde por certo governam as Leis de Murphy. A um mundo, a um momento em que já não tenho estrutura para o que de mau ainda está por vir. Já chega! É tempo de viragem, a liberdade é sem dúvida uma maluca mas antes maluca que completamente débil e sem alimento para a alma. Dependência vai-te, leave the building, já compreendi e absorvi a lição, já a estou a por em prática. Mas faz-me um favor não me tentes o juízo, não me digas e mostres todo o santo dia o quanto és perniciosa e sugadora das vivências. Vai, ontem!
Liberdade, vida, sorrisos, energia boa por favor entrem pela porta principal. Arrebatem todo o meu ser com uma energia forte que se entranhe nas horas dos dias que passam. Vinde sem medos, e entrai na minha sala, ocupai todas as divisões do meu ser. Vou acender-vos uma lareira quentinha, vamos ser felizes? Vamos beijar cada dia, como se amanhã ainda fosse melhor que hoje, sem tantas preocupações. Janelas, janelinhas abri-vos e deixai-me entrar nesses mundos que me esperam. Vamos ser livres, sorrir, criar, viver, projectar. Vamos viajar, vamos? Agarra-te a mim e deixa-te estar, sim?
 

A dependência é uma besta...

Tira a mão do queixo não penses mais nisso
o que lá vai já deu o que tinha a dar
quem ganhou ganhou e usou-se disso
quem perdeu há-de ter mais cartas p´ra dar
E enquanto alguns fazem figura
outros sucumbem á batota
chega a onde tu quiseres
mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada p´ra andar
a gente não vai parar
enquanto houver estrada p´ra andar
enquanto houver ventos e mar
a gente vai continuar
enquanto houver ventos e mar

todos não pagamos por tudo o que usamos
o sistema é antigo e não poupa ninguém
somos todos escravos do que precisamos
reduz as necessidades se queres passar bem

que a dependência é uma besta
que dá cabo do desejo
a liberdade é uma maluca
que sabe quanto vale um beijo...
 
 

sexta-feira, janeiro 06, 2012

As camadas mais profundas...


" A cura emocional profunda leva tempo. Não pode ser apressada ou forçada. Precisa de se abrir no seu próprio tempo, levando por vezes um bom número de anos para se mover através das camadas mais profundas. Felizmente, à medida que cada camada é curada, a vida torna-se cada vez mais plena e compensadora e, na realidade ilumina-se."

Os quatro níveis da cura, Shakti Gawain

Pronto, pronto... sossega sim... para quê mentir ainda reside em mim aquela esperança agarrada às festividades e à magia dos momentos. Existe, ainda, uma tiny winy esperança de que aconteça magia. É como se todo o meu ser vivesse com as suas energias concentradas à espera daquele momento maravilhoso. Ouvia ontem no masterchef um concorrente usar a expressão 8 camadas de sofrimento ao criar um bolo. O meu bolo mental deve ter umas 10 camadas de sofrimento e aumenta de dia para dia. Quem dera que os pensamentos negativos tivessem um peso 10 vezes inferior aos pensamentos positivos e energias positivas. Devia ser obrigatório as energias positivas duplicarem, quadruplicarem e proporcionalmente os desejos bons e verdadeiramente espirituais concretizarem-se. Universo querido, conspira a meu favor, traz-me luz e magia. Só um bocadinho sim? Preciso de um sorriso espontâneo, um rasgo de vida, uma lufada de ar fresco. E se poder ser uma injecção daquele miminho quentinho que aquece o coração, sim? Fingers crossed!

quinta-feira, janeiro 05, 2012

O pó dos dias (II)


"Não sei como chamar a quem não fica nem amigo nem amor. Não encontrar um nome que descreva alguém assim talvez queira dizer que essas pessoas ficam em todo o lado e em lado nenhum. E, se bem me parece, é nisso que elas nos incomodam mais. Não fica amor, pelas razões que se imagina. Nem fica amigo porque, por mais que se exija tanto assim ao coração, ele nunca se esquece de quem o magoa. E desamparo, pela mão de quem se ama, dói demais. Às vezes, chamo-lhe afinadores (como se o nosso coração fosse um piano). Ajudam-nos a afinar para a subtileza de tudo o que sentimos. Para a forma como nos despertam ou nos agitam. Para o modo como nos arrepiam (sempre que nos falam ao ouvido). Ou para o jeito de dizer «gosto de ti». Para o modo como nos cheiram ou se chegam a nós, e acarinham. Para o furor das suas fúrias e para o encantamento que nos colocam à pele, sempre que são ingénuas. Para o modo como tocam, por dentro, e remexem por fora. Para as lágrimas que deixam ao nosso cuidado. Para  o modo como nos desabotoam os olhos. E, sempre que abrem neles outra janela, para o jeito de nunca os deixarem às escuras. Para o suor que, sempre que se mistura, nos adoça. E, é claro, para as figuras tristes e para as mensagens. Parvas."

Eduardo Sá, Nunca se perde uma paixão


Estou com estas palavras no olhar e o coração nas mãos, ainda. E batem forte cá dentro, como quem tem o meu nome impregnado do afecto que estas palavras transmitem, da verdade e dureza que a vida pode ser, quando as palavras nem amigo nem amor, fazem o desespero acordar sobressaltado como se alvorada fosse. E o som estridente do sofrimento soasse em torno do meu corpo inerte e cansado, triste e doente. Desejoso de ti e do amor que sentes e preferes calar e distanciar por força de não saberes ser feliz.  A distância ajuda a que os teus olhos não sintam e o teu coração não veja. Jogaste bem não me permitiste nem mais um vislumbrar sequer do teu sorriso. A tua defesa foi e será sempre o melhor ataque. Sei como o calor das minhas mãos pode queimar a ferida que existe dentro de ti. Sei o quanto te lembram do que não viveste. Sei o quanto o meu beijo te deixa a suspirar e o quanto a chuva não assume a metáfora dos dias felizes. Sei, sinto... um tremor só de pensar. 



quarta-feira, janeiro 04, 2012

O pó dos dias ...


"Somos sempre tão pequeninos diante do amor! Não que ele seja uma tarefa desmedida. Pelo contrário. O amor é, entre todas as relações, seguramente, a mais simples. Mas atropelam-se tantas páginas em branco nos nossos gestos! Fomos tão ensinados a ser tão pouco transparentes, tão pouco espontâneos e tão pouco autênticos que são as palavras que não dizemos, quando sentimos, que nos azedam para o amor e nos trazem muitos nunca mais.
Todos nós nos desencontramos para o amor. Porque toda a verdade num gesto só é muito dificil. E porque somos mais vezes sabichões que sábios. Sobretudo diante do amor. E porque pedimos desculpa poucas vezes. É dificil termos uma experiência riquissima e complexa e sermos claros e expeditos, sempre que a confiamos aos outros. É dificil sermos sábios e sermos simples. E será por isso que, à medida que crescemos estamos mais habilitados para amar e mais distanciáveis do amor. A mim parece-me que, sempre que nos sentimos amados, nos tornamos todos um bocadinho egocêntricos. Quando nos sentimos o melhor do mundo para alguém compreende-se que seja assim. Mas, mais tarde ou mais cedo, as pessoas que nos amam desencontram-se do nosso crescimento e, no lugar do seu amor, deixam, sobretudo descuido e desamparo."



Já passou...foi o fim de ano mais introspectivo e inesperado de sempre... Acho que nunca me tinha emocionado tanto sozinha na vida. Comecei a aprender a andar sozinha pelos caminhos..
Começaram, mais ou menos, assim os primeiros dias do ano. Profundamente embrenhada neste livro maravilhoso. Prenda de Natal da mana, por sugestão da mãe (ena... uma prenda directa ao coração, plimmmm). 
Acabei agora de o ler e apetece-me abraçar alguém. Apetece-me que o afecto voe e as pessoas se sintam amadas. Apetece-me que o pó dos dias não se acumule nas prateleiras da vida, sorrio tanto com as metáforas ternurentas do Professor Eduardo, quase que consigo ouvir a sua voz doce e meiga. 
As pessoas deviam ter escrito nas agendas, calendários, iphones, etc, etc lembretes com mensagens, verdadeiras injecções de vida. Para nunca se esquecerem de cuidar e mimar as pessoas que estão na fila da frente das suas vidas. E pronto é isto, tenho dito...

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Resumo do ano

"Perdi-me dentro de mim porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto 
É com saudades de mim."

Dispersão, Mário Sá Carneiro

Existem poemas que guardo comigo ao longo dos anos e aos quais volto sempre. Hoje entendo o quanto  este senhor conseguiu expressar o que sempre senti nos momentos mais recônditos do meu ser. Quando a solidão me atravessa e sinto que já não sei viver com ela, a vida mostra-me o quanto ainda tenho para aprender, o quanto ainda tenho que me aceitar, o quanto não nutro de um amor incondicional por mim própria que seria fundamental para me dar forças nesta caminhada. 
Hoje voltei a folhear o meu caderno de frases deste ano e volto a reescrever o poeta dos poetas. Preciso que a sua sabedoria me ilumine, me faça entender que a luz está dentro de mim mas isso não basta tenho que acreditar nela e na sua força.

"Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente. Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um."

Fernando Pessoa, O grande...






terça-feira, dezembro 20, 2011

Wishlist II

Estou numa luta constante entre a minha escuridão e a minha luz. E por mais voltas que dê, por mais que me controle, por mais esforços que faça, por mais que tente libertar todas as energias negativas, volta sempre a nuvem. É verdade que não tenho motivos para sorrir, aliás tenho .... saúde, tenho uma família que me apoia imenso, tenho amigas especiais que fazem do longe perto e estão sempre por perto.
Não estou bem, estou profundamente triste. É quase Natal e só me apetecia acordar em Março. Não existe luz que vislumbre neste momento. Estou para lá de triste na fronteira entre não sei quem sou e para onde vou. Não é agradável. O balanço deste ano é tudo menos positivo. Queria sentir forças para reagir, para arriscar, para ir para fora sem pensar em tudo e todos. Mas sobretudo queria ficar, ter a possibilidade de criar um cantinho só meu, ser livre de dependências económicas, poder trabalhar e sorrir. Sei quanto consigo embrenhar-me na solidão mas também sei que se aspiro algo, encontrar algo intermédio ou verdadeiramente fora de expectativa sei o quanto me deprime, sei o quanto vou definhar, sei........ já estive nesse lugar e não é bom. É verdadeiramente mau. Mais do que angustiante é um passo para o abismo interior. Existem limites para o sofrimento mas se existe algo que me causa sofrimento suficiente é sentir que as minhas capacidades estão aplicadas em actividades que em nada alimentam o meu sorriso e nada me fazem sentir valorizada. Sei o quanto preciso de um empurrão de luz, uma injecção tremenda de vida, preciso de oportunidades e não sei que maiores esforços posso colocar em prática para as alcançar. Sei o quanto preciso de sentir que não faço a caminhada sozinha, sei o quanto me pesa, sei o quanto preciso de me sentir bem sozinha e não sei onde está o equilíbrio. 
Estou esgotada por nem sempre ser compreendida, sobretudo por não ser tolerada, por não ser respeitada. Estou esgotada por me sentir diferente e sentir que as pessoas mais próximas não poderem perceber o meu espaço, o meu silêncio. 
Preciso urgentemente de amor, preciso de percorrer novos caminhos, preciso de me sentir a respirar. Preciso de sair daqui.

domingo, dezembro 18, 2011

Wishlist

É quase... quase Natal. Ou talvez já seja Natal no meu coração não é um dia é uma época. Ao longo dos anos de faculdade foi sempre uma época de dias quentinhos à lareira a estudar horas a fio numa preparação incessante para os exames. Era tempo de chegar à terrinha, acordar, não tirar pijama e sentar-me à lareira com os imensos apontamentos. Adoro o Natal e nos últimos anos digo sempre que é das épocas que mais detesto pois é das épocas que mais mexe comigo. É como se fosse uma combinação bombástica de emoções e sentimentos aliados a uma época de amor,  que nem tempo nos dá para assimilar todas essas emoções porque quando damos por nós já passou e já é tempo de fazer o balanço do ano com a passagem de ano, qual morte súbita, que nos faz recordar em flashback todos os momentos mais significativos do ano. E como se esta mistura explosiva não bastasse dali a um mês e pouco é o meu aniversário. São três momentos do ano que me deixam sempre knock out. São talvez os momentos que mais gostaria de ter partilhado nos últimos anos com alguém verdadeiramente especial. E agora são apenas aqueles anos somados em que ano após ano, ninguém esteve lá para mim assim. Não foi um ano, não foram dois, foram cerca de dez anos dedicados a uma vida em que as pessoas amigos e companheiros de fases boas e menos boas estiveram lá de forma fugaz. Nem sempre soube reconhecer o amor em pequenos gestos e lamento muito. Quando vivemos à espera de que as pessoas nos valorizem verdadeiramente, quando esperamos tempo demais por algo maior, quando optamos por acreditar que algures vai acontecer alcançarmos o que tanto desejávamos... perdemos momentos preciosos por desejarmos algo mais especial.... aquele sentimento que nos enche de vida e faz sentir verdadeiramente queridos e amados. Este Natal desejo apenas que essas pessoas todas sintam o quanto as amo, de diferentes formas mas amo e o quanto fazem parte de mim. Desejo que em especial uma pessoa consiga sentir em dobro dentro de si toda a energia e amor que este ano me fez sentir. Desejo especialmente que essa energia e toda a que possa reunir no seu coração se harmonize ao ponto de a fazer sentir especial e de conseguir miraculosamente curar todas as energias negativas e sentimentos que bloqueiam a vida e a harmonia. E se estes desejos se concretizarem este Natal será verdadeiramente abençoado.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Mente tagarela

" A luz é demasiado dolorosa para alguém que queira permanecer nas trevas." ECKHART TOLLE

No último mês comprei mais livros que no ano todo. E eu compro sempre livros demais, existe uma atracção entre mim e as livrarias. Se existe algo que adoro é passear por uma livraria e ver as novidades. Colocar nas minhas listas mentais quais serão os próximos, quais farão parte da minha biblioteca pessoal e mágica daqui a uns anos. Sou tremendamente materialista neste aspecto. Imagino sempre que um dia vou ter uma biblioteca linda, um espaço bem iluminado com um cadeirão em baloiço bem fofinho, assim um cantinho do céu.
Adoro percorrer um livro e sublinhar as minhas partes favoritas, adoro passado uns dias, meses ou até anos recordar as partes que sublinhei. Adoro lembrar-me de determinada parte e conseguir encontrá-la em segundos porque está sublinhada. Adoro ser feliz com as minhas frases e sentir-me bem com a sabedoria que estas emanam. Tenho lido para além da conta.Tem-me ajudado para além da conta. Tem sido uma grande terapia. Ler e escrever são pilares da minha pessoa desde que me conheço. Tenho imensos cadernos e caderninhos de cores, feitios e tamanhos diversos. Tenho tantas histórias e pensamentos escritos, tenho os meus amores em diários que representam verdadeiras viagens ao passado.
O último livro que li tinha esta frase incrível, tenho-me dedicado a leituras mais espirituais cheguei a um ponto de ruptura bastante esgotante e a minha porta para uma iluminação maior tem sido sem duvida a leitura. Nos últimos tempos tenho percebido o quanto me tenho feito sofrer por ser tão agarrada às minhas ideias mentais, por ter uma mente tão tagarela e compulsiva que mal consigo acompanhar. Consigo perceber agora o quanto temos o poder e a energia para travar o pensamento compulsivo e os sentimentos compulsivos. Tenho dias melhores que outros, nem sempre consigo controlar ou travar os pensamentos negativos que me geram sofrimento atroz. A minha mente é capaz de reproduzir e analisar pormenores inacreditáveis e atribuir-lhes significados imensos. Consequentemente, quanto mais significados atribuo mais espero de determinada situação ou de determinada pessoa. A mente é um labirinto esgotante que podemos escolher abrandar e controlar para não nos submetermos a doses incríveis de sofrimento. Estou a aprender a lidar com esta nova aprendizagem, estou a tentar pensar menos e a sentir a energia positiva que sei que trago comigo. Espero conseguir atrair muita energia positiva e fazer chegar às pessoas que me rodeiam o quanto as amo e lhes quero bem. 



sexta-feira, dezembro 09, 2011

No matter what


Não estou a conseguir controlar o vaivém de emoções, o estado a que as coisas chegaram é tão degradante. Entristece-me até ao tutano, esgota-me, não existe brilho, não existe luz. Não existe nada que possa admirar, não existe uma réstia de esperança neste momento. Existo eu apenas, na encruzilhada a que cheguei, sem rumo. E não existe nada de que orgulhe depois de ter dito tudo o que pensava e sentia. Não me arrependo de nada, apenas pensei que a sinceridade me valesse mais do que valeu. Achei que a pureza do ser pudesse fazer brotar a luz e mostrar o quanto se pode ser livre. O quanto se pode demonstrar e deve dizer tudo, o quanto não devemos guardar para prolongar o sofrimento. Achei que a vida ia ser generosa, achei que tinha aprendido a não sofrer para dentro, achei que estava a fazer tudo de forma diferente e melhor... E afinal a intenção, não passou disso de intenção. É muito difícil encontrar pessoas puras, mas mais difícil de superar é achar que encontramos pessoas assim e estarmos terrivelmente enganados. É algo que nos devora as entranhas, ter que assumir que afinal aquela pessoa por quem púnhamos a mão no fogo, que vimos chorar, com quem lavamos a alma e renovamos a vida, que essa pessoa não reage aos mesmos valores.
Resta-me parar de olhar para trás, impedir-me de respirar este ar, cortar as amarras, deixar de procurar respostas a perguntas... a transparência das vivências não é para todos. A capacidade de comunicação, interpretação e de expressão não é igual. Somos todos tão diferentes e tão iguais. E transtorna-me, irá sempre transtornar-me a falta de valores. E o quanto as pessoas não estão lá umas para as outras no matter what. 

domingo, dezembro 04, 2011

The start of my greatest fight...


É agora que começa a dor que consegue ser mais excruciante. É agora que tenho que me parar. É agora que tenho que me obrigar a reagir. É agora que a luta interior se intensifica. Não me posso permitir continuar a lamber as feridas ... sei que se o continuar a fazer passarão dias, meses e anos e eu estarei aqui a afundar-me. Está na hora de quebrar o ciclo, não me posso negligenciar a esse ponto novamente. Não me posso afundar novamente a esse nível destrutivo. Não posso, mas não sei se consigo. Ainda estás aqui cravado no meu peito. Ainda sinto um amor profundo, ainda me derreto ao ver o teu sorriso, ainda sinto o teu abraço forte, o teu perfume, a tua voz, o teu beijo...ainda espero um milagre que mude tudo. Que nos faça ser pessoas melhores. Ainda acredito que a qualquer momento me digas que a vida vale a pena ser vivida nas asas do teu voar. 
Eu tentei, à minha maneira, tentei ser uma pessoa melhor. Tentei engolir o orgulho, todo o ressentimento e mágoa. Tentei por momentos abdicar desses sentimentos que me afastam de ti e ser pura e genuína. Mais uma vez me afundei. Tenho que me agarrar a um egoísmo que não sei onde ir buscar, a sentimentos que tenho que construir do nada e não sei onde buscar. Tenho que buscar caminhos ainda que os odeie e me façam sentir mal, e ser uma pessoa que não quero ser. Tenho que voar ainda que não saiba voar sozinha. Tenho que ter forças ainda que queira deitar-me e esquecer que existo. Tenho que te deixar partir ainda que saiba que te vou esconder no canto mais especial do meu ser. Tenho que te deixar de respirar, ainda que isso seja perder o sentido, os significados que tanto me agarram à vida. Tenho que me perder nos caminhos tortuosos vezes sem conta até encontrar os certos novamente. Não quero ouvir palavras de conforto...  quero sentir, quero perder-me no meu vazio,  andar com a nuvem o tempo necessário para lhe chamar amiga. Caminhar sem rumo, até conseguir suster a respiração e sentir-me viva. Até chorar incessantemente e sentir que as memórias não estão tão definidas e claras. Até que as emoções e sentimentos se dissipem e já não saiba percorrer os trilhos que me levam até ti. Sei que vou parar e olhar para trás à tua procura. E sei que não estarás lá para me dar a mão. Dói e irá doer por tempo indeterminado. 


quinta-feira, dezembro 01, 2011

Up and down


É incrível como me agarro a ti, como não te quero deixar partir. Como me afecta o quanto não estás ao meu lado. O quanto me consegues ser indiferente. Quero tanto conseguir deixar-te ir, aceitar. Quero aceitar e sentir-me em paz. Quando consigo sentir-me em paz de repente a minha mente arranja uma forma de me fazer sentir em permanente conflito, razões que a própria razão desconhece. E então luto, envolvo-me numa teia comigo mesma e com as minhas convicções. Faço-me acreditar que existe sempre a possibilidade de as pessoas serem melhores, iludo-me com a capacidade de diferenciar as pessoas e a capacidade de serem humanas e sensíveis. E, na maioria das vezes não percebo que sou eu que tenho uma sensibilidade extrema face aos acontecimentos. É como se acreditasse que as pessoas ao passarem por mim jamais me poderão magoar porque o que vivemos assume proporções imensas de uma pureza que me faz suspirar... Sou tão pretensiosa, sou tão pequenina, sou tão eu. E então ando neste zig, zag exaustivo e perpetuo o ciclo vicioso vezes sem conta. Um dia acordo e estou bem comigo, consigo equilibrar as pensamentos, abster-me de acreditar que algo vai mudar... e existe uma paz nisso, uma paz que nos faz não ter expectativa e absorver os dias simples. Outro dia, acordo com uma angústia tremenda, um fervilhar de emoções e sentimentos que me arrastam e fazem agir e talvez afastar-te ainda mais de mim só por te querer aqui cada vez mais a cada dia.

sábado, novembro 26, 2011

Gosto de ti

Hoje sinto um desalento tremendo. As emoções são tantas e variam tanto ao longo dos dias... nem sempre é fácil lidar com elas, aceitá-las. Continuar o caminho, significa às vezes não entender no momento, às vezes é só para sentir. Ontem lançaste aos olhos de todos, a frase «Gosto de ti»... e eu palerma naquele micro-segundo achei que era para mim. Que era a tua forma de chegar até mim. No segundo seguinte senti-me irritada com uma raiva tremenda... não seria para mim ... tu sabes que odeio exposição a esse nível. Olhei várias vezes ... e  revesti-me de um manto de tristeza ... as pessoas hoje em dia não dizem cara na cara gosto de ti, as pessoas usam as sms's, o facebook, o messenger, o skype e tantas outras formas de se expressar. Também às vezes caio nessa tentação. Tenho que me lembrar mais vezes de me expressar, de dizer o que penso, de ser mais genuína. Tenho que me lembrar que os afectos são tão preciosos que devem ser mimados e cuidados tantas vezes quantas possíveis olhos nos olhos, mãos nas mãos.
Toda e qualquer pessoa que não tenha a coragem de dizer, olhos nos olhos o quanto gosta da outra devia ser castigada, até conseguir fazer esse exercício. E, sim pode levar com uma tampa enorme. Não existe nada mais belo e sincero do que falar abertamente do que se sente. Os homens não são educados para dizerem a toda a hora o que sentem... pelo contrário a nossa sociedade pune muito o sexo masculino neste aspecto. Por isso quando vejo seres vivos imensos a expressarem-se a serem espontâneos, sorrio muito. É como se espalhassem magia e pózinhos de perlimpimpim, semeiam luz que se reproduz.. e é maravilhoso ver a magia a circular.
A energia negativa por outro lado, em vez de brilhar, bloqueia, inibe, faz vir ao de cima o pior... e se existe temos que aprender a lidar com ela. Odeio que me digam que a tristeza vai passar... odeio que as pessoas não consigam aceitar a tristeza umas das outras, odeio que as pessoas não saibam lidar com a tristeza e a bloqueiem para mais tarde a virem a sentir com uma intensidade ainda mais profunda e marcante. É preciso sentir o que quer que seja, sem o negar. Hoje estou triste apetece-me ouvir o piano a chorar vezes sem conta. Apetece-me chorar com ele, apetece-me transbordar todas as emoções negativas. Li algures que o acto de chorar permite que as energias se renovem, liberta-nos. Quero ser livre, sei o quanto ainda me prendo a ti. O quanto ainda te abraço, estou a lutar para te deixar ir de dentro de mim. Gosto de ti, sim. Gosto tanto de ti e, por isso, quero-te ver livre e feliz. Quero ser feliz também.

quarta-feira, novembro 23, 2011

Preencher o vazio


Olhar para dentro. Ouvir o que o coração nos pede. Aceitarmos a pessoa em que nos tornamos sem perder de vista as aspirações e objectivos rumo à realização pessoal. Construir pequenas metas a serem alcançadas todos dias. Deixar de te procurar, de te ver, de ter necessidade de te sentir ali longe mas à vista... Perder o controlo, deixar-te ir... custa-me este mundo e o outro. Quando o que continua a pulsar dentro de mim é a vontade incontrolável de correr para ti... de te abraçar... de te perdoar. Tenho medo deste sentimento. Tenho um medo terrível de ser rejeitada, sei que de momento não teria forças para o suportar. É esta a luta dos dias que correm devagar... mas cada vez mais tranquilos. Já consigo aceitar a tua ausência, já consigo compreender. Já não me sinto num conflito pesaroso e sombrio. A luz começa-me a invadir, começo a estipular e estabelecer prioridades. Começo a sentir-me feliz comigo. Esta semana fiz uma pequena viagem a um sítio espiritual... levei comigo duas pessoas incríveis, não existe força e luz maiores que nos iluminem senão a aceitação incondicional que a amizade nos presenteia. Faz-nos desarmar e deixar de dar ouvidos ao crítico incessante que temos dentro de nós. Ajuda-nos miraculosamente a sarar as feridas, a ver a luz, a acreditar em nós e nas outras pessoas.
Ouvi o silêncio, ouvi-me, chorei a tua ausência, verbalizei a minha interpretação dos factos, de todo este processo. Senti-me impotente e pude aceitar a minha incapacidade, a minha pequenez para mudar o que não está ao meu alcance. Aos poucos vou-me reestabelecendo, tenho momentos em que não sei ainda interpretar o que sinto. Mas tenho momentos valiosos de pura clarividência. Converso muito contigo e rio-me de mim a cair na ilusão de te ter por perto. Assim passam os dias.

sexta-feira, novembro 18, 2011

Parar, abastecer...


Aqui parada em frente ao ecrã, estava a pensar no quanto hoje não sei definir o que sinto. Se ontem me fazia rir a ironia da vida, hoje estou bem séria... a olhar para o vazio, cai-me o rosto sem expressão sobre o teclado gasto. Os degraus são imensos e as forças para olhar para cima e subir são a este ponto escassas. Espero acordar amanhã de energias renovadas. Foi uma noite pesada, um turbilhão de pensamentos, a cabeça às voltas com tantas verdades e revelações. Estou naquele corredor entre o passado e futuro e inevitavelmente continuo a olhar para o passado e a reviver tudo, a analisar tudo para ver se não ficam dúvidas, se não estarei enganada nas minhas percepções. As memórias bloqueiam o meu fluir, não me deixam partir e não te deixam partir facilmente. Ainda te procuro, ainda te sinto, ainda te quero aqui. Sei que vai passar, tem que passar. O que não passa neste preciso momento é aquela esperança, aquela luz pequenina... aquela réstia de luz...que me lembra que ainda estás aqui bem dentro de mim. Deixar-te partir, não pensar em ti, não te querer aqui, é das missões mais dolorosas. E aqui para nós devia ser proibido! Um dia de cada vez. Não posso dar passos para trás. Existem dias em que mesmo que não consigamos seguir em frente é preciso parar, abastecer, antes de seguir caminho.

quinta-feira, novembro 17, 2011

Verdades reveladoras


Lembro-me dos tempos de estudante, em que a minha melhor amiga estudante de psicologia estava a estudar para um exame e partilha comigo o que estava a estudar. Disse ela um dia: «Segundo o que diz aqui devemos fugir da paixão.» Fiquei a pensar naquilo, nunca me esqueci pelo impacto que me causou. Fugir da paixão? What? Fugir daquele sentimento que nos faz parar no tempo e sentir vivos? Not a chance, I want it so bad. Agora já entendo, agora essa verdade fica clara. Agora entendo a diferença entre Eros (amor apaixonado) e Agape (amor mútuo profundo, livre de paixão), é tão estonteante e tão difícil de alcançar esta diferença, tão difícil aceitá-la. 
Ainda estou a digerir, acabo de perceber que fui abandonada porque ele não conseguiu lidar com o agape... a tal tranquilidade que se reflecte pela ausência da paixão inebriante. Toda a minha vida procurei o Eros, toda a minha vida pensei que devia procurar o tal click, toda a minha vida fiz o contrário do que os psicólogos dizem e toda a minha minha sofri. 
No dia em que encontrei o Agape, ele abandonou-me porque dizia gosto de ti mas não sinto o tal click. Apetece-me rir à gargalhada, correr para ele e contar-lhe das minhas descobertas e verdades. Se a vida consegue ser irónica, este momento é efectivamente o cúmulo da ironia. 
Não percorri, ainda, a minha estrada rumo à descoberta e desenvolvimento pessoal que necessito para estar com alguém. Mas não devia alguém ter-me explicado isto antes e evitar tanto sofrimento? A resposta é não! E por isso, não devo partilhar contigo, devo deixar-te ir percorrer a tua própria estrada. A prova de que ainda não estou preparada é este impulso forte de te contactar e partilhar, resgatar-te enquanto é tempo... ;-)... as desculpas que damos para justificar cair no mesmo esquema são tramadas, verdadeiras armadilhas...:-p 
Preciso de construir bem os alicerces para não desmoronar de novo. O meu mundo desmoronou, a minha vida parou face aos níveis de vazio que sentia, preciso de me cuidar, preciso de me dizer a mim própria todos dias que um castelo não se constrói num dia. 

"Pedras no caminho? Guardo-as todas .... Um dia .... um dia .... construirei um castelo!"


quarta-feira, novembro 16, 2011

(Des)Construção...


"Deito fora as imagens, sem ti para que me servem as imagens? Preciso habituar-me a substituir-te pelo vento, que está em toda a parte e cuja direcção é igualmente passageira e verídica. Preciso habituar-me ao eco dos teus passos numa casa deserta, ao trémulo vigor de todos os teus gestos invisíveis, à canção que tu cantas e que mais ninguém ouve a não ser eu. Serei feliz sem as imagens. As imagens não dão felicidade a ninguém. Era mais difícil perder-te, e, no entanto, perdi-te. Era mais difícil inventar-te, e eu te inventei. Posso passar sem as imagens assim como posso passar sem ti. E hei-de ser feliz ainda que isso não seja ser feliz."

Raul de Carvalho

terça-feira, novembro 15, 2011

Long road...


"Existe muito sofrimento na vida e talvez o único sofrimento que possa ser evitado seja o sofrimento causado por tentar evitar o sofrimento. Laing

Toda a minha vida me orgulhei de mim, dos meus sentimentos, tanto que sempre consegui ir além, alcançar níveis de sofrimento tão inimagináveis... justificar a mim mesma porque continuava a estar ali para alguém que não estava ali de forma recíproca. 
Começo a entender cada vez mais a importância de preencher o vazio, de deixar de cuidar dos outros e estar lá para eles. Começo a entender a importância de ser egoísta e cuidar de mim. Algures entre o que sei e o que consigo alcançar existe um certo abismo, uma voz que me relembra vezes sem conta então e os valores e a happiness only real when shared?! Afinal é preciso moderar o sentir tudo de todas as maneiras, o viver o momento, o estar lá para os outros. Como se preenche o vazio... é essa a estrada que agora percorro. Sei algumas respostas, mas olho para elas e olho para eles lá trás.. todinhos e não consigo não me preocupar. Não pensar, não imaginar se estão bem, como estão. Dado que entraram na minha vida para mim isso é sinónimo de me preocupar de estar lá ad eternum. Tão tolinha! Sempre me orgulhei por ser uma excelente cuidadora, todos os que me abandonaram .... voltaram uma, duas, três vezes ou mais.... Agora percebo a eficácia do meu colo, o quanto o porto de abrigo que consigo ser traz paz, acalma, conforta, faz com que as pessoas se sintam amadas. Costumava usar a metáfora de que estavam o tempo suficiente para me sugar tudo o que tinha de bom, para receberem amor e mimo, abastecer e seguir vida fora. Não existe nada de mais estimulante do que nos sentirmos amados, nada nos levanta mais a moral mesmo que o sentimento não seja recíproco e não tenhamos essa noção. Dá-nos a sensação de termos valor, valoriza-nos tanto que inconscientemente sentimos uma força que nos permite assumir o controlo novamente. O reforço ao nível da auto-estima representa um estado de euforia e adrenalina verdadeiramente libertador.
O problema, o grande problema da questão é a abnegação por que passei ao longo desses anos, o quanto me infligi sofrimento e dor, o quanto me privei de ser cuidada, o quanto não fui egoísta, o quanto me destruí sem saber. Viver o momento, estatelar-me contra a parede, levantar-me ... eu assumi vezes sem conta o desafio.. eu não sabia o quanto me estava a afundar, o quanto me menosprezei, eu não sabia, eu não consegui identificar o quanto eu merecia igualmente o amor incondicional. Achava que tinha uma capacidade e flexibilidade para aceitar as pessoas na minha vida imensa e os outros não eram mais exigentes. Hoje sei que cuidar dos outros era uma forma de investir neles e achar que podiam mudar e efectivamente fazê-los olhar para mim. É tempo de olhar para mim, de me cuidar, de preencher o vazio.... Como? Não sei ...




I think last night you were driving circles around me ...

...and I'm still waving saying goodbye... but my broken heart wont let you go!









segunda-feira, novembro 14, 2011

Angústia


Esta Velha Angústia Esta velha angústia,
Esta angústia que trago há séculos em mim,
Transbordou da vasilha,
Em lágrimas, em grandes imaginações,
Em sonhos em estilo de pesadelo sem terror,
Em grandes emoções súbitas sem sentido nenhum.

Transbordou.
Mal sei como conduzir-me na vida
Com este mal-estar a fazer-me pregas na alma!
Se ao menos endoidecesse deveras!
Mas não: é este estar entre,
Este quase,
Este poder ser que...,
Isto.

Um internado num manicômio é, ao menos, alguém,
Eu sou um internado num manicômio sem manicômio.
Estou doido a frio,
Estou lúcido e louco,
Estou alheio a tudo e igual a todos:
Estou dormindo desperto com sonhos que são loucura
Porque não são sonhos.
Estou assim... 

Álvaro Campos

Healing Process


Estou a tentar aprender de novo a viver no meu silêncio, na minha bolha de privacidade, na minha solidão outrora, tão preciosa e tão necessária. Depois da tua passagem a minha solidão parece um filme de terror. Como diz o poeta, já não sei andar só pelos caminhos. Parece a coisa mais assustadora que terei que re-aprender. O meu telemóvel ficou mudo e quando dou por mim, na ilusão de que ainda estás comigo, ainda espreito ao de leve... As mensagens de bom dia, de boa noite, as mensagens até altas horas incessantemente já não existem, em vez disso o silêncio. As horas a fio, o tango conversacional terminou. A dança que era a nossa comunicação do dia-a-dia, a dança feliz em que nos inebriávamos terminou. Já não existe um único som para contar história. E, por outro lado, existem tantas músicas que me dedicaste, quando vou a conduzir e alguma delas dá na rádio ainda me cai uma lágrima ou outra. Os dias sem ti... a luta... a vida que valia a pena ser vivida nas asas do teu voar... são frases que trago cravadas em mim.
Ainda... fecho os olhos e consigo ver-te a receber-me no elevador, a abraçar-me, a mimar-me, a amar-me. Ainda, te consigo ver a deslizar a face com o teu sorriso enquanto a porta do elevador se fechava. Ainda consigo relembrar o barulho enervante do borbulhar do aquário na sala. Ainda nos vejo no teu sofá preto de olhos esbugalhados a ver aquele programa de culinária. Ainda me lembro do pôr-do-sol na tua varanda.
Cada vez que vejo o rio, a ponte, o nosso sítio, sorrio e lembro-me da tua frase: somos pessoas desta margem. Éramos pessoas daquela margem, com lugar reservado para a paisagem deslumbrante e apaixonante. No outro dia passei por lá e vi um casal no nosso sítio e gritei de raiva, de dor.
Lembro-me da primeira vez que ouvi a tua voz, ao telemóvel quando nos encontramos, lembro-me o quanto me bateu o coração, enquanto ia ao teu encontro sobre a ponte já gelada de tanto frio. Lembro-me. Estás aqui. E é um processo excruciante não saber de ti, quanto mais tirar-te daqui. Aos poucos, dia sim... dia não... vou conseguindo... a solidão volta a preencher os espaços, o tempo, a vida. Perco-me no ciclo vicioso, ora negação, ora raiva, ora depressão... um dia talvez consiga subir ao degrau da aceitação. Aceitar que decidiste partir é doloroso, mais do que poderia imaginar. Estou em busca da luz, da minha luz interior. No entanto, dava tudo, tudinho para ver a tua.