quarta-feira, fevereiro 22, 2012

Ler as emoções

" A raiz do altruísmo reside na empatia, na capacidade de ler as emoções dos outros; quem é incapaz de sentir as necessidades ou o desespero de outra, não pode amar. " Daniel Goleman


Todos nós já experienciamos em alguma altura da vida a incapacidade de outrem para nos entender, ou aliás, não é preciso que nos entenda é preciso que consiga ser empático o suficiente para sentirmos que está ali alguém que se preocupa, que nos ouve no matter what. É preciso que tenha uma postura de receptividade, que assuma uma expressão isenta de crítica, isenta de todas as expressões verbais e não verbais que nos fazem calar pois por mais que nos tentemos fazer entender a posição do outro pode ser tão antagónica que desistimos no primeiro segundo de partilhar.E isso faz-nos tão mal, ficar com as palavras atravessadas sem alguém para nos ouvir.
Podemos sentir isto nos mais diversos contextos, no trabalho, em casa, com os amigos e com a pessoa que mais amamos.
Neste último caso, pergunto-me qual será o limite que nos impomos para estar com alguém quando começamos a sentir que não existe qualquer empatia, não pelo ser com que me relaciono mas com toda a pessoa que existe para lá desse relacionamento. Podemos ser diferentes, ter hobbies distintos, amigos em grupos opostos mas existe no fundo um certo conjunto de valores que não podem deixar de existir e ser compartilhados para que a relação sobreviva positivamente. 
Não percebo porque não consigo racionalizar a falta de empatia para comigo e interpretar isso como distanciamento afectivo. Inexistência de laços verdadeiros e de valores partilhados.
A incapacidade do outro sentir o meu sofrimento e continuar a agir indiferentemente mesmo quando não posso ser mais clara e demonstrar o quanto estou mal numa tentativa de pedir ajuda ao causador do sofrimento. Quando nesta situação alguém continua indiferente... Já vivenciei uma experiência limite em que isso me ajudou a afastar da pessoa e eventualmente o sentimento de sofrimento serenou depois de meses a fio, quase um ano. Consegui perceber que não podia nem mesmo ser amiga e dar importância a alguém que não estava lá para dar e receber numa simples relação de amizade. Foi um verdadeiro murro no estômago a ausência de partilha, a falta de diálogo após a revelação de uma das partes estar em sofrimento. 
Mas não deixa de me  causar estranheza, incompreensão, estamos sempre a mudar, consigo compreender que nem todas as pessoas se encontram na mesma curva de crescimento emocional mas não consigo não me sentir horrorizada. Completamente desorientada pela ausência de diálogo, de empatia, de valores, sobretudo. Estou faz já muito tempo noutra situação a tentar ultrapassar a frieza que a indiferença que me trespassa o coração todos dias, não percebo porque não consigo desligar deste sentimento de incompreensão, porque mantenho o olhar sobre a situação à espera de closure, de um pouco de paz, de valores, de humanidade. Como se muda tanto, como se evita tanto alguém a quem um dia no tempo dedicamos tantas horas e carinho? Causa-me estranheza, causa-me sofrimento atroz. Não devo saber viver o luto das ausências mas sobretudo quando não compreendo não consigo andar em frente. Mas se sofro por tempo demais, ao fim ao cabo sinto-me uma pessoa melhor por acreditar, por ter valores. Por esperar das pessoas mais ... mesmo que estas se afastem e estejam felizes. Continuo a não perceber. Já me disseram que não tenho que entender tudo. Mas é essa falta de encaixe que me falta deixar fluir o distanciamento. É como se estivesse num entroncamento, a pessoa seguiu um caminho e eu fico ali à espera que volte, demore o tempo que demore para conversar e chegar àquele momento em que ambos fiquemos em paz para aí sim cada um poder fluir positivamente e seguir o seu caminho. E se apesar de várias tentativas as pessoas não voltam aquele entroncamento? Causa-me tristeza. Mói-me o juízo, passam meses mas eventualmente até esse sentimento se esgota em si mesmo. Entristece-me o quanto as relações são fugazes, o quanto não se baseiam em valores de respeito, empatia e energia positiva. A falta de co-responsabilidade social. Ninguém é uma ilha, no entanto todos temos pequenas ilhas no coração que guardamos como pequenos oásis onde um dia o amor foi eterno mas onde não se pode tocar, nem voltar.


terça-feira, fevereiro 21, 2012

O amor é eterno enquanto dura


Hoje deambulava por entre as folhas e pétalas das flores do meu jardim quando me ocorreu novamente um pensamento que há dias me fez parar e reflectir o quanto não posso nem devo quantificar o amor. Não perdeste tudo, foste tão feliz e foi tão bom, tão eterno. O amor é imensurável. O amor é tão eterno enquanto dura. Mesmo. E eu tenho sempre a tentação de o prolongar no tempo e no espaço. Se fechar os olhos consigo sorrir e sentir a intensidade dos momentos, tão eternos, tão livres e meus! Nossos! Amo a intensidade dos afectos, sofro a ausência dos mesmos. O silêncio deixa-me sempre à espera de gestos de amor, como se parasse de respirar à espera das surpresas maravilhosas que a vida ainda tem para me revelar. E quanto mais eu desejar mais vai demorar. Eu sei! Assim sou eu, intensa... sim, sou felizmente assim! Amo com a intensidade, sou hipersensível aos gestos, às palavras, sou hiperpensante porque tantas vezes me deixo dominar pelos pensamentos acelerados e desatinados, sou hiperpreocupada comigo e com os que me rodeiam. Não sou especial, sou eu, assim. E, não existe nada que eu queira mudar. Sou emocionalmente densa. Não acredito na felicidade mas sim em momentos felizes. E se os revivo é porque sou feliz dentro deles, da memória eterna de que se nutrem. Hoje quero fluir e deixar o amor fluir. Hoje quero que o amor seja eterno.

"Se tanto me dói que as coisas passem ...

É porque cada instante em mim foi vivo 
Na busca de um bem definitivo 
Em que as coisas de Amor se eternizassem"

Sophia de Mello Breyner Andresen

terça-feira, fevereiro 14, 2012

Inverno emocional

"A flor mais exuberante brota no inverno emocional mais rigoroso." 
Uma flor exuberante surgiu no caos do Inverno psíquico." 
Augusto Cury


Hoje em todo lado somos inundados por mensagens de amor, declarações emocionadas e criativas, frases bonitas e tocantes, imagens inspiradoras e ternurentas. Todos na vida estamos predestinados a sentir paixão, amor e também muitas desilusões e desamor. Lidar com  as perdas de pessoas significativas ao longo da vida revela-se das tarefas mais dolorosas por que passamos. Faz parte do crescimento emocional. Nem todos lidam com isso da mesma forma. Nem todos conseguem respeitar o luto que as pessoas travam. Nem todos conseguem ter a capacidade de ser empático o suficiente para mesmo não podendo sentir o que o outro sente, nem todos tem a grandiosa sensibilidade para estar lá e simplesmente dar apoio incondicional, a famosa escuta activa sem recriminar, estar lá. Claro que existem limites para o luto,  que ultrapassam as margens do saudável. Quantas vezes não soubemos o que dizer a alguém nesta situação, quantas vezes as palavras não existem. Quero muito e todos os dias que passam ser um exemplo de aceitação incondicional, de empatia, de escuta activa, quero, faz parte de ser quem sou, de como me idealizo enquanto pessoa. Tenho a tremenda sorte de ter pessoas assim na minha vida que me ouvem horas a fio e estão lá. E, por isso estou grata. Sou a pessoa mais chata do mundo, oscilo, regrido e progrido nas fases do luto mais do que muito. Tenho feito mais do que muitas aprendizagens nestas épocas. Ao pensar em muitas pessoas à minha volta, que são exemplos vivos de como a vida muda a cada instante e pode ser tão mais leve e feliz,consigo perceber a curva ascendente que percorremos ao longo do nosso crescimento emocional. Agora sei que tudo o que implica sofrimento não é amor. Agora sei que mereço mais do que sempre tive. Agora sei que níveis de partilha vislumbro. Agora sei que a aceitação incondicional é a maior das bênçãos. Agora sei que o amor aprendido existe para comprovar as minhas teorias mirabolantes. Agora sinto que o amor apaixonado (eros) faz parte do nosso crescimento e nos ensina o quanto é importante sermos livres nas nossas vivências e respeitarmos os nossos valores e os dos outros. Mas, sobretudo sei como devo impor limites às experiências que apesar de altamente sensitivas e emocionais nos podem ferir de forma irreparável no tempo e no espaço sem percebermos o quanto elas nos dilaceram por dentro. Agora sei que o àgape (amor profundo) é uma experiência que pude sentir mesmo que por pouco tempo. Agora percebo a importância que o bem-estar assume, percebo a importância de analisar os níveis de reciprocidade como valor ético. A reciprocidade como valor de uma cumplicidade mútua que não se pede mas que se sente e partilha espontaneamente. Assim é, e deve ser o amor. Reciprocidade com as setas viradas nos dois sentidos. O meu bem-estar e o teu bem estar são a fonte inesgotável da energia de que se nutre o amor puro. :)


domingo, fevereiro 05, 2012

Lost in a moment


Adoro séries. Adoro histórias. Ainda bem que não tenho qualquer programa e não faço ideia de como as sacar, essa é a melhor coisa de um vício mantê-lo controlado com algo que simplesmente não controlamos. As novas tecnologias são fantásticas mas eu quero limites. De momento estou a acompanhar a anatomia de grey, californication, gossip girl, walking dead, covert affairs, homeland e existe uma lista de muitas mais que vou vendo e gostava de ver. Este fim de semana ao fazer o update semanal das best of do momento apercebi-me de uma palavra que foi repetida em várias. Ando muito atenta a palavras, ultimamente. Curiosamente andei a pensar sobre isso...E as palavras mais repetidas ou que pelo menos que mais eco tiveram em mim foram I'm in a good place. Excelente expressão. Very beautiful. Pronto gosto, gosto muito. Fez-me reflectir e aflorar as minhas ideias. Não estou num good place psicologicamente. Não sei bem onde estou. Entre um momento de sobrecarga de trabalho esgotante e um momento de inexistência de trabalho. Entre um momento de muita partilha e um momento de nenhuma partilha a nível afectivo. Entre momentos de grande sofrimento sem saber porque sentia tanta tristeza e um momento em que existe tristeza mas já não me fere como feria. O conhecimento que me atravessou nos últimos meses foi tão revelador como purificador. Mas isso não me impede de ser uma romântica incurável, as cicatrizes estão lá para sabermos que vivemos e crescemos e não para reviver os momentos, não para encontrarmos soluções ou respostas a perguntas que ecoam ainda baixinho mas ecoam. A aceitação dos momentos de mudança, de transição e até mesmo de sofrimento demora a chegar mas eventualmente chega. Não sei qual o meu lugar, não sei qual o meu caminho, não sei, estou naquele momento em que não existem setas, caminho apenas todos os dias com a esperança de encontrar água neste meu deserto.

domingo, janeiro 29, 2012

Felicidade = Equação Simples


Dizem os investigadores da área que a felicidade pode ser representada por uma simples equação:

Felicidade = Ponto Fixo Hedonista (40%) + Condições de Vida (7 a 12%) + 
Acções Voluntárias ( +/- 50%)

Shocking !!!!!!!!!!!!!!!!!!!! Quando descobri que esta fórmula existia perguntei-me seriamente porque só naquele dia me havia chegado este tipo de clarividência. O ser humano estuda os fenómenos mais incríveis e este é tão óbvio de se perceber.... ahhh... (suspiro).... the pursuit of happiness!!!
Onde está, para onde vai, como se manifesta, quão mutável é ....quantas condicionantes a afectam... Tantas e imensas perguntas...

O Ponto Fixo Hedonista: mecanismo cerebral que interpreta as situações como problemas (pessoas infelizes) ou oportunidades (pessoas felizes). É EM PARTE HEREDITÁRIO ou afectado pelas experiências vividas na infância. 

A boa notícia é..........que com drogas (que actuam sobre o humor - efeito temporário), terapia cognitiva e meditação (os especialistas dizem que não existe coreografia que consiga que tantos químicos sejam libertados ao mesmo tempo... serotonina, dopamina, oxitocina e endorfinas) podemos superar influências negativas.

Condições de Vida: Qualidade de Vida, Capacidade de Adaptação, Resiliência emocional são as palavras chave.

Acções Voluntárias: Aquilo que escolhemos fazer todos os dias, as escolhas que fazemos...

De todas estas escolhas os especialistas afirmam que sem sombra de dúvidas que a via directa para a felicidade é tornar as outras pessoas felizes. Bem como expressar-nos utilizando a nossa criatividade. Estas duas representam as formas de encontrar a felicidade de forma mais duradoira. 
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Após ter acedido a esta informação fiquei parada no tempo a pensar neste segredo da felicidade tão bem guardado dentro de nós. 
Eu sei que a minha mente é a fonte inesgotável de onde provém a maioria de tudo aquilo que me causa sofrimento .... mas também sei que a mesma é responsável pelas decisões e escolhas que me levarão a ser mais feliz cada dia. Entre a minha luz e a minha sombra... é melhor começar a meditar que em tempo de crise não há dinheiro para terapias cognitivas. Existe uma paz que se instala quando temos acesso a certo tipo de conhecimento. Algures entre esse degrau e a minha escalada para ser uma pessoa mais feliz existe um certo crescimento que sei ....ainda não alcancei. Mas... existe uma paz momentânea após cruzar-me com estes conhecimentos. Tornam-se espirituais, são lanternas a que me agarro quando a sombra me ofusca.




Hiato...


Entre o que eu sei e o que consigo pôr em prática. Entre o que sinto e o que eu sei que não devia sentir. Febre de sentir incontrolável. Anseio profundo que não me larga e corrói. Mente possuída de pensamentos a mil à hora. A serenidade está ali ao fundo mas nem sempre consigo tocar-lhe, controlar as emoções para que domine e se sobreponha. O bem-estar conquista-se bem sei. Mas... existe sempre um mas... Como dizia um actor no outro dia numa entrevista...(eu não diria melhor), é este o sentimento... eu não quero estar triste, eu não quero mas... entre estar e sentir o que verdadeiramente sinto os dias de tristeza sobrepõem-se sempre. É como diz este senhor...

"Quem tu és grita tão alto que não consigo ouvir o que estás a dizer." Ralph Waldo Emerson 

O que sinto é tão ruidoso que não consigo perceber ou interpretar o que significa, a sua dimensão e intensidade. Acho que é isso. E ao não impedir o que sinto sei que eventualmente se esgotará essa fonte inesgotável da sombra. Sei que algures começarei a ver raios de luz. Sei.

quarta-feira, janeiro 11, 2012

Quero Falar-te dos meus sentimentos...




“Quero falar-te dos meus sentimentos”. Foi assim que a comunicação começou.
Comunicar é como jogar andebol. Eu atiro a bola e tu apanha-la. Depois, tu atiras a bola e eu apanho-a . E, outra vez, eu atiro a bola...
“Quero falar-te dos meus sentimentos.” Foi assim que a comunicação começou.
Tal como precisamos de atirar a bola para trás e para a frente para jogar andebol, precisamos de falar uns aos outros dos nossos sentimentos para comunicar.

Se estamos demasiado perto ou excessivamente afastados uns dos outros, não é fácil jogar andebol. A comunicar é o mesmo. Se estivermos muito perto ou demasiado afastados dos nossos amantes ou dos nossos amigos ou de um filho ou dos nossos pais, não será fácil comunicar com eles. A comunicação não começa com ambas as pessoas a falar ao mesmo tempo. O primeiro gesto tem de partir de uma delas. Alguém tem de atirar a primeira bola. Mas você pode não querer ser o primeiro a atirar a bola – pode querer esperar que alguém lha atire. (Porque quando a atira e ninguém tenta apanhá-la, fica infeliz.)

Há alturas em que se sente inesperadamente rejeitado. Há alturas em que atira a bola, querendo jogar andebol com outra pessoa, e acaba por ver essa pessoa atirar a bola a uma terceira. Habituamo-nos desde cedo a que algumas pessoas não ouçam o que lhe queremos dizer. “Agora estou ocupado”, dizem elas. “Falaremos mais tarde, está bem?” E assim, acabamos por pensar “Afinal o que eu digo não interessa”. É por isso que é preciso ter a coragem para ser o primeiro a atirar a bola. Algumas vezes, quando finalmente arranjamos coragem para atirar a bola a outra pessoa, ela desvia-a para o lado. Alguma vez isto lhe aconteceu? Ou lançamos uma bola com toda a nossa alma, e a pessoa a quem atiramos devolve-a com um pontapé... Alguma vez isso lhe aconteceu? Ou atiramos uma bola muito rica e muito grande, que nos é devolvida muito mais magrinha... Alguma vez isso lhe aconteceu?

Já alguma vez disse a si próprio, “Em vez de atirar a bola eu mesmo, e ser infeliz, é melhor não a atirar nunca e esperar que alguém ma atire”? Mas e se ninguém a atira...?
Você não é o único a ser inesperadamente rejeitado, a receber a bola de volta, intocada, a ser infeliz. Talvez dê também pontapés nas bolas algumas vezes, e faça alguém infeliz, sem saber que o está a fazer! Todos nós queremos que as bolas que atiramos sejam aceites. Todos nós queremos ter alguém que ouça o que temos para dizer. Todos nós queremos que os outros saibam que existimos. Mas quem é que realmente está pronto para aceitar todos aqueles que querem que os outros dêem por eles? Se a pessoa a quem atiramos uma bola com toda a nossa alma a apanhar, e se nós apanharmos a bola que essa pessoa nos lança de volta, então um acto de comunicação acontece. Mas às vezes sentimos, “Ele não a apanha do modo como eu queria que o fizesse!” Ou, “Não há maneira de eu poder apanhar a bola que ele me atirou!”
Há sempre infelizmente muitas tentativas de comunicação que não chegam a concretizar-se. Quando as comunicações não concretizadas se acumulam, as nossas emoções tornam-se instáveis. Tornamo-nos tristes , preocupados, zangados, preconceituosos, pouco amigáveis. E, de vez em quando, explodimos... Então, pouco a pouco, chegamos a um ponto em que não sentimos nada... E mais tarde ou mais cedo, estamos sós.
Se a pessoa a quem atirámos a bola não a apanhou como queríamos não a culpemos por isso. Talvez seja simplesmente porque ela não é uma boa jogadora de andebol. Talvez seja só porque estava nervosa e a mão lhe escorregou. Talvez seja só porque a nossa bola era demasiado pesada.
Se o seu patrão ou os seus pais ou o seu parceiro nunca o deixam dizer de sua justiça, como é que isso o faz sentir-se? Se, pelo contrário, lhe atiram três ou quatro bolas ao mesmo tempo, como é que isso o faz sentir-se?

A sua capacidade de comunicar pode ser avaliada pela reacção da pessoa com quem está a tentar comunicar. Mesmo que você não o queira admitir. Há uma boa e uma má maneira de comunicar.
Trocar comunicação é uma boa maneira de comunicar. Não trocar comunicação é uma má maneira de Comunicar. É igualmente mau trocar alguma coisa que parece Comunicar – mas que, na verdade, o não é.
O que significa parecer comunicar? Falar somente sobre o tempo, ou sobre desportos, ou sobre o sexo oposto é parecer comunicar. Falar somente do papel que desempenhamos na vida (como alguém mais velho, como professor, como jovem, como marido, como esposa) é parecer comunicar. Quando se trocam banalidades apenas parecidas com comunicar não se corre o risco de aparentar solidão ou sentir dor. Não temos de nos preocupar com sentimentos ou raciocínios inesperados. Mas também não experimentamos a alegria súbita e irresistível – ou o sentimento de estarmos realmente vivos.

Se o comportamento da pessoa com quem se está a comunicar não muda, quer dizer que não houve realmente qualquer comunicação entre vós. Houve apenas jogos sociais. A verdadeira comunicação gera sempre um novo comportamento. Há uma diferença entre comunicar com pessoas e simplesmente confirmar relações existentes entre elas. As relações tornam-se rígidas. Comunicar pode mudar isso.
Que tipo de relações quer ter? Uma das dificuldades que há em comunicar é que sempre que dizemos que queremos ser amigos de alguém estamos, na verdade, apostados em mostrar a essa pessoa que somos um pouco melhores do que ele ou ela é.
Que espécie de relacionamentos quer ter com outra pessoa? Um relacionamento unilateral? Querem ignorar-se um ao outro? Jogar com brutalidade? Ou esconder os vossos sentimentos? “Se ao menos eu fosse melhor do que ele ou ela” diz você. Sem nos apercebermos disso, usamos muitas vezes a comunicação como um meio de competir. Lembre-se porém: Só se atinge um novo nível de comunicação com aquilo a que pode chamar-se compreensão. As pessoas mudam o seu comportamento quando se sentem compreendidas.

Gostar de outra pessoa não é necessariamente compreende-la. Se há uma pessoa de quem simplesmente não goste, esforce-se por conhecer primeiro o “eu” que não gosta dessa pessoa. A forma como conhecemos outra pessoa coincide inteiramente com a forma como nos conhecemos a nós próprios. Conhecer é saber ouvir o que a outra pessoa está a dizer.
“Quero falar sobre os meus sentimentos”, pode você dizer, “mas ninguém me ouve.” Não é o único que pensa isto muitas vezes. De facto, isso é o que acontece sempre que as pessoas tentam usar a comunicação para competir, em vez de conhecer. Enquanto pensar que a capacidade para comunicar idêntica à capacidade para falar, nunca experimentará um sentimento de união com outra pessoa. A capacidade para comunicar depende da capacidade para fazer a outra pessoa falar – e da sua capacidade para ouvir o que ela está a dizer. Só se ouve verdadeiramente quando se ouve tudo o que a pessoa está a dizer sem julgar, ou negar, ou comparar essa pessoa connosco.

Se se está verdadeiramente a ouvir, e se está preparado para compreender, será fácil para a outra pessoa falar. Mesmo que a bola seja difícil de apanhar, ou tenha sido atirada debilmente,
se fizer o seu melhor para a apanhar... consegue! Não conseguirá apanhar nenhuma bola se se limitar a esperar. Se está pronto realmente para conhecer, dê um passo em frente. Use o seu corpo todo. Estenda a sua mão e descubra o que está mesmo à sua frente. Se pensa que compreender outra pessoa significa concordar com tudo o que ela diz e faz, a compreensão não será fácil.

Conhecer significa ouvir tudo o que a outra pessoa tem para dizer a tomar o que a outra pessoa diz pelo seu valor facial. Se há compreensão, pode ter-se pensamentos diferentes, interesses diferentes, sentimentos diferentes – e ainda assim estar juntos. Quando o conhecimento ocorre, atinge-se um outro patamar de comunicação. Quando um determinado patamar de comunicação se cumpre, sentimo-nos um pouco aliviados. Quando duas pessoas se encontram pela primeira vez, ambas estão nervosas. O problema não é o nervosismo. O problema está em tentar escondê-lo.

Às vezes, você preocupa-se tanto em atirar bem a bola que esquece a preocupação e age como se nada estivesse errado. Ou preocupa-se tanto em apanhar bem a bola que esquece a preocupação e age como se nada estivesse errado. No próprio instante em que deixa de agir como se nada estivesse errado, começa a conhecer-se a si mesmo. Somente depois de você se conhecer a si mesmo pode ocorrer a verdadeira comunicação.

“Quero falar-te dos meus sentimentos.” No momento em que começar a sentir deste modo, começa a atirar bolas que são fáceis de apanhar. (É impossível que alguém que não tenha jogado
muitas vezes andebol apanhe bolas rápidas e em curva, mesmo que queira muito consegui-lo. Se a pessoa com quem está a jogar não estiver pronta para o conhecer, atire-lhe uma bola que seja fácil de apanhar.)

Vivemos graças à comunicação. Quando a nossa comunicação com alguém se altera, a nossa relação com os outros muda também. Tal como muda a nossa relação com o trabalho e a nossa relação com a vida. Até a nossa relação connosco mesmos mudará igualmente.

“Quero falar-te dos meus sentimentos.”
É assim que a comunicação começa.


Mamoru Itoh
 
 

segunda-feira, janeiro 09, 2012

A liberdade é uma maluca

"A dependência é uma besta que dá cabo do desejo, a liberdade é uma maluca que sabe quanto vale um beijo..." Jorge Palma, A gente vai continuar.

"Frágil ....  sinto-me frágil", my friend, é o que me apraz dizer.... quero verdadeiramente sentir-me livre, mais do que me sentir livre, quero ser livre. Livre das dependências, livre de me sentir agarrada a um mundo onde por certo governam as Leis de Murphy. A um mundo, a um momento em que já não tenho estrutura para o que de mau ainda está por vir. Já chega! É tempo de viragem, a liberdade é sem dúvida uma maluca mas antes maluca que completamente débil e sem alimento para a alma. Dependência vai-te, leave the building, já compreendi e absorvi a lição, já a estou a por em prática. Mas faz-me um favor não me tentes o juízo, não me digas e mostres todo o santo dia o quanto és perniciosa e sugadora das vivências. Vai, ontem!
Liberdade, vida, sorrisos, energia boa por favor entrem pela porta principal. Arrebatem todo o meu ser com uma energia forte que se entranhe nas horas dos dias que passam. Vinde sem medos, e entrai na minha sala, ocupai todas as divisões do meu ser. Vou acender-vos uma lareira quentinha, vamos ser felizes? Vamos beijar cada dia, como se amanhã ainda fosse melhor que hoje, sem tantas preocupações. Janelas, janelinhas abri-vos e deixai-me entrar nesses mundos que me esperam. Vamos ser livres, sorrir, criar, viver, projectar. Vamos viajar, vamos? Agarra-te a mim e deixa-te estar, sim?
 

A dependência é uma besta...

Tira a mão do queixo não penses mais nisso
o que lá vai já deu o que tinha a dar
quem ganhou ganhou e usou-se disso
quem perdeu há-de ter mais cartas p´ra dar
E enquanto alguns fazem figura
outros sucumbem á batota
chega a onde tu quiseres
mas goza bem a tua rota

Enquanto houver estrada p´ra andar
a gente não vai parar
enquanto houver estrada p´ra andar
enquanto houver ventos e mar
a gente vai continuar
enquanto houver ventos e mar

todos não pagamos por tudo o que usamos
o sistema é antigo e não poupa ninguém
somos todos escravos do que precisamos
reduz as necessidades se queres passar bem

que a dependência é uma besta
que dá cabo do desejo
a liberdade é uma maluca
que sabe quanto vale um beijo...
 
 

sexta-feira, janeiro 06, 2012

As camadas mais profundas...


" A cura emocional profunda leva tempo. Não pode ser apressada ou forçada. Precisa de se abrir no seu próprio tempo, levando por vezes um bom número de anos para se mover através das camadas mais profundas. Felizmente, à medida que cada camada é curada, a vida torna-se cada vez mais plena e compensadora e, na realidade ilumina-se."

Os quatro níveis da cura, Shakti Gawain

Pronto, pronto... sossega sim... para quê mentir ainda reside em mim aquela esperança agarrada às festividades e à magia dos momentos. Existe, ainda, uma tiny winy esperança de que aconteça magia. É como se todo o meu ser vivesse com as suas energias concentradas à espera daquele momento maravilhoso. Ouvia ontem no masterchef um concorrente usar a expressão 8 camadas de sofrimento ao criar um bolo. O meu bolo mental deve ter umas 10 camadas de sofrimento e aumenta de dia para dia. Quem dera que os pensamentos negativos tivessem um peso 10 vezes inferior aos pensamentos positivos e energias positivas. Devia ser obrigatório as energias positivas duplicarem, quadruplicarem e proporcionalmente os desejos bons e verdadeiramente espirituais concretizarem-se. Universo querido, conspira a meu favor, traz-me luz e magia. Só um bocadinho sim? Preciso de um sorriso espontâneo, um rasgo de vida, uma lufada de ar fresco. E se poder ser uma injecção daquele miminho quentinho que aquece o coração, sim? Fingers crossed!

quinta-feira, janeiro 05, 2012

O pó dos dias (II)


"Não sei como chamar a quem não fica nem amigo nem amor. Não encontrar um nome que descreva alguém assim talvez queira dizer que essas pessoas ficam em todo o lado e em lado nenhum. E, se bem me parece, é nisso que elas nos incomodam mais. Não fica amor, pelas razões que se imagina. Nem fica amigo porque, por mais que se exija tanto assim ao coração, ele nunca se esquece de quem o magoa. E desamparo, pela mão de quem se ama, dói demais. Às vezes, chamo-lhe afinadores (como se o nosso coração fosse um piano). Ajudam-nos a afinar para a subtileza de tudo o que sentimos. Para a forma como nos despertam ou nos agitam. Para o modo como nos arrepiam (sempre que nos falam ao ouvido). Ou para o jeito de dizer «gosto de ti». Para o modo como nos cheiram ou se chegam a nós, e acarinham. Para o furor das suas fúrias e para o encantamento que nos colocam à pele, sempre que são ingénuas. Para o modo como tocam, por dentro, e remexem por fora. Para as lágrimas que deixam ao nosso cuidado. Para  o modo como nos desabotoam os olhos. E, sempre que abrem neles outra janela, para o jeito de nunca os deixarem às escuras. Para o suor que, sempre que se mistura, nos adoça. E, é claro, para as figuras tristes e para as mensagens. Parvas."

Eduardo Sá, Nunca se perde uma paixão


Estou com estas palavras no olhar e o coração nas mãos, ainda. E batem forte cá dentro, como quem tem o meu nome impregnado do afecto que estas palavras transmitem, da verdade e dureza que a vida pode ser, quando as palavras nem amigo nem amor, fazem o desespero acordar sobressaltado como se alvorada fosse. E o som estridente do sofrimento soasse em torno do meu corpo inerte e cansado, triste e doente. Desejoso de ti e do amor que sentes e preferes calar e distanciar por força de não saberes ser feliz.  A distância ajuda a que os teus olhos não sintam e o teu coração não veja. Jogaste bem não me permitiste nem mais um vislumbrar sequer do teu sorriso. A tua defesa foi e será sempre o melhor ataque. Sei como o calor das minhas mãos pode queimar a ferida que existe dentro de ti. Sei o quanto te lembram do que não viveste. Sei o quanto o meu beijo te deixa a suspirar e o quanto a chuva não assume a metáfora dos dias felizes. Sei, sinto... um tremor só de pensar. 



quarta-feira, janeiro 04, 2012

O pó dos dias ...


"Somos sempre tão pequeninos diante do amor! Não que ele seja uma tarefa desmedida. Pelo contrário. O amor é, entre todas as relações, seguramente, a mais simples. Mas atropelam-se tantas páginas em branco nos nossos gestos! Fomos tão ensinados a ser tão pouco transparentes, tão pouco espontâneos e tão pouco autênticos que são as palavras que não dizemos, quando sentimos, que nos azedam para o amor e nos trazem muitos nunca mais.
Todos nós nos desencontramos para o amor. Porque toda a verdade num gesto só é muito dificil. E porque somos mais vezes sabichões que sábios. Sobretudo diante do amor. E porque pedimos desculpa poucas vezes. É dificil termos uma experiência riquissima e complexa e sermos claros e expeditos, sempre que a confiamos aos outros. É dificil sermos sábios e sermos simples. E será por isso que, à medida que crescemos estamos mais habilitados para amar e mais distanciáveis do amor. A mim parece-me que, sempre que nos sentimos amados, nos tornamos todos um bocadinho egocêntricos. Quando nos sentimos o melhor do mundo para alguém compreende-se que seja assim. Mas, mais tarde ou mais cedo, as pessoas que nos amam desencontram-se do nosso crescimento e, no lugar do seu amor, deixam, sobretudo descuido e desamparo."



Já passou...foi o fim de ano mais introspectivo e inesperado de sempre... Acho que nunca me tinha emocionado tanto sozinha na vida. Comecei a aprender a andar sozinha pelos caminhos..
Começaram, mais ou menos, assim os primeiros dias do ano. Profundamente embrenhada neste livro maravilhoso. Prenda de Natal da mana, por sugestão da mãe (ena... uma prenda directa ao coração, plimmmm). 
Acabei agora de o ler e apetece-me abraçar alguém. Apetece-me que o afecto voe e as pessoas se sintam amadas. Apetece-me que o pó dos dias não se acumule nas prateleiras da vida, sorrio tanto com as metáforas ternurentas do Professor Eduardo, quase que consigo ouvir a sua voz doce e meiga. 
As pessoas deviam ter escrito nas agendas, calendários, iphones, etc, etc lembretes com mensagens, verdadeiras injecções de vida. Para nunca se esquecerem de cuidar e mimar as pessoas que estão na fila da frente das suas vidas. E pronto é isto, tenho dito...

sexta-feira, dezembro 30, 2011

Resumo do ano

"Perdi-me dentro de mim porque eu era labirinto
E hoje, quando me sinto 
É com saudades de mim."

Dispersão, Mário Sá Carneiro

Existem poemas que guardo comigo ao longo dos anos e aos quais volto sempre. Hoje entendo o quanto  este senhor conseguiu expressar o que sempre senti nos momentos mais recônditos do meu ser. Quando a solidão me atravessa e sinto que já não sei viver com ela, a vida mostra-me o quanto ainda tenho para aprender, o quanto ainda tenho que me aceitar, o quanto não nutro de um amor incondicional por mim própria que seria fundamental para me dar forças nesta caminhada. 
Hoje voltei a folhear o meu caderno de frases deste ano e volto a reescrever o poeta dos poetas. Preciso que a sua sabedoria me ilumine, me faça entender que a luz está dentro de mim mas isso não basta tenho que acreditar nela e na sua força.

"Enquanto não superarmos a ânsia do amor sem limites, não podemos crescer emocionalmente. Enquanto não atravessarmos a dor da nossa própria solidão, continuaremos a nos buscar em outras metades. Para viver a dois, antes, é necessário ser um."

Fernando Pessoa, O grande...






terça-feira, dezembro 20, 2011

Wishlist II

Estou numa luta constante entre a minha escuridão e a minha luz. E por mais voltas que dê, por mais que me controle, por mais esforços que faça, por mais que tente libertar todas as energias negativas, volta sempre a nuvem. É verdade que não tenho motivos para sorrir, aliás tenho .... saúde, tenho uma família que me apoia imenso, tenho amigas especiais que fazem do longe perto e estão sempre por perto.
Não estou bem, estou profundamente triste. É quase Natal e só me apetecia acordar em Março. Não existe luz que vislumbre neste momento. Estou para lá de triste na fronteira entre não sei quem sou e para onde vou. Não é agradável. O balanço deste ano é tudo menos positivo. Queria sentir forças para reagir, para arriscar, para ir para fora sem pensar em tudo e todos. Mas sobretudo queria ficar, ter a possibilidade de criar um cantinho só meu, ser livre de dependências económicas, poder trabalhar e sorrir. Sei quanto consigo embrenhar-me na solidão mas também sei que se aspiro algo, encontrar algo intermédio ou verdadeiramente fora de expectativa sei o quanto me deprime, sei o quanto vou definhar, sei........ já estive nesse lugar e não é bom. É verdadeiramente mau. Mais do que angustiante é um passo para o abismo interior. Existem limites para o sofrimento mas se existe algo que me causa sofrimento suficiente é sentir que as minhas capacidades estão aplicadas em actividades que em nada alimentam o meu sorriso e nada me fazem sentir valorizada. Sei o quanto preciso de um empurrão de luz, uma injecção tremenda de vida, preciso de oportunidades e não sei que maiores esforços posso colocar em prática para as alcançar. Sei o quanto preciso de sentir que não faço a caminhada sozinha, sei o quanto me pesa, sei o quanto preciso de me sentir bem sozinha e não sei onde está o equilíbrio. 
Estou esgotada por nem sempre ser compreendida, sobretudo por não ser tolerada, por não ser respeitada. Estou esgotada por me sentir diferente e sentir que as pessoas mais próximas não poderem perceber o meu espaço, o meu silêncio. 
Preciso urgentemente de amor, preciso de percorrer novos caminhos, preciso de me sentir a respirar. Preciso de sair daqui.

domingo, dezembro 18, 2011

Wishlist

É quase... quase Natal. Ou talvez já seja Natal no meu coração não é um dia é uma época. Ao longo dos anos de faculdade foi sempre uma época de dias quentinhos à lareira a estudar horas a fio numa preparação incessante para os exames. Era tempo de chegar à terrinha, acordar, não tirar pijama e sentar-me à lareira com os imensos apontamentos. Adoro o Natal e nos últimos anos digo sempre que é das épocas que mais detesto pois é das épocas que mais mexe comigo. É como se fosse uma combinação bombástica de emoções e sentimentos aliados a uma época de amor,  que nem tempo nos dá para assimilar todas essas emoções porque quando damos por nós já passou e já é tempo de fazer o balanço do ano com a passagem de ano, qual morte súbita, que nos faz recordar em flashback todos os momentos mais significativos do ano. E como se esta mistura explosiva não bastasse dali a um mês e pouco é o meu aniversário. São três momentos do ano que me deixam sempre knock out. São talvez os momentos que mais gostaria de ter partilhado nos últimos anos com alguém verdadeiramente especial. E agora são apenas aqueles anos somados em que ano após ano, ninguém esteve lá para mim assim. Não foi um ano, não foram dois, foram cerca de dez anos dedicados a uma vida em que as pessoas amigos e companheiros de fases boas e menos boas estiveram lá de forma fugaz. Nem sempre soube reconhecer o amor em pequenos gestos e lamento muito. Quando vivemos à espera de que as pessoas nos valorizem verdadeiramente, quando esperamos tempo demais por algo maior, quando optamos por acreditar que algures vai acontecer alcançarmos o que tanto desejávamos... perdemos momentos preciosos por desejarmos algo mais especial.... aquele sentimento que nos enche de vida e faz sentir verdadeiramente queridos e amados. Este Natal desejo apenas que essas pessoas todas sintam o quanto as amo, de diferentes formas mas amo e o quanto fazem parte de mim. Desejo que em especial uma pessoa consiga sentir em dobro dentro de si toda a energia e amor que este ano me fez sentir. Desejo especialmente que essa energia e toda a que possa reunir no seu coração se harmonize ao ponto de a fazer sentir especial e de conseguir miraculosamente curar todas as energias negativas e sentimentos que bloqueiam a vida e a harmonia. E se estes desejos se concretizarem este Natal será verdadeiramente abençoado.

segunda-feira, dezembro 12, 2011

Mente tagarela

" A luz é demasiado dolorosa para alguém que queira permanecer nas trevas." ECKHART TOLLE

No último mês comprei mais livros que no ano todo. E eu compro sempre livros demais, existe uma atracção entre mim e as livrarias. Se existe algo que adoro é passear por uma livraria e ver as novidades. Colocar nas minhas listas mentais quais serão os próximos, quais farão parte da minha biblioteca pessoal e mágica daqui a uns anos. Sou tremendamente materialista neste aspecto. Imagino sempre que um dia vou ter uma biblioteca linda, um espaço bem iluminado com um cadeirão em baloiço bem fofinho, assim um cantinho do céu.
Adoro percorrer um livro e sublinhar as minhas partes favoritas, adoro passado uns dias, meses ou até anos recordar as partes que sublinhei. Adoro lembrar-me de determinada parte e conseguir encontrá-la em segundos porque está sublinhada. Adoro ser feliz com as minhas frases e sentir-me bem com a sabedoria que estas emanam. Tenho lido para além da conta.Tem-me ajudado para além da conta. Tem sido uma grande terapia. Ler e escrever são pilares da minha pessoa desde que me conheço. Tenho imensos cadernos e caderninhos de cores, feitios e tamanhos diversos. Tenho tantas histórias e pensamentos escritos, tenho os meus amores em diários que representam verdadeiras viagens ao passado.
O último livro que li tinha esta frase incrível, tenho-me dedicado a leituras mais espirituais cheguei a um ponto de ruptura bastante esgotante e a minha porta para uma iluminação maior tem sido sem duvida a leitura. Nos últimos tempos tenho percebido o quanto me tenho feito sofrer por ser tão agarrada às minhas ideias mentais, por ter uma mente tão tagarela e compulsiva que mal consigo acompanhar. Consigo perceber agora o quanto temos o poder e a energia para travar o pensamento compulsivo e os sentimentos compulsivos. Tenho dias melhores que outros, nem sempre consigo controlar ou travar os pensamentos negativos que me geram sofrimento atroz. A minha mente é capaz de reproduzir e analisar pormenores inacreditáveis e atribuir-lhes significados imensos. Consequentemente, quanto mais significados atribuo mais espero de determinada situação ou de determinada pessoa. A mente é um labirinto esgotante que podemos escolher abrandar e controlar para não nos submetermos a doses incríveis de sofrimento. Estou a aprender a lidar com esta nova aprendizagem, estou a tentar pensar menos e a sentir a energia positiva que sei que trago comigo. Espero conseguir atrair muita energia positiva e fazer chegar às pessoas que me rodeiam o quanto as amo e lhes quero bem. 



sexta-feira, dezembro 09, 2011

No matter what


Não estou a conseguir controlar o vaivém de emoções, o estado a que as coisas chegaram é tão degradante. Entristece-me até ao tutano, esgota-me, não existe brilho, não existe luz. Não existe nada que possa admirar, não existe uma réstia de esperança neste momento. Existo eu apenas, na encruzilhada a que cheguei, sem rumo. E não existe nada de que orgulhe depois de ter dito tudo o que pensava e sentia. Não me arrependo de nada, apenas pensei que a sinceridade me valesse mais do que valeu. Achei que a pureza do ser pudesse fazer brotar a luz e mostrar o quanto se pode ser livre. O quanto se pode demonstrar e deve dizer tudo, o quanto não devemos guardar para prolongar o sofrimento. Achei que a vida ia ser generosa, achei que tinha aprendido a não sofrer para dentro, achei que estava a fazer tudo de forma diferente e melhor... E afinal a intenção, não passou disso de intenção. É muito difícil encontrar pessoas puras, mas mais difícil de superar é achar que encontramos pessoas assim e estarmos terrivelmente enganados. É algo que nos devora as entranhas, ter que assumir que afinal aquela pessoa por quem púnhamos a mão no fogo, que vimos chorar, com quem lavamos a alma e renovamos a vida, que essa pessoa não reage aos mesmos valores.
Resta-me parar de olhar para trás, impedir-me de respirar este ar, cortar as amarras, deixar de procurar respostas a perguntas... a transparência das vivências não é para todos. A capacidade de comunicação, interpretação e de expressão não é igual. Somos todos tão diferentes e tão iguais. E transtorna-me, irá sempre transtornar-me a falta de valores. E o quanto as pessoas não estão lá umas para as outras no matter what. 

domingo, dezembro 04, 2011

The start of my greatest fight...


É agora que começa a dor que consegue ser mais excruciante. É agora que tenho que me parar. É agora que tenho que me obrigar a reagir. É agora que a luta interior se intensifica. Não me posso permitir continuar a lamber as feridas ... sei que se o continuar a fazer passarão dias, meses e anos e eu estarei aqui a afundar-me. Está na hora de quebrar o ciclo, não me posso negligenciar a esse ponto novamente. Não me posso afundar novamente a esse nível destrutivo. Não posso, mas não sei se consigo. Ainda estás aqui cravado no meu peito. Ainda sinto um amor profundo, ainda me derreto ao ver o teu sorriso, ainda sinto o teu abraço forte, o teu perfume, a tua voz, o teu beijo...ainda espero um milagre que mude tudo. Que nos faça ser pessoas melhores. Ainda acredito que a qualquer momento me digas que a vida vale a pena ser vivida nas asas do teu voar. 
Eu tentei, à minha maneira, tentei ser uma pessoa melhor. Tentei engolir o orgulho, todo o ressentimento e mágoa. Tentei por momentos abdicar desses sentimentos que me afastam de ti e ser pura e genuína. Mais uma vez me afundei. Tenho que me agarrar a um egoísmo que não sei onde ir buscar, a sentimentos que tenho que construir do nada e não sei onde buscar. Tenho que buscar caminhos ainda que os odeie e me façam sentir mal, e ser uma pessoa que não quero ser. Tenho que voar ainda que não saiba voar sozinha. Tenho que ter forças ainda que queira deitar-me e esquecer que existo. Tenho que te deixar partir ainda que saiba que te vou esconder no canto mais especial do meu ser. Tenho que te deixar de respirar, ainda que isso seja perder o sentido, os significados que tanto me agarram à vida. Tenho que me perder nos caminhos tortuosos vezes sem conta até encontrar os certos novamente. Não quero ouvir palavras de conforto...  quero sentir, quero perder-me no meu vazio,  andar com a nuvem o tempo necessário para lhe chamar amiga. Caminhar sem rumo, até conseguir suster a respiração e sentir-me viva. Até chorar incessantemente e sentir que as memórias não estão tão definidas e claras. Até que as emoções e sentimentos se dissipem e já não saiba percorrer os trilhos que me levam até ti. Sei que vou parar e olhar para trás à tua procura. E sei que não estarás lá para me dar a mão. Dói e irá doer por tempo indeterminado. 


quinta-feira, dezembro 01, 2011

Up and down


É incrível como me agarro a ti, como não te quero deixar partir. Como me afecta o quanto não estás ao meu lado. O quanto me consegues ser indiferente. Quero tanto conseguir deixar-te ir, aceitar. Quero aceitar e sentir-me em paz. Quando consigo sentir-me em paz de repente a minha mente arranja uma forma de me fazer sentir em permanente conflito, razões que a própria razão desconhece. E então luto, envolvo-me numa teia comigo mesma e com as minhas convicções. Faço-me acreditar que existe sempre a possibilidade de as pessoas serem melhores, iludo-me com a capacidade de diferenciar as pessoas e a capacidade de serem humanas e sensíveis. E, na maioria das vezes não percebo que sou eu que tenho uma sensibilidade extrema face aos acontecimentos. É como se acreditasse que as pessoas ao passarem por mim jamais me poderão magoar porque o que vivemos assume proporções imensas de uma pureza que me faz suspirar... Sou tão pretensiosa, sou tão pequenina, sou tão eu. E então ando neste zig, zag exaustivo e perpetuo o ciclo vicioso vezes sem conta. Um dia acordo e estou bem comigo, consigo equilibrar as pensamentos, abster-me de acreditar que algo vai mudar... e existe uma paz nisso, uma paz que nos faz não ter expectativa e absorver os dias simples. Outro dia, acordo com uma angústia tremenda, um fervilhar de emoções e sentimentos que me arrastam e fazem agir e talvez afastar-te ainda mais de mim só por te querer aqui cada vez mais a cada dia.

sábado, novembro 26, 2011

Gosto de ti

Hoje sinto um desalento tremendo. As emoções são tantas e variam tanto ao longo dos dias... nem sempre é fácil lidar com elas, aceitá-las. Continuar o caminho, significa às vezes não entender no momento, às vezes é só para sentir. Ontem lançaste aos olhos de todos, a frase «Gosto de ti»... e eu palerma naquele micro-segundo achei que era para mim. Que era a tua forma de chegar até mim. No segundo seguinte senti-me irritada com uma raiva tremenda... não seria para mim ... tu sabes que odeio exposição a esse nível. Olhei várias vezes ... e  revesti-me de um manto de tristeza ... as pessoas hoje em dia não dizem cara na cara gosto de ti, as pessoas usam as sms's, o facebook, o messenger, o skype e tantas outras formas de se expressar. Também às vezes caio nessa tentação. Tenho que me lembrar mais vezes de me expressar, de dizer o que penso, de ser mais genuína. Tenho que me lembrar que os afectos são tão preciosos que devem ser mimados e cuidados tantas vezes quantas possíveis olhos nos olhos, mãos nas mãos.
Toda e qualquer pessoa que não tenha a coragem de dizer, olhos nos olhos o quanto gosta da outra devia ser castigada, até conseguir fazer esse exercício. E, sim pode levar com uma tampa enorme. Não existe nada mais belo e sincero do que falar abertamente do que se sente. Os homens não são educados para dizerem a toda a hora o que sentem... pelo contrário a nossa sociedade pune muito o sexo masculino neste aspecto. Por isso quando vejo seres vivos imensos a expressarem-se a serem espontâneos, sorrio muito. É como se espalhassem magia e pózinhos de perlimpimpim, semeiam luz que se reproduz.. e é maravilhoso ver a magia a circular.
A energia negativa por outro lado, em vez de brilhar, bloqueia, inibe, faz vir ao de cima o pior... e se existe temos que aprender a lidar com ela. Odeio que me digam que a tristeza vai passar... odeio que as pessoas não consigam aceitar a tristeza umas das outras, odeio que as pessoas não saibam lidar com a tristeza e a bloqueiem para mais tarde a virem a sentir com uma intensidade ainda mais profunda e marcante. É preciso sentir o que quer que seja, sem o negar. Hoje estou triste apetece-me ouvir o piano a chorar vezes sem conta. Apetece-me chorar com ele, apetece-me transbordar todas as emoções negativas. Li algures que o acto de chorar permite que as energias se renovem, liberta-nos. Quero ser livre, sei o quanto ainda me prendo a ti. O quanto ainda te abraço, estou a lutar para te deixar ir de dentro de mim. Gosto de ti, sim. Gosto tanto de ti e, por isso, quero-te ver livre e feliz. Quero ser feliz também.