quarta-feira, outubro 24, 2007

Invenção do Amor



Preciso que inventes amor com carácter de urgência!

In_love_by_angrymouse


Um homem e uma mulher que tinham olhos e coração e fome de ternura
e souberam entender-se sem palavras inúteis
Apenas o silêncio A descoberta A estranheza
de um sorriso natural e inesperado

Não saíram de mãos dadas para a humidade diurna
Despediram-se e cada um tomou um rumo diferente
embora subterraneamente unidos pela invenção conjunta
de um amor subitamente imperativo

Um homem e uma mulher um cartaz denuncia
colado em todas as esquinas da cidade
A rádio já falou A TV anuncia
iminente a captura A policia de costumes avisada
procura os dois amantes nos becos e nas avenidas
Onde houver uma flor rubra e essencial
é possível que se escondam tremendo a cada batida na porta fechada para o mundo
É preciso encontrá-los antes que seja tarde
Antes que o exemplo frutifique
Antes que a invenção do amor se processe em cadeia

Há pesadas sanções para os que auxiliarem os fugitivos
Chamem as tropas aquarteladas na província
Convoquem os reservistas os bombeiros os elementos da defesa passiva
Todos decrete-se a lei marcial com todas as consequências
O perigo justifica-o

Um homem e uma mulher
conheceram-se amaram-se perderam-se no labirinto da cidade

É indispensável encontrá-los dominá-los convencê-los
antes que seja tarde
e a memória da infância nos jardins escondidos
acorde a tolerância no coração das pessoas

Fechem as escolas
Sobretudo protejam as crianças da contaminação
uma agência comunica que algures ao sul do rio
um menino pediu uma rosa vermelha
e chorou nervosamente porque lha recusaram
Segundo o director da sua escola é um pequeno triste inexplicavelmente dado aos longos silêncios e aos choros sem razão
Aplicado no entanto
Respeitador da disciplina
Um caso típico de inadaptação congénita disseram os psicólogos
Ainda bem que se revelou a tempo
Vai ser internado e submetido a um tratamento especial de recuperação
Mas é possível que haja outros
É absolutamente vital
que o diagnóstico se faça no período primário da doença
E também que se evite o contágio com o homem e a mulher
de que fala no cartaz colado em todas as esquinas da cidade

Está em jogo o destino da civilização que construímos
o destino das máquinas das bombas de hidrogénio das normas de discriminação racial
o futuro da estrutura industrial de que nos orgulhamos
a verdade incontroversa das declarações políticas

…

É possível que cantem
mas defendam-se de entender a sua voz Alguém que os escutou
deixou cair as armas e mergulhou nas mãos o rosto banhado de lágrimas
E quando foi interrogado em Tribunal de Guerra
respondeu que a voz e as palavras o faziam feliz
lhe lembravam a infância Campos verdes floridos
Água simples correndo A brisa das montanhas
Foi condenado à morte é evidente É preciso evitar um mal maior
Mas caminhou cantando para o muro da execução
foi necessário amordaçá-lo e mesmo desprendia-se dele
um misterioso halo de uma felicidade incorrupta

…

Procurem a mulher o homem que num bar
de hotel se encontraram numa tarde de chuva
Se tanto for preciso estabeleçam barricadas
senhas salvo-condutos horas de recolher
censura prévia à Imprensa tribunais de excepção
Para bem da cidade do país da cultura
é preciso encontrar o casal fugitivo que

inventou o amor com carácter de urgência

Os jornais da manhã publicam a notícia
de que os viram passar de mãos dadas sorrindo
numa rua serena debruada de acácias
Um velho sem família a testemunha diz
ter sentido de súbito uma estranha paz interior
uma voz desprendendo um cheiro a primavera
o doce bafo quente da adolescência longínqua

Daniel Filipe, 1972

In a invenção do amor e outros poemas


domingo, outubro 21, 2007

L'amour...




...

sábado, outubro 20, 2007

Start over again



I never really understood that stuff
Days fall into nights
But wrong won't turn to right

When you reach the top of the tree
And there's nothing left to see
Do we lay and die?
Another on to run dry

So what's this life
What's this life we've chosen?
What it would be like
If we started all over again?

Oh please tell me about love
I never really understood that stuff

So what's this life
What's this life we've chosen?
What it would be like
If we started all over again?
And I just might,
I just might be brave and bold
And what it would be like
If we started all over again?

David Fonseca,
(who else could be???)


sexta-feira, outubro 19, 2007

Rizoma





Roots by Sara Ribeiro

O que eu sinto é como um rizoma…

Toda eu sou rizoma ramificações de sentimentos e vivências que se expandem em direcções indeterminadas. O núcleo arrancas-te-me hoje, não existe, nunca existiu. Pobre de quem acredita no bom fundo das pessoas. Quebrou-se o vidro. Sinceridade outrora foi palavra-chave. Gélida, entorpeço! Já não me corre vida nas veias apenas uma amostra de vida. Já nem tenho palavras… parou-me o relógio central com o susto. Do núcleo e do profundo fugiu a lágrima que não mereceste …qual facada pelas costas. Estilhaços de mim pelo chão... e desta vez eu não tenho forças para apanhar, eu não tenho fé, eu não tenho nada.


quinta-feira, outubro 18, 2007

Metáfora do dia-a-dia: viagem inventada





Algures por descobrir ..
Passo a passo ...
Eu e tu!

"Era uma viagem inventada no feliz;
produzia-se em casa de sonho."



J. Guimarães Rosa


segunda-feira, outubro 15, 2007

Dos Sabores e dos Amores...





Image by Lou Crouchet


Não gosto de sabores mesclados e misturados,

Gosto de cada sabor no seu lugar.

Não gosto de sentir pedaços,

Gosto dos sabores por inteiro.

Não abdico da panóplia de sabores,

Mas quero poder identificá-los um a um...

Conhecê-los, apreciar ao máximo

Diferenciar, tocar, sentir, ver, cheirar...



domingo, outubro 14, 2007

Em ti...



Penso em ti: sinto em mim a nostalgia
desse abraço que fica tão distante
e, mesmo assim, nos liga dia-a-dia
e nos aproxima a todo o instante.

Penso em ti: sinto em mim essa tremura
que se espalha ao longo dos meus braços
e te envolve comigo na ternura
com que te aperto a mim, em mil abraços.

Penso em ti: e respiro bem melhor
por saber que te tenho ao meu lado
e que o ar que respiro é o calor
da aragem da amizade em duplicado.

Penso em ti: e pensar é já viver
contigo residindo no meu peito
aprendendo, afinal, a conviver
contigo, tal qual és, desse teu jeito.

E sinto que afinal valeu a pena
sentir como tu sentes a vontade
de viver assim, de forma plena,
este sabor intenso da Amizade.


Fernando Peixoto in "Penso em Ti"

Do sol dos sonhos...






O sol dos sonhos ... metáfora maravilhosa para denominar a esperança implícita no meu olhar. Quando sei que finalmente vou poder tocar-te, sentir-te por perto e poder acreditar que sim ... que depois de tanto tempo também podemos ter direito a um bocadinho de céu, um bocadinho azul. Mas eis que surge o quando... um advérbio temporal gracioso... mas quando ?... um dia destes quem sabe... subjectividade lacerante e hemorragicamente alucinante, porque era para ontem... vou acreditar.. porque o sol dos sonhos me diz para acreditar, a esperança.

E olhar do rés-do-chão da vida para os dias já pisados é sempre encontrar um mar sem fim de vivências, uma tempestade apaziguadora, em que de facto a paz interior é utopia dos sonhadores, dos que dormem uma noite, sem acordar, uma só vez que seja para interromper um dos mais sagrados momentos de descanso e pureza. Mas em nome da aventura perco-me no tempo e estico faço de uma semana um mês e de um dia a alegria. E tento dormir no intervalo de cada capítulo, um olho aberto e outro fechado, apenas por precaução é que a vida pode passar e eu perdê-la naquele micro-segundo em que o mundo pula, anda e avança.



terça-feira, outubro 09, 2007

Ícaro





O sol dos Sonhos derreteu-lhe as asas.
E caiu lá do céu onde voava
Ao rés-do-chão da vida.
A um mar sem ondas onde navegava
A paz rasteira nunca desmentida...

Mas ainda dorida
No seio sedativo da planura,
A alma já lhe pede impenitente,
A graça urgente
De uma nova aventura.


Miguel Torga


sábado, outubro 06, 2007

As meninas dos olhos dele: as palavras


PALAVRAS

Não largo um amor sonhado pelas palavras sentidas que acordam os abismos


SEXO MATEMÁTICO

uma vez dancei contigo o teu corpo a sentir não esqueci dois corpos enlaçados são um terceiro desigual da soma dos dois quem era esse intruso indecente no meio de nossas carnes?


AMOR ARITMÉTICO

amo adoro sou louco por todo e qualquer milímetro de teu corpo dividido em milionésimas de fracções elevadas ao mais puro desejo vezes mil


AMOR GEOMÉTRICO

mãos de amor e afecto percorrem superfícies geodésicas de tuas carnes curvas projectando desejos hexagonais no círculo infinito do nosso amor afecto geométrico sem arestas nem equação


João Costa in www.pedravermelha.com



terça-feira, outubro 02, 2007

Processo de Equilibração= Acomodação + Assimilação




Rosaly Gripp, Balança de corda


"A nossa predisposição natural não nos permite ficarmos contentes só por existirmos; consequentemente, quando as experiências novas não se ajustam às nossas assimilações anteriores, perguntamo-nos porquê. Esta é a motivação de aprendizagem básica para dominar situações problemáticas."

Norman Sprinthall and Richard Sprinthall, McGrawHill (1993)




Ora bem, ora bem... isto só pode ser coisa das miudas da psicologia e afins dirias... Mas de facto é incrível como às vezes sem querer a realidade se aplica tão bem. O processo de equilibração é demorado apenas porque as aprendizagens anteriores que fiz me comprovaram algo diferente, algo que existiu no plano concreto e abstracto se assim se pode dizer. É que as minhas novas aprendizagens contigo demoram mais tempo a assimilar por uma questão muito simples que se resume numa palavrinha. Pois é passam os anos e eu contínuo a perguntar-(te)me: Porquê?

Preciso de andaimes para chegar ao meu desenvolvimento potencial na resolução deste quebra-cabeças, desta situação problemática. Mas tens que andaimar percebes?
Para que ambos possamos chegar a um nível de desenvolvimento proximal, que é como quem diz a um nível de conhecimento, um andaime ou dois, acima capiche?

P.S. Cuidado com a gata tu tb!


domingo, setembro 30, 2007

Não desisti de habitar a arca azul...






Não desisti de habitar a arca azul
do antiquíssimo sossego do universo.
A minha ascendência é o sol e uma montanha verde
e a lisa ondulação do mar unânime.
Há novecentas mil nebulosas espirais
mas só o teu corpo é um arbusto que sangra
e tem lábios eléctricos e perfuma as paredes.
Aos confins tranquilos entre ilhas mar e montes
vou buscar o veludo e o ouro da nostalgia.
Deponho a minha cabeça frágil sobre as mãos
de uma mulher de onde a chuva jorra pelos poros.
Ó nascente clara e mais ardente do que o sangue,
sorvo o cálice do teu sexo de orquídea incandescente!
A minha vida é uma lenta pulsação
sob o grande vinho da sombra, sob o sono do sol.
Há bois lentos e profundos no meu corpo
de um outono compacto e negro como um século.
Com simultâneas estrelas nas têmporas e nas mãos
a deusa da noite, sonâmbula, desliza.
Ao rumor da folhagem e da areia
escrevo o teu odor de sangue, a tua livre arquitectura.
Prisioneiro de longínquas raízes
ergo sobre a minha ferida uma torre vertical.
Vislumbro uma luz incompreensível
sobre os campos áridos das semanas.
Elevo o canto profundo do meu corpo
sob o arco das tuas pernas deslumbrantes.
Escrevo como se escrevesse com os meus pulmões
ou como se tocasse os teus joelhos planetários
ou adormecesse languidamente



António Ramos Rosa
Três - 1975
in Antologia Poética


sábado, setembro 29, 2007

Algo que abre caminho desde dentro...





Há um brusco agitar e o roçar de algo que escorrega brandamente, lubrificado por águas espessas. Há um urgente impulso para a frente, uma viragem na postura. Há um tacto desconcertado, a passagem de uma fronteira elástica, uma comichão dolorosa, uma luz que fere, uma agitação desconhecida e rítmica, algo que abre caminho desde dentro, um grito. O espaço ondulou amorosamente. Muito tempo depois eu soube que tinha sido embalado. Na altura não sabia nada porque ainda não havia ninguém que pudesse saber. Eu cheguei depois, quando essa consciência colada às sensações se foi tornando independente, distanciando-se das impressões, que começavam a ser coisas. Grandes ritmos organizavam tudo: o desassossego e a calma, a vigília e o sono. Por fim apareceram os rostos, as palavras, o divertido som de um guizo, as canções de embalar, os beijos, os sorrisos, tão divertidos de imitar, e também o EU, o meu eu, como o centro da paisagem. Cheguei a reconhecer-me num espelho. Primeiro havia estados agradáveis ou incómodos, depois houve visões que atraíam ou aborreciam, depois vi objectos, por fim vi-me a ver objectos: tinha reflectido.

in Aprender a viver by José António Marino (2007)


T2

Apenas tenho que virar

A minha vida de pernas para o ar

E procurar uma casa para eu morar


Um pequeno T2 onde podemos viver os dois

Com vista para o mar e um jardim

Um carro com tecto de abrir




Ricardo Azevedo

quinta-feira, setembro 27, 2007

Todos os dias...





Yakovina - Influence of a music



Porque raramente me aprendes....

Se eu te aprendo todos os dias?





segunda-feira, setembro 24, 2007

Lis ...



Desabrochar na procura de significados
Na descoberta infinita
De um primeiro olhar que não acaba nunca
Descobrir que o que um dia foi castelo e muralha
Pode amanhã ser pedra e pó
E contemplar cada janela
Como um mundo de possibilidades
Como luz que nos ilumina
Não perder o mais belo pormenor
Através das inúmeras perspectivas
Câmara, luzes, acção...



domingo, setembro 16, 2007

Aforismos


"Como as gaivotas e as ondas se encontram, nos encontramos e nos unimos.

Vão-se as gaivotas voando, vão pairando sobre as ondas; e nós também vamos.

Se de noite choras pelo sol, não verás as estrelas.

A luz do sol me saúda sorrindo.

A chuva, sua irmã triste, fala-me ao coração.

Se faço sombra em meu caminho, é porque há uma lâmpada em mim que ainda não foi acesa.

Teu sol sorri nos dias de inverno de meu coração, e não duvido jamais das flores de tua primavera.

Quando o dia cai, a noite o beija e lhe diz ao ouvido:

Sou tua mãe a morte, e te hei de dar nova vida'.

O mistério da vida é tão grande como a sombra na noite.

A ilusão da sabedoria é como a névoa do amanhecer.

Lemos mal o mundo, e dizemos logo que nos engana.

A borboleta conta momentos e não meses, e tem tempo de sobra.

Quando eu estiver contigo no fim do dia, poderás ver as minhas cicatrizes, e então saberás que eu me feri e também me curei.

Cada criança nos chega com uma mensagem de que Deus ainda não se esqueceu dos homens.

Elogios me acanham, mas secretamente imploro por eles."


Tagore


sábado, setembro 15, 2007

Se me é negado o amor





"Se me é negado o amor, porque, então, amanhece;
por que sussurra o vento do sul entre as folhas recém nascidas?
Se me é negado o amor, porque, então,
A noite entristece com nostálgico silêncio as estrelas?
E porque este desatinado coração continua,
Esperançado e louco, olhando o mar infinito?"

Rabindranath Tagore

quinta-feira, setembro 13, 2007

And in this crazy life, and through these crazy times...





And in this crazy life, and through these crazy times

It's you, it's you,

You make me sing

You're every line, you're every word, you're everything.


Michael Buble, Everything


Chá de Príncipe





Falaram me no outro dia neste chá. Resolvi pesquisar....



"é uma planta herbácea da família das gramíneas, nativa das regiões tropicais da Ásia (índia). É também conhecido pelos nomes de belgate, belgata, capim-cidreira, erva-cidreira, chá-de-estrada, chá-de-príncipe (ou, apenas príncipe), chá-do-gabão, capim-cidrão, capim-cidrilho, capim-cidró, capim-santo, capim-de-cheiro, citronela, capim-cheiroso, capim-catinga, patchuli, pachuli, capim-marinho, capim-membeca, palha de camelo e esquenanto

É uma planta medicinal, usada em medicina popular, sendo, para esse efeito, utilizadas as folhas que, em infusão, têm propriedades febrígugas, sudoríficas, analgésicas, calmantes, anti-depressivas, diuréticas e expectorantes além de ser bactericida, hepato-protectora, anti-espasmódica, estimulante da circulação periférica, e estimulante estomacal e lácteo. Os compostos químicos a que se devem estas propriedades são o citral, geraniol, metileugenol, mirceno,citronelal, ácido acético e ácido caprioco. Tais componentes e, mais especificamente o citral, dão-lhe um aroma semelhante à lúcia-lima, bela-luísa ou limonete (Aloysia triphylla)."


Quero, quero...
chá de príncipe,
príncipe
e tratamento de princesa.

;p (Se não for pedir muito...)


quarta-feira, setembro 12, 2007

À (minha) espera



Já nem te sei, já nem sei imaginar o teu toque... fecho os olhos e não sei sequer se o devo imaginar. Mas algo indiscutível sei.... sei-te de cor. A distância quando aumenta desperta tantos sentimentos e ao mesmo tempo afasta outros. Criam-se verdades. Conformidades da vida. Os laços sentem-se à distância. Sei que te trago em mim. Sei que de alguma forma me trazes em ti. Sei do melhor dos abraços, sei do olhar vazio, sei da pele morena, sei da dor de não te ter. Sei da dor de não teres... Ambos sabemos a dor de não ser correspondido. Às vezes sinto uma solidão cortante. Os mais velhos não percebem a minha necessidade de conforto e bem estar. Das minhas compulsões por livros e chocolate. E eu sei que preciso de algo para me agarrar à vida. Das histórias de vida escritas no espaço e no tempo que me fazem sentir viva, das séries televisivas que me fazem chorar com frases tão simples. O simples é bonito e essencial. Preciso de injecções de emoção para acordar com aquela esperança que um dia foi desmedida e desvanece a cada dia que passa. Numa tentativa esforçada e desesperada de me encontrar neste mundo, de te encontrar. Atiro-me ao trabalho, orgulho-me da minha entrega ao trabalho e de não decepcionar as pessoas que em mim investem. Quando me dizem que através de um simples curriculo eu fui escolhida para uma tarefa tão dentro da minha àrea de estudo e ao mesmo tempo tão fora e por isso holística e exigente, assumo o desafio e entrego-me. Mas fico parada a pensar no quanto os percursos desta vida se revelam inesperados. Desdobro-me em pensamentos na tentativa de entender o que a vida tem à minha espera. Fecho os olhos e apesar de tudo sinto-me só. Começou a chover lá fora e a trovejar. Hoje quero acreditar que a natureza está solidária comigo, quão imenso é o meu egoísmo...


domingo, setembro 09, 2007

Semente inventada





"Não sei como dizer-te que minha voz te procura e a atenção começa a florir, quando sucede a noite esplêndida e vasta. Não sei o que dizer, quando longamente teus pulsos se enchem de um brilho precioso e estremeces como um pensamento chegado. Quando, iniciado o campo, o centeio imaturo ondula tocado pelo pressentir de um tempo distante, e na terra crescida os homens entoam a vindima - eu não sei como dizer-te que cem ideias, dentro de mim te procuram.

Quando as folhas da melancolia arrefecem com astros ao lado do espaço e o coração é uma semente inventada em seu escuro fundo e em seu turbilhão de um dia, tu arrebatas os caminhos da minha solidão como se toda a casa ardesse pousada na noite.
- E então não sei o que dizer junto à taça de pedra do teu tão jovem silêncio."

Herberto Helder


sábado, setembro 01, 2007

The Great Lake Swimmers - To Leave it Behind





when we were greened and young as shoots
the world took off beneath our boots
oh we were picked when we were young
gentle words and modesty
when we turned towards the tide
choirs screamed in their delight
oh i am ripe and ready now
my heart is heavy, it's going to fall
out of my body

unto love, unto love
oh my heart is heavy, it's going to fall
out of my body

would have died without
your gardens of eternal life
that you kept so well, kept so well
could have lived without
the fall into the tragedy
but i'm not adam
and you're not eve
they were brave enough to leave
when they were told leave it behind

leave it behind
it behind
they were brave enough to leave
when they were told
leave it behind


* I'm not feeling brave enough

sexta-feira, agosto 31, 2007

Descoberta da semana...*



Não sei viver sem gavetas !!!



Gavetas, armários... preciso de espaço compartimentado para não me perder ... Será que eles não entendem que o caos me divide e fragmenta?
Que me confunde a idea de acordar e estar tudo ali amontoado a meus pés? Gavetas por favor! Hoje, amanhã e sempre.
Sim, sei conforto de menina mimada, mas preciso.
As coisas precisam de estar nos seus lugares, para que possa ver o espaço livre e me sinta bem e confortável. Para que não me perca no emaranhado da confusão que pode ser o dia-a-dia.
Não quero tropeçar na vida.


*Crónicas de uma jovem em mudanças



domingo, agosto 26, 2007

A Dália Azul






Sendo o segundo romance que li, estou duplamente rendida. Uma leitura suave que me aquece e diverte durante horas a fio. As palavras e as vivências são de uma ternura imensa, dá vontade de saltar da realidade para o papel e fazer parte desta bela história. Desta vez contive-me e pela primeira vez não li o livro de uma assentada, de um só trago... no máximo um romance destes duraria 2 a 3 dias no máximo nas minhas mãos. Consegui prolongar custosamente para uma semana para o saborear, para o sonhar, para aprender a controlar a minha ansiedade. Frustrada sinto que aumentou a minha ansiedade quero desesperadamente ler o seguinte da trilogia. A minha vénia a Nora Roberts. Pelo dom de escrever e criar uma obra tão sensível entre jardins apetecíveis e desejados.

Fico a sonhar com o dia em que alguém irá plantar comigo uma flor azul, não sou exigente ao ponto de escolher uma Dália, não fosse a minha alma estar embriagada desta cor tão intensa e profunda, sou verdadeiramente suspeita. Que dia magnífico! Não existe nada de mais maravilhoso do que acabar um dia ao mesmo tempo que se acaba um livro com uma satisfação imensa e um sorriso sonhador. É que não consegui sentir final de dia mais perfeito faz uns tempos.
É que saber que alguém algures o escreveu justifica acreditar que apesar da descrença, que se vai instalando, ainda posso sonhar em encontrar alguém assim. Onde andas e porque demoras? Não sabes que temos uma flor para plantar juntos?


P.S. Sim eu sei, meu amor isto de plantar exige dedicação e o criar raizes não é fácil, eu espero-te.


Uma flor a nascer





"Uma erva daninha é uma flor a nascer no sítio errado."*

Existirão caminhos ou sítios errados???
"Tudo é verdade e caminho"
Parece um chavão
Mas quando vejo as pessoas
A serem tão pouco flexíveis
Juro que as olho e as penso com tristeza.
É preciso ter limites, isso é óbvio
Mas de facto a liberdade do outro acaba onde começa a minha.
E se no momento sinto que devo estar aqui
Chamem-me erva daninha
Mas sinto-me tão confortável como se estivesse em casa.
E se desabrochei foi porque acreditei em mim e porque tenho bases sólidas.
Tão sólidas que me apoiam e alimentam todos os dias.
Os que não compreendem as decisões...
Assalta-lhes uma agressividade tonta e absurda.
Mas até percebo.

Olho-os com ternura porque o tempo as feriu
Mas tenho que me afastar de negativismo.

Vou voar daqui a nada
Deixo as minhas raizes aqui.
E levo pétalas perfumadas em livros escondidas.
Levo-te comigo.
Levo-vos a todos.
Só eu fico.
Ser flor e erva daninha ao mesmo tempo...
É uma luta constante.



*in A Dália Azul, by Nora Roberts


quarta-feira, agosto 22, 2007

Momento alto da semana .... ;)




Gaivotas em terra tempestade no mar!!!
Devido ao vento que se fez sentir era impossível estar na praia
Ok arranja-se outro programa...
Passear à beira mar
E na paragem mais próxima
Comer uma tripa pa aquecer
hehe ;p
A famosa tripa das praias de aveiro.
Já era fã da de chocolate mas agora com a
Minha estreia com a mista (chocolate e ovos moles)
Estou rendida
Aconselho vivamente!!! ;)

segunda-feira, agosto 20, 2007

Apenas canetas com tinta...





"Às vezes tenho ideias, felizes,

Ideias subitamente felizes, em ideias
E nas palavras em que naturalmente se despegam...

Depois de escrever, leio...
Porque escrevi isto?
Onde fui buscar isto?
De onde me veio isto? Isto é melhor do que eu...
Seremos nós neste mundo apenas canetas com tinta
Com que alguém escreve a valer o que nós aqui traçamos?... "


Álvaro Campos

18/12/1934


* The writting on the page says:

hidden in this beautiful darkness
these 4 walls keep ahold the thoughts, the secrets, the suicides.
writting by a piece of mind at deviantart

sexta-feira, agosto 17, 2007

Beach time



Hoje acordei com uma vontade da noite.
Não simplesmente da noite, mas da noite na praia.
Sentir aquele frio da madrugada a entranhar...
Ter aquele casaco quentinho e o calor humano à minha volta.
Lembro-me das escapadelas da adolescência pela mata rumo à praia.
Da alegria de finalmente ver o mar apenas sob o luar.
Das gargalhadas na tenda do campismo

Aquelas noites quentes...
A fogueira, as maluquices.


terça-feira, agosto 14, 2007

Rise inside




Quero nascer por dentro.
Quero sentir-me viva.
Cada vez mais me convenço
De que não pertenço aqui
Mas será que algum dia me ...
Será que algures serei a peça do puzzle que falta
Ou apenas uma peça solta perdida
Destinada a percorrer o caminho sozinha
Tenho saudades de sentir o amar
Não, não tenho saudades tuas, nem dele...
Só de mim ... ! Quando nem esperança temos ...
Sabemos que chegámos ao fundo
Levanto os braços e entrego-me a uma incerteza que corrói
Na esperança de sentir a brisa e de que ouça as minhas preces
Vem, beija-me de uma vez que já vens tarde

Vem buscar-me, vem encontrar-me de vez se é que existes.
Mas não demores que estou cansada, amor.
Ou então dá-me sinais e indica-me o caminho no mapa.
Oh que digo eu... já sei que não é assim tão fácil.

É que de tão cansada eu posso estar a perder-te
Por não ver. Por não sentir.
Ajudas-me a nascer por dentro

?



quinta-feira, agosto 09, 2007

Pétala a pétala...






Aproxima-se o momento de desabrochar
De cair pétala a pétala
Naquele micro segundo
Pairará levemente
E em poucos dias
Já não existirão vestígios
A vida passa
O tempo esgota-se
E o azul desaparece...
Por não lhe vermos a côr...
Será que desaparece?

E eis que voltamos ao mesmo.
Podamos o coração
Regamos várias vezes
Para que não secar de afecto
Mas será que alguma vez poderá brotar
De vez.... o merecido azul?
A tonalidade e intensidade?


domingo, agosto 05, 2007

Lean on me




Sometimes in our lives, we all have pain

We all have sorrow
But, if we are wise
We know that theres always tomorrow

Chorus
Lean on me, when youre not strong
And Ill be your friend Ill help you carry on
For it wont be long, till Im gonna need
Someone to lean on
You can call on me brother when you need a hand
We all need somebody to lean on
I just might have a problem, that youll understand
We all need somebody to lean on
Please swallow your pride, if I have things
You need to borrow
For no one can fill, those of your needs
That you wont let show

Chorus
If there is a load, you have to bear
That you cant carry
Im right up the road, Ill share your load
If you just call me...call me
If you need a friend....call me
If you need a friend....if you ever need a friend
Call me....call me....

Michael Bolton

P.S. Don't be afraid to lean on me


Chama






No vaivém em nos transportámos inúmeras vezes para os mais recentes capítulos das nossas vidas surge sempre uma tentação latente que nos faz encontrar no espaço e no tempo e consequentemente escrever mais uma página. Não uma página qualquer uma página desejada, uma página intensa que nos tira o fôlego. Parece que somos ambos amantes destas viagens apetecíveis mas perigosas. São precisas condições de segurança precisas. E acho que ambos tentamos compreender o porquê de mais tarde ou mais cedo cedermos. Claro que encontramos respostas... sabemos as respostas simples. Mas saberemos formular as verdadeiras respostas? Alcançamos um estado de libertação indescritível, para depois voltarmos ao ciclo vicioso aliciante e irresistível. Página escrita missão cumprida! Sorriso nos lábios ou não depende dos momentos, das circunstâncias mas no fim ambos ganhámos, ambos olhamos para trás para aquela chama que nos entrelaça na vida e nos faz naquele momento cruzar o mesmo caminho. Lembro da música do Ruizinho, aquela "Já não há canções de amor"... Recordo as primeiras quadras:

Um deste dias vou poder
apaixonar-me outra vez
sem me importar de saber
se vai durar um ano ou um mês

Correr e saltar num dia
depois não dormir tranquilo
pensar que o amor é isto
e descobrir que afinal é aquilo

Já não há canções de amor
como havia antigamente
já não há canções de amor

Um destes dias vou ser capaz
de encontrar a felicidade
avançar em marcha atrás
ir de verdade em verdade

Dizer que o amor é aquilo
que ontem estava descoberto
e ver que o fim duma paixão
espreita sempre um deserto

(...)

Sábias palavras do senhor Carlos Tê. Não me vou importar se vai durar um mês ou um ano esta chama. Um dia ambos vamos encontrar a felicidade não sei a que velocidade, em que estacionamento ou ruela mas vamos. Num lugar tranquilo algures vamos sentir de novo aquela batida, aquele brilho no olhar, aquele deslumbramento por alguêm... E se não for assim será de outra forma o inesperado reveste-se das cores mais simples e bonitas. E entretanto exploramos uma estrada alternativa, um oásis na estrada alternativa deste capítulo maluco. E ambos aprendemos algo importante é que não existem regras de sobrevivência vale quase tudo. Estradas secundárias, abraços que nos protegem do frio, às vezes faz um frio de rachar nas nossas vidas. Mimos que nos tranquilizam e acalmam dos dias de chuva, tempestades que insistem em vir para ficar quando os pensamentos atordoam. Tenho um orgulho desmedido do manual de sobrevivência que ambos escrevemos nestes últimos tempos. Vamos acender a fogueira que a noite já aí vem.